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Carina Hata/UOL

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Duas chances para voltar ao lugar mais alto
Adriana Samuel No Rio de Janeiro
É muito bom ver o Brasil em uma final olímpica, ainda mais quando é em dose dupla, como foi nesta segunda. Que jogos, que garra, que vibração. Nem sei qual das duas partidas foi mais emocionante. A verdade é que sofri muito até ver as vitórias brasileiras.
Na coluna anterior, citei como favoritas as duplas Adriana Behar e Shelda no feminino, e Ricardo e Emanuel no masculino. Acabei acertando porque sei que estavam bem preparadas, e obtendo excelentes resultados, o que conta muito no caminho até as Olimpíadas.
Claro que muitas coisas poderiam ter mudado o destino dos brasileiros nos Jogos, como aconteceu com Sandra Pires e Ana Paula. A derrota sofrida na fase de classificação custou caro à dupla.
Elas tiveram de enfrentar Adriana Behar e Shelda de forma prematura, e acabaram dando adeus à competição, o que foi uma pena, porque todas as mulheres da modalidade poderiam mais uma vez trazer medalhas, como tinha acontecido em Atlanta e Sydney.
Na final, Adriana Behar e Shelda vão enfrentar as norte-americanas Kerri Walsh e Misty May, que, em condições técnicas normais, devido à força e a estatura que possuem, podem ser consideradas favoritas.
O que poderia funcionar a favor da nossa dupla era o fato de a May estar voltando de contusão, o mesmo que prejudicou a preparação de Sandra Pires. Se bem que, do jeito que está jogando, a norte-americana já deu mostras de estar em forma, e não é logo na final que vai se poupar.
Já para as brasileiras, que perderam a final em Sydney, esta decisão é uma nova história, e em quatro anos muita coisa mudou, até o tamanho da quadra. Mas acredito que o jogo será difícil para os dois lados e, claro, imprevisível.
Já no masculino, Ricardo e Emanuel enfrentam os espanhóis Javier Bosma e Pablo Herrera, que jogam juntos há um ano e vem crescendo muito no circuito mundial. Os brasileiros fizeram uma grande partida na semifinal, contra os suíços Heuscher e Kobel, e por isso mesmo chegam com muito moral à decisão.
Na verdade, qualquer resultado neste jogo semifinal seria normal, já que, como citei na coluna anterior, o eqüilibrio no masculino é maior que no feminino, e os suíços estão entre as quatro melhores duplas do mundo.
Assim como o jogo das norte-americanas é superior no feminino, a técnica, a bola dos brasileiros é maior que a dos espanhóis. No entanto, Ricardo e Emanuel têm de provar na quadra a condição de favoritos.
Mesmo analisando tantas condições técnicas, o que conta mesmo na decisão é o emocional, o coração, e por isso tenho certeza de que vamos trazer dois ouros.
Coluna publicada em 23/08/2004
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