UOL Olimpíadas
BUSCA




RECEBA O BOLETIM
UOL ESPORTE
 
 


Carina Hata/UOL

O disque-denúncia olímpico
Rodrigo Bertolotto
Em São Paulo

Que tal se pódio olímpico tivesse uma caixinha dessas de "sugestões e reclamações"? Ou um telefone de disque-denúncia, com atendimento ao atleta inconformado?

Não duvide. Pode ser o próximo passo em Pequim-2008, afinal, depois que o COI instalou em Atenas a Corte de Arbitragem no Esporte (CAS, em inglês), os atletas estão gostando do tapetão -até parecem cartolas brasileiros correndo atrás do juiz Luiz Zveiter pelos corredores da CBF.

Advogado virou item obrigatório nos comitês olímpicos. Quem diria: depois dos advogados porta-de-cadeia, agora tem os de porta-de-vestiário. Suas apelações e recursos viraram tão importantes quanto as piruetas dos ginastas ou os saltos dos cavalinhos na equitação.

Puxaram o "tapetão" do arremessador húngaro Robert Fazekas, de sua colega russa Irina Korzhanenko e o levantador grego Leonidas Sampanis. Eles perderam suas medalhas porque não fizeram o teste antidoping e ficaram sem apelação.

Mesmo destino teve a equipe alemã de hipismo, que perdeu seus ouros no tribunal, ao esquecer uma norma técnica.

O único prejudicado que recuperou sua medalha foi o nadador norte-americano Aaron Peirsol. Ele foi eliminado por uma suposta virada irregular, mas recuperou o ouro e recorde olímpico nos 200 m costas a base do protesto formal.

Os jurados também viraram alvo, como no caso dos três juízes da ginástica que foram afastados por dar vitória aos EUA no lugar da Coréia do Sul -um deles trabalhava na mesma academia dos ginastas "ianques".

A corte se instalou em um hotel ateniense e conta com 12 árbitros liderados pelo suíço Mathhieu Reeb. O órgão já atuou em Atlanta-1996, com seis casos, e em Sydney-2000, com mais 15. Atenas, porém, promete muito mais.

Os erros de juízes, jurados e mesários foram uma constante nos Jogos Olímpicos, mas tiveram seu auge de polêmica durante o período da Guerra Fria (1945-1989), quando as duas superpotências, EUA e URSS, acusavam um ao outro.

Segunda-feira passada, a cena parecia se repetir. O ginasta russo Alexei Nemov recebeu notas baixas dos jurados, o que beneficiaria seu rival direto, o norte-americano Paul Hamm, na prova das barras paralelas. O público no ginásio grego vaiou por dez minutos, enquanto Hamm esperava impassível para começar sua apresentação.

Em um gesto comovente, Nemov pediu ao público para se silenciar para que o adversário pudesse fazer sua performance. Dois juízes aumentaram a nota do russo, mas mesmo assim ficou atrás do norte-americano. O público voltou a vaiar. A federação russa, porém, não levou na esportiva e entrou com recurso.

Só falta agora essa onda chegar à delegação brasileira. As primeiras a reclamar seriam as meninas do nado sincronizado e da GRD (ginástica rítmica desportiva), que sempre alegam que há preconceito pelo Brasil não ter tradição nas modalidade. É só chamar a OAB.

Coluna publicada em 25/08/2004


Rodrigo Bertolotto
Rodrigo Bertolotto, 31, é jornalista do UOL. Repórter esportivo há 10 anos, cobriu a Copa do Mundo de 1998 e as Olimpíadas de 2000, em Sydney


OUTRAS COLUNAS
 
29/08/2004
Rodrigo Bertolloto
28/08/2004
Vicente Toledo Jr.
27/08/2004
William Carvalho
26/08/2004
Daniel Tozzi
25/08/2004
Rodrigo Bertolotto
24/08/2004
Wlamir Marques
23/08/2004
Adriana Samuel
22/08/2004
Georgette Vidor
21/08/2004
Nelson Prudêncio
Rodrigo Bertolotto


Todas as colunas