UOL Esporte Natação
 
03/08/2009 - 07h00

Mundial dos supermaiôs só mantém um recorde da "natação de antigamente"

Bruno Doro
Em Roma (Itália)
Quando o treinador norte-americano Bob Bowman, que transformou Michael Phelps no monstro das piscinas, afirmou que os trajes tecnológicos estavam "apagando toda a história da natação" ele não estava brincando. No Mundial com o maior número de marcas quebradas, só um recorde sobreviveu ao assalto dos supermaiôs.

Em 17 de junho de 2006, a norte-americana Kate Ziegler completou os 1500m em 15min42s54. Em Roma, a mais rápida da prova foi Alessia Filippi, medalha de ouro e recordista do Campeonato Mundial com 15min44s93. Detalhe: a prova não é disputada nos Jogos Olímpicos.

Na piscina do Foro Itálico de Roma, todos os outros tempos batidos há mais de um ano e cinco meses foram apagados por nadadores usando novos trajes. A data base é 17 de fevereiro de 2008, quando a Speedo lançou o LZR, primeiro maiô a usar poliuretano, que foi o ponto de partida para toda a confusão envolvendo trajes de competição.

A Fina (Federação Internacional de Esportes Aquáticos) baniu os supermaiôs, mas ainda não anunciou nenhuma ação a respeito dos recordes mundiais. As propostas são várias. A que mais se ouve pelos corredores do Mundial de Roma é usar um asterisco, para lembrar que os tempos são fruto de maiôs de poliuretano.

Outros são mais radicais. "Sou a favor de que todas as marcas voltam ao que eram antes do LZR", completou Bowman - lembrando: o técnico de Phelps chegou a defender o LZR, mas reclamou dos novos maiôs no mesmo dia em que seu pupilo perdeu a medalha de ouro e o recorde mundial dos 200m livre para o alemão Paul Biedermann.

Apagar os recordes seria a única maneira de devolver marcas consideradas imbatíveis antes do poliuretano. Uma delas é de Ian Thorpe. Em 2002, em Manchester, na Inglaterra, o "torpedo" australiano nadou os 400m em 3min40s08. O mesmo Biedermann foi o homem que quebrou o recorde, com 3min40s07. E sem treinar para essa distância. "Estava focado nos 200m. Acho que a velocidade ajudou. Mas sei que o maiô me deu uns dois segundos", disse o alemão, após subir ao pódio - um dia depois, ele mudou um pouco o discurso.

O recorde mais antigo a cair no Foro Itálico foi o dos 100m borboleta, da holandesa Inge de Bruijn, 56s61, das Olimpíadas de Sydney-2000. Em Roma, a sueca Sarah Sojstrom, de apenas 15 anos, bateu a marca duas vezes. O novo recorde mundial é 56s06.

Nos 800m masculino, outra prova que não é olímpica, o chinês Lin Zhang tirou quase sete segundos do tempo de Grant Hackett, de 2005: 7min32s12 do chinês contra 7min38s65 do australiano. O último tempo que caiu em Roma foi nos 100m peito, em que a norte-americana Rebecca Soni (1min04s89) melhorou em 0s25 o tempo da australiana Leisel Jones (1min05s09), de 2006.

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