UOL Esporte Natação
 
02/08/2009 - 15h56

Cielo dá ao Brasil seu melhor resultado da história em Mundiais

Bruno Doro
Em Roma (Itália)
Satiro Sodré/CBDA/Divulgação
Cielo brinca com as duas medalhas de ouro conquistadas no Mundial de Roma; nadador impulsionou o resultado do Brasil
RELEMBRE A VITÓRIA DO RECORDISTA NOS 100 M LIVRE
VEJA FOTOS DO TÍTULO DO BRASILEIRO NOS 50 M LIVRE
Em anos anteriores, a prata de Felipe França no Mundial seria o fato mais importante da natação no ano. Mas na "Era Cielo", até mesmo um vice-campeonato, que quebrou um jejum de 15 anos do Brasil sem pódio, passou quase despercebido.

Aos 22 anos, o jovem nadador de Santa Bárbara d'Oeste entrou, definitivamente, na lista dos grandes da natação. E, a reboque, levou a natação brasileira a um nível superior do ocupado há dois anos.

Foram 18 finais na piscina do Foro Itálico, com 15 atletas disputando até a última prova uma medalha. No total, o Brasil deixa a Itália com quatro medalhas: dois ouros (de Cielo), uma prata (de Felipe) e um bronze (de Poliana Okimoto, na maratona aquática).

A história, porém, quem escreveu foi Cielo. Com seus dois ouros, foi apenas o terceiro na história a vencer os 100m e os 50m livre no mesmo Mundial. Com seus 46s91 dos 100m, se tornou o primeiro a ganhar uma final da prova mais nobre da natação em seu campeonato mais importante (excluindo as Olimpíadas) com um recorde mundial.

E tudo isso mostrando emoção incomum nos grandes velocistas. Alexander Popov, duas vezes campeão mundial dos 100m e dos 50m livre no mesmo evento, é o exemplo da frieza russa. Cielo não. Chora no pódio, se estapeia antes das provas. "Sou um nadador muito louco. E emotivo. Acho que essa é a definição".

FINALISTAS E SEMIFINALISTAS DO BRASIL NO MUNDIAL DE ROMA-09
AFP
50m livre: César Cielo (1º) e Nicholas Santos (semifinal)
50m costas: Fabíola Molina (8ª), Guilherme Guido e Daniel Orzechowski (semifinal)
50m peito: Felipe França (2º) e João Júnior (7º)
50m borboleta: Nicholas Santos (5º), Daynara de Paula (8ª) e Gabriella Silva (semifinal)
100m livre: César Cielo (1º) e 8º Nicolas Oliveira (8º)
100m costas: Fabíola Molina (semifinal)
100m peito: Henrique Barbosa (8º)
100m borboleta: Gabriella Silva (5ª) e Gabriel Mangabeira (8º)
200m peito: Henrique Barbosa (8º)
200m borboleta: Kaio Márcio (4º) e Lucas Salatta (semifinal)
200m medley: Thiago Pereira (4º) e Joanna Maranhão (semifinal)
400m medley: Thiago Pereira (4º)
4x100m livre: César Cielo, Guilherme Roth, Fernando Silva e Nicolas Oliveira (4º)
4x100m medley: Guilherme Guido, Henrique Barbosa, Gabriel Mangabeira e César Cielo (4º) e Fabíola Molina, Carolina Mussi, Gabriella Silva e Tatiana Lemos (8º)
FOTOS DAS DISPUTAS DO DOMINGO
CIELO BELISCA MEDALHA NO 4X100M
PEREIRA FICA EM QUARTO DE NOVO
DESEMPENHO BRASILEIRO EM ROMA
PÁGINA ESPECIAL DA COMPETIÇÃO
Em Roma, o mundo finalmente descobriu isso. Ele passou pelo ouro olímpico nos 50m livre, o primeiro da história da natação verde-amarela, quase um desconhecido para o resto do mundo. Após os feitos na piscina do Foro Itálico, pode virar um ícone, lançado ao estrelato da água.

Mesmo assim, não vai sair do isolamento. Após o ouro nos 50m, ele ressaltou: precisa voltar para a pequena Auburn, no Alabama, população de pouco mais de 50 mil pessoas, para ser o melhor do mundo. "Esse ano serviu para me mostrar que é para lá que eu tenho de ir se quiser me manter no topo. Morar no Brasil pode esperar".

O país, porém, não tem porque se sentir diminuído. As maiores glórias podem ter sido "de fora". A prata de Felipe França (aquela que quase passou despercebida) é 100% nacional. Paulista de 21 anos (ele e Cielo foram vizinhos quando o segundo morava em São Paulo), ele treina em São Paulo com Arílson Soares. O bronze de Poliana Okimoto, que treina em Santos, seguiu o mesmo caminho.

Além disso, dos 15 finalistas, só quatro não treinam no Brasil: Cielo treina 6 meses por ano em Auburn. Nicolas Oliveira estuda na Universidade do Arizona. Henrique Barbosa é atleta de um clube de Paris. E Fabíola Molina treina na Itália.

"Estamos vivendo o efeito Cielo. Quando ele levou o ouro nas Olimpíadas, quem treinava com ele passou a acreditar. E temos toda uma geração que esta crescendo com essa mentalidade", diz Ricardo de Moura, superintendente técnico da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos). "O Brasil deu um salto de qualidade aqui em Roma. Estamos entre os melhores do mundo".

Recordes também nas outras modalidades

O Mundial de Roma foi bom também para as outras modalidades do Brasil. Nos saltos ornamentais, veio o melhor resultado da história. César Castro terminou em quinto lugar no trampolim de 3m. No nado sincronizado, a equipe brasileira fez cinco finais.

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