Felipe França não conseguiu esconder a emoção pelo vice-campeonato mundial, que conquistou na tarde de quarta-feira. Seu técnico, Arílson Soares, muito menos. Os dois choraram muito, orgulhosos da prata. Nenhum deles esqueceu, porém, que a prova em que o paulista de 22 anos brilhou não é olímpica.
Nas Olimpíadas, as únicas disputas de 50 metros ocorrem no nado livre. Nos outros estilos, só 100 e 200 metros. Para chegar à Londres-2012, portanto, Felipe terá de mudar de prova.
A conquista no Mundial de Roma, porém, é apontada como um grande ponto de partida para a jornada. "O começo de tudo foi aconteceu nas Olimpíadas de Pequim. Fui 22º lugar, uma posição que eu considerei excelente. Um ano depois, sou prata no Mundial. Acho que, para o primeiro ano do ciclo olímpico, estou muito bem encaminhado", afirma Felipe.
"Sabemos que essa não é uma prova olímpica, por isso queremos os 100m peito. Talvez até os 200. O que a gente quer é chegar a Londres-2012. E a experiência, o que vivemos aqui em Roma, tudo isso é a melhor lição que poderíamos ter recebido. Sabemos o que fazer para continuar chegando nesse mesmo lugar", explica Ari.
Apesar do otimismo, Felipe terá de trabalhar bastante para atingir o objetivo. Ele tentou a vaga no Mundial de Roma também para os 100m peito, mas fracassou. João Júnior e Henrique Barbosa ficaram com a vaga. Na Itália, Henrique foi o oitavo colocado na final. João, eliminado nas eliminatórias.
Para chegar em Pequim, porém, ele já tinha se superado nos 100m. "No Maria Lenk de 2007 (a seletiva olímpica para os Jogos na China), ele tinha adversários duríssimos. Todos estavam mais ou menos no mesmo nível. Antes da prova, eu avisei. Sua marca vai cair duas vezes. Ou você entra na piscina sem saber de nada, ou entra na piscina sabendo de tudo. Ele viu o que aconteceu, nadou e ficou com a vaga", conta Ari.
"Aquele índice olímpico foi a transformação. Em Pequim, ainda tivemos um campeão olímpico, o que deu confiança para todos os brasileiros. E agora subimos um degrau. Não é o lugar mais alto ainda, mas é o começo de um bom trabalho. Começamos um novo ciclo olímpico em um degrauzinho mais alto do que antes", finalizou o treinador.