UOL Esporte Natação
 
29/07/2009 - 07h47

Thiago Pereira apoia fim de supermaiôs: "Não pode ter recorde mundial todo dia"

Bruno Doro
Em Roma (Itália)
Um dos ícones da natação brasileira atual, Thiago Pereira mostrou opiniões fortes nesta quarta-feira sobre os supermaiôs que proporcionaram cerca de 150 recordes mundiais desde o ano passado. Após se classificar para a semifinal dos 200m medley com o terceiro tempo (1min57s66), disse que as marcas, com os novos trajes, acabaram banalizadas.

"Antigamente, bater recorde mundial tinha uma importância incrível. Hoje, acontece todo dia. Aqui mesmo. Quantas provas tiveram sem recorde mundial? Duas? Banalizou demais. Não tem mais aquele negócio de treinar muito, muito e muito para bater o recorde. A maioria dos que estão aqui sabem o quanto a roupa ajuda", afirmou o nadador.

Na terça-feira, o Bureau da Fina (Federação Internacional de Natação) confirmou as novas regras para os trajes de competição. Matérias como o poliuretano, das sensações Jaked01 e Arena X-Glide, serão barrados, assim como os maiôs até o tornozelo e com zíper. A entidade vai colocar tudo em prática em 2010, mas ainda não oficializou uma data.

Thiago avisa que, assim que os maiôs forem banidos, o esporte deve passar por um longo período sem recordes. "Se você tirar a roupa e nadar, a diferença é absurda. Não dá para falar em tempo, mas ela facilita. Se eu faço 25s50 de borboleta com sunga, com o maiô eu posso fazer o mesmo tempo, mas não vou estar cansado. Essa é a diferença. O desgaste é bem menor. Sobra muito para o final".

A maior crítica do brasileiro, dono de seis ouros no Pan-Americano do Rio, é que os supermaiôs não ajudam todos os nadadores de maneira igual. "Tem gente que tem mais talento do que outros e são prejudicados. Um atleta mais pesado, que não tem tanta facilidade para nadar, usa o traje e fica mais em cima da água e fica em condições iguais a quem tem mais facilidade. A roupa interfere, não é mais só talento", explica.

Satisfação com o resultado

Finalista olímpico em Atenas-2004 e Pequim-2008, ele venceu sua bateria, a última, que tinha o norte-americano Ryan Lochte, que chegou com o melhor tempo do ano ao Mundial. "Há dois anos não nadava em 1min57. Consegui na eliminatória e ainda segurei no final, ao lado do Ryan. O tempo me surpreendeu", analisou. O melhor na prova foi o húngaro Laszlo Cseh (1min56s34).

O nadador fluminense, radicado em Minas Gerais, superou os problemas de sua preparação. No primeiro semestre, ele sofreu uma fratura na mão esquerda após escorregar saindo da piscina. Perdeu um mês de treinamentos. "Recuperei esse tempo com os treinos na altitude (em Serra Nevada, na Espanha). Nadei todos os dias, de domingo a domingo, o que me deu um ânimo a mais", disse.

Ele comemorou também o fato de, finalmente, poder estrear na competição. "Não aguentava mais ver todo mundo nadando, melhorando seus tempos e sempre me perguntando quando eu nadaria. Nunca chegava".

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