POLIANA VOLTA BADALADA AO BRASIL
No vale-tudo, certas coisas não são permitidas, como mordidas, golpes baixos e dedo no olho. As maratonas aquáticas, apesar de não serem feitas com o mesmo intuito, têm sido um palco frequente de disputas literalmente no tapa. E com um agravante: não há regras para que se impeça.
Poliana Okimoto, de pouco mais de 50 kg e apenas 1,65 m de altura, é uma das que mais sofre com isso. Ainda mais depois de se destacar no circuito mundial, no qual se sagrou campeã na última quarta-feira. "Eu já sou mais visada e, dentro da água, apanho mais", contou ela, em uma entrevista coletiva realizada em São Paulo nesta sexta-feira.
"No começo, eu ficava assustada em tomar pancadas, mas o que consegui tem sido a realização de um sonho", disse ela. Para se acostumar, no entanto, ela tomou alguns golpes violentos. O mais grave foi em 2006, em Nápoles (ITA). Uma adversária da Alemanha deu uma cotovelada no ouvido da nadadora, que teve uma ruptura no tímpano na ocasião e ficou cerca de dois meses parada.
"Sabemos que foi maldade. Aconteceu na largada, mas a Poliana nadou os 10 km e tivemos de carregá-la para fora d'água", contou o técnico e marido Ricardo Cintra, que esteve nos Emirados Árabes acompanhando a conquista. "É desleal (a pancadaria), mas não é ilegal. Infelizmente, as regras não falam nada sobre isso e só há um juiz na competição."
MUNDIAL DE 2015 NO RIO?
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O presidente da CBDA, Coaracy Nunes (d), afirmou ter o desejo de levar o Mundial de Desportos Aquáticos ao Rio de Janeiro em 2015, para aproveitar o perído e testar as estruturas da cidade.
Poliana tem inclusive de treinar esse tipo de situação. Quando vai ao mar de Santos (SP) em treinamentos, o que acontece uma vez por semana, sempre sofre contato físico para estar pronta nos períodos de competição. "Hoje ela já está aprendendo a bater também", brincou Ricardo.
Outro caso famoso em que a violência dentro d'água aconteceu foi nas Olimpíadas de Pequim, em 2008. O Brasil é que acabou prejudicado, já que Poliana e a compatriota Ana Marcela Cunha é que se encontraram no mar. A disputa forte entre as duas acabou tendo consequências nas provas de ambas - Poliana foi sétima, Ana Marcela, quinta.
Ricardo explica ainda que não há como ter jogo de equipe, mesmo entre atletas do mesmo país. "Não posso falar para a Poliana nadar junto com a Ana Marcela, por exemplo, se ela pode estar na frente", adicionou.
Depois do título, Poliana terá um tempo de folga, mas deve voltar a nadar nas piscinas em dezembro. Ela, que começou a carreira justamente nas piscinas, retornaria apenas para defender o Pinheiros no Open de Natação.