Gláucélio Abreu foi o primeiro brasileiro eliminado no torneio de boxe Olímpico. Ele perdeu para o argelino Nabil Kassel por 41 a 36 logo na primeira luta das Olimpíadas. Após a derrota, Glaucélio já avisou que não pretende passar para o boxe profissional, caminho comum depois de um ciclo olímpico. Ele quer se manter como amador e disputar Pequim-2008.
O paraense já tinha dito que iria seguir esse caminho no começo do ano. "Não posso deixar o boxe amador sem lutar em um Pan ou em um Mundial. Como só poderei disputar o Pan em quatro anos, já estarei velho para o boxe profissional. Por isso, vou me acostumando com o amador", diz o lutador, que recebe ajuda de custo da CBBoxe e um salário do governo do Pará.
Mais velho entre os boxeadores brasileiros classificados para Atenas -nasceu no mesmo dia que Washington Silva-, Glaucélio tem sido atormentado por lesões nos últimos anos. Em 2002, por exemplo, quebrou a mão direita na final dos Jogos Sul-Americanos. Lutou até o final da luta e ainda ficou com a medalha de ouro. Em 2003, outra lesão, dessa vez na outra mão, o tirou dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo. No começo do ano, voltou a se contundir e perdeu uma viagem da seleção para Cuba. Tantos problemas, porém, não acabaram com a disposição do lutador paraense. Prova disso foi que, na única oportunidade em que chegou a um torneio saudável (ainda sentia dores no Pré-Olímpico de Tijuana, quando foi eliminado na estréia), conquistou a vaga para as Olimpíadas.
Casado e com um filho de seis anos, ele começou tarde no esporte, apenas aos 22 anos, depois de tentar a sorte no vôlei e no futebol. Por causa das lesões, o paraense não disputou, mesmo classificado, o Pan-Americano de Santo Domingo nem o Mundial de 2003.
Ao contrário da maioria dos atletas, Glaucélio conseguiu criar um patrimônio com o que recebe. Juntando as ajudas de custo do Governo do Pará com a da Confederação Brasileira de Boxe, ele comprou uma casa, que está no nome de seu filho, e planeja até uma grande reforma.