A brasileira Ana Marcela Cunha corre o risco de não conseguir concretizar o pódio no Circuito Mundial da Fina, depois de figurar na segunda colocação na temporada de maratonas aquáticas por quase todo o ano. Tudo por causa de uma febre que já dura uma semana e que a tirou da penúltima etapa da competição.
TRABALHO DOBRADO DEVIDO AOS ESTUDOS
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Ana Marcela Cunha luta para conseguir ir à prova decisiva
Aos 17 anos, Ana Marcela vive a dura rotina de competição, mas ainda tem obrigações como uma adolescente. Isso porque ela não abandonou os estudos e, quando está no Brasil, tem de mergulhar nos livros. "Os professores já sabem que, quando falto, é porque estou nadando, então já deixam tudo pronto. Mas não tem moleza, tenho de fazer as provas e os trabalhos como todos", explica a baiana, que reside em Santos.
A nadadora participaria neste sábado da prova de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a penúltima do circuito em 2009. No entanto, os médicos já aconselharam para que ela não voe esta madrugada com o restante da equipe brasileira, que inclui a número 1 entre as mulheres, Poliana Okimoto.
"Eu estou mal há uma semana. Comecei a sentir febre no voo de Paris para o Brasil", afirmou ela, que voltou de duas etapas na China, realizadas em setembro e outubro. "De lá para cá, tive febre todos os dias e não pude treinar."
O maior problema para a baiana é a obrigação em disputar ao menos a última etapa, em Sharjah, também nos Emirados Árabes, na quarta-feira (21). É obrigatória a participação, ou os nadadores não recebem a premiação pelo resultado somado na temporada. A briga, no entanto, será para garantir a terceira colocação, e não mais o vice-campeonato.
"A Angela (Maurer, alemã) com certeza vai fazer muitos pontos na etapa do fim de semana e vou perder a segunda posição. Então tenho de voltar logo a treinar e a me alimentar bem para dar o meu melhor e garantir o pódio", afirmou ela.
A preocupação de uma possível gripe suína foi descartada. Uma das suspeitas é de que o estresse pelo grande número de viagens possa ter prejudicado a atleta, facilitando a ação de algum vírus.
"Com uma competição em cima da outra, o corpo não aguenta", explicou a nadadora. O calendário deste ano do circuito da Fina foi o maior da história, com 14 provas - duas foram canceladas, em Londres e Cancun. As brasileiras decidiram cumprir toda a agenda e só não competiram quando o circuito coincidiu com o Mundial de Roma. Além disso, houve os campeonatos brasileiro e sul-americano, aumentando o desgaste.
Mesmo com o risco de não poder concluir o circuito, a baiana de Salvador comemora a temporada. "Foi um ano bastante positivo, apesar de não ter ido bem no Mundial", disse ela, apenas a 22ª em Roma. "Consegui vencer a etapa de Santos e isso é muito importante, porque estou apenas com 17 anos e ainda tenho muito para colher."