UOL Esporte Natação
 
08/08/2009 - 07h01

Insatisfeito, Cielo quer melhorar desempenho em busca da "perfeição"

Daniel Neves
Em São Paulo
Campeão mundial e olímpico dos 50 metros livre, campeão e recordista mundial nos 100 m. Apesar de ter se tornado um dos maiores atletas brasileiros de todos os tempos, Cesar Cielo não está satisfeito. O nadador acredita ser possível melhorar seus próprios tempos e espera mais uma temporada vitoriosa no próximo ano.

"Ainda não estou satisfeito com o que eu fiz. Vou continuar buscando e ver até onde consigo", disse Cielo. "Os tempos agora serão outros. O papel [em que anota as marcas almejadas] já está queimado. O objetivo é buscar o limite, procurar melhorar e chegar o mais perto possível da perfeição. [Em Roma] A gente fez o que tinha de fazer. E isto foi só o começo, 2012 promete bastante".

A busca pela melhora virá sem o auxílio dos supermaiôs, que ganharam destaque na natação mundial nos últimos anos. Uma determinação da Federação Internacional de Natação (Fina) baniu os trajes tecnológicos das competições a partir de janeiro. Cielo, porém, minimizou a influencia dos maiôs e acredita ser possível se aproximar do recorde obtido por ele durante o Mundial de Roma.

"Pelo menos o recorde de tempo para colocar o maiô nós vamos bater, porque são 40 minutos para conseguir pôr essas roupas hoje", brincou Cielo. "A gente sabe o que precisa fazer para nadar rápido. Não sei se vai conseguir fazer 46 segundos nos 100 metros. Mas eu já fiz e sei o que preciso fazer. Não acredito que fique tão longe assim", comentou Cielo.

Se minimizou a importância dos maiôs, o campeão mundial reclamou da falta de apoio aos atletas do país. "Vim pensando que agora não tem mais desculpa para o Felipe [França, prata nos 50 metros peito] e eu não termos uma empresa patrocinadora no Brasil. Além de eu ter conquistado duas medalhas de ouro e batido o recorde mundial, ele competiu bem lá fora e voltou com uma medalha. Acho que a gente merece esse respeito, do pessoal não olhar o esporte como lazer".

Cielo deve treinar no Brasil até novembro, quando retorna à Universidade de Auburn (EUA), para retomar preparação sob o comando do australiano Brett Hawke. Convidado para treinar em outros países, o nadador prefere manter a fórmula de sucesso que lhe garantiu duas medalhas em Roma e duas nas Olimpíadas de Pequim.

"Sempre tive vontade de treinar em outro lugar. Mas uma coisa que não dá para mudar são os meus treinamentos, que estão dando super certo. Se o preço a pagar forem seis meses em Auburn, eu faço de novo", disse Cielo. "Aquela emoção de dar a volta na piscina, com a medalha no peito, não há nada que pague".

Chamado pela imprensa francesa de "Usain Bolt das piscinas", Cielo ganhou elogios de Michael Phelps. O maior campeão olímpico de todos os tempos elogiou o brasileiro e admitiu que não conseguiria vencê-lo nos 100 metros livre. O atleta de Santa Bárbara D'Oeste preferiu minimizar as declarações, mas brincou com o desempenho do norte-americano no revezamento 4x100 livre.

"Ele tentou nadar o revezamento e entregou em quarto", brincou Cielo. "Em momento nenhum eu vou subestimar um cara como o Phelps. Mas o foco da prova não mudaria, independentemente de quem está ao seu lado".

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