UOL Esporte Natação
 
14/09/2009 - 15h22

Hawke vira americano e Cielo pode "perder" técnico nas competições

Bruno Doro
Em São Paulo
CÉSAR CIELO: "ACHO QUE EU ESTOU MUITO BEM DE COMISSÃO TÉCNICA"
Satiro Sodré/Divulgação
Apesar da potencial "separação", César Cielo não deve se sentir "abandonado". Mesmo se for escolhido como um dos técnicos do time dos EUA, Brett Hawke continuará trabalhando com Cielo diariamente, em Auburn.

Nas grandes competições, não acompanhará o brasileiro tão de perto quanto virou costume, mas ainda estará próximo, para supervisionar.

Hawke, por exemplo, fez isso com o francês Fred Bousquet, prata nos 50m livre, no Mundial de Roma. Além disso, como nadadores de Auburn estão entre os melhores do mundo, técnicos da universidade são convocados por diferentes países para acompanhar seus atletas.

"Em Roma mesmo. Eram quatro técnicos de Auburn trabalhando. Parecia o NCAA (campeonato universitário dos EUA). Mesmo nas competições (em que Hawke não ficaria tão próximo), acho que continuo tendo o apoio de todos os lados. Juntando com os técnicos da seleção, acho que estou bem de comissão técnica", diz Cielo.
MUNDIAL DE ROMA DE NATAÇÃO
MAIS NOTÍCIAS DA MODALIDADE
O responsável pela transformação de César Cielo no maior velocista da atualidade pode se afastar da natação brasileira para as Olimpíadas de Londres-2012. Na semana passada, o australiano Brett Hawke, técnico do recordista mundial e campeão olímpico, obteve a nacionalidade dos Estados Unidos.

O passaporte era o último obstáculo para que ele pudesse realizar um de seus objetivos desde que virou treinador: assumir um lugar na seleção norte-americana de natação - é norma da federação local que só norte-americanos façam parte do time. Se for escolhido pela USA Swimming, e as chances para isso são grandes, segundo especialistas, Hawke não vai mais trabalhar com a delegação brasileira.

Técnico da equipe da Universidade de Auburn, dos EUA, ele continuaria trabalhando com César Cielo diariamente. Durante as grandes competições, porém, ficaria mais afastado, devido ao trabalho com o "Team USA".

Nas Olimpíadas de Pequim-2008 e no Mundial de Roma, Hawke fez parte da equipe verde-amarela, trabalhando diretamente com Cielo - e, de tabela, com os demais velocistas do país. "Eu já sabia dessa ambição dele. O Brett é casado com uma americana e os quatro filhos deles nasceram nos Estados Unidos", disse Cielo ao UOL Esporte.

O campeão mundial dos 50m e 100m livre, porém, admitiu que o treinador pode fazer falta. "Não compromete (a ausência de Hawke no time), mas é claro que não fica ideal durante a competição. Ele não vai estar ali, do lado da piscina, como sempre. Nas principais competições, principalmente, ele viajaria com a seleção dos EUA, não com a brasileira", analisa.

Desde o ouro em Pequim, nos 50m livre, Cielo credita a Hawke seu sucesso. A proximidade entre os dois é importante, principalmente, pelo fator psicológico. Tanto na China, como em Roma, onde Cielo foi o grande destaque do time brasileiro, deu exemplos disso.

Antes da competição na China, por exemplo, o australiano se vestiu com roupas de frio e ficou parado em frente à janela de Cielo. Quando o nadador saiu, preparado para o frio, e percebeu que, na verdade, a temperatura era amena, Hawke deu uma lição sobre confiança: "Você me viu todo encapotado e acreditou que estava frio. Não é preciso apenas ser bom, é preciso também parecer bom".

Em Roma, a mensagem foi bem menos sutil: o australiano pegou os óculos de Cielo, levou ao Vaticano e os mergulhou em água benta da Basílica de São Pedro. "Eu não sou católico, mas para o César, isso foi muito importante", admitiu, na época, o treinador.

Compartilhe:

    Receba Notícias

    Hospedagem: UOL Host