UOL Esporte Natação
 
08/08/2009 - 07h01

Em novo patamar, natação brasileira pode mandar time B ao Pan-Americano

Daniel Neves
Em São Paulo
A delegação brasileira que disputou o Mundial de Roma retornou com o melhor resultado do país na história da competição. Em um "novo patamar" na natação mundial, os responsáveis pela equipe nacional cogitam a possibilidade de resguardar os melhores atletas do país para os principais campeonatos internacionais e utilizar uma equipe B em torneios menos prestigiados.

O primeiro torneio que pode contar com um time alternativo são os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011. A competição ocorrerá no mesmo ano do Mundial de Xangai, campeonato que será a prioridade da delegação brasileira.

"Antes, uma das competições em que a natação poderia ganhar experiência internacional, atrair investidores e ganhar um pouco mais de mídia era o Pan-Americano", comentou o técnico Alberto Silva. "A gente vai ver se dá para priorizar as duas. Se não der, o foco será melhorar esse resultado [obtido em Roma] no Mundial de Xangai".

O novo planejamento traçado pela equipe brasileira contrasta com o que foi feito na última edição do Pan-Americano. Disputada no Rio de Janeiro, a competição contou com a presença dos principais nadadores brasileiros. O país ficou com o segundo lugar no quadro de medalhas da modalidade, com 10 de ouro, sete de prata e nove de bronze - atrás apenas dos Estados Unidos, que competiu com uma equipe alternativa.

Se o país priorizou e brilhou no Pan, decepcionou no Mundial de Melbourne, também disputado em 2007. Com 15 representantes na competição, o Brasil retornou sem conquistar sequer uma medalha. "O Pan-Americano foi no nosso país e teve toda uma preocupação de que a gente levasse o nome do Brasil com muito mais evidência", admitiu Alberto Silva.

A mudança de foco dos treinadores brasileiros é justificada pelos números obtidos em Roma. O país alcançou 18 finais nas águas italianas com 15 atletas diferentes. O resultado foram quatro medalhas conquistadas: dois ouros (Cesar Cielo), uma prata (Felipe França) e um bronze (Poliana Okimoto, na maratona aquática).

"A melhora que a gente teve nesses 11 meses foi incontestável. O número de finais e de medalhas alcançadas é a prova disso. O primeiro pontapé já foi dado. Hoje, temos cara de time grande lá fora", comentou Cielo.

O bom desempenho da delegação brasileira em Roma fez com que a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) ganhasse elogios de Cielo. O nadador, que teceu severas críticas à entidade e a seu presidente, Coaracy Nunes, após as Olimpíadas de Pequim, defendeu o planejamento realizado no último ano.

"Depois da Olimpíada eu reclamei bastante. Mas esses 11 meses foram surpreendentes. Todos os atletas sabem desde janeiro o que vai acontecer. Tenho que dar parabéns à Confederação. Foi feito tudo o que falaram que seria feito. Só pelos números que a gente teve dá para ver a evolução do trabalho", disse Cielo.

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