No Mundial de Roma, pelo menos na segunda semana, a lógica das roupas está invertida. Quem olha para as arquibancadas e para a piscina vê muito mais tecido no corpo de quem está na água, do que de quem está torcendo.
Com o calor do verão da capital italiana, sobreviver ao Mundial tem sido um desafio para torcedores e nadadores. Quem está nas arquibancadas, enfrenta temperaturas médias de 30 graus celsius, com picos de sensação térmica de até 40ºC.
A solução dos italianos são as roupas de banho, mas a moda é bem diferente das piscinas. È comum ver mulheres com shorts pequenos e a parte de cima do biquíni. Algumas, inclusive, chegam a dispensar o short e aparecem como se estivessem na praia.
Enquanto isso, na piscina, os atletas mostram muito menos corpo do que torcedores. Na era dos supermaiôs de poliuretano, a regra é cobrir a maior área possível. Pernas à mostra são raridade - e quem se dá o luxo, usa, normalmente, bermudas até o joelho.
Com isso, a temperatura acaba castigando os nadadores. "Nadei ao meio dia nas eliminatórias e foi muito difícil. Esperar pela prova foi complicado. Essa roupa é muito quente, fiquei suando embaixo", contou Henrique Barbosa. "Na sala de espera não tem ar condicionado, o que deixa as coisas ainda mais complicadas", completa.
A solução, segundo Joanna Maranhão, é tomar muita água. "Eu cheguei a dar um susto no (técnico Fernando) Vanzella. Eu costumo meditar antes da prova, visualizo como vou nadar. Aqui, acordei muito suada e ele veio me perguntar se eu estava muito nervosa. A saída é tomar muita água, para não desidratar".
Com os problemas enfrentados em Roma, a competição do Foro Itálico deve ser a última ao ar livre. A Fina (Federação Internacional de Esportes Aquáticos) anunciou que, por causa do aquecimento global, dará preferência para as sedes em locais fechados.
Os nadadores brasileiros, inclusive, estão evitando aparecer no Foro Itálico. Nas provas da manhã, só deixa o hotel quem vai competir. Os outros, ficam por lá e treinam na piscina olímpica que existe nas dependências. À tarde, só vão os mais empolgados. "De manhã não dá mesmo. O calor é muito grande. Mas à tarde, tem que ir. O sol só pega mesmo até 18h30", diz Thiago Pereira.