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Carina Hata/UOL

A vela do Brasil de vento
em popa na Grécia
Lars Grael
Em Atenas

Olá, leitores do UOL. É com grande prazer que escrevo direto de Atenas para falar um pouco dos nossos velejadores nos Jogos Olímpicos. Estou aqui como coordenador técnico da vela pela segunda vez em minha vida (em Sydney também fui técnico da equipe), e, antes de tudo, gostaria de agradecer o apoio e a torcida de todos os brasileiros.

Para um atleta olímpico com quatro participações na classe Tornado, e agora com mais estas duas como coordenador técnico, é nesse ambiente que me sinto em casa. E posso garantir que o clima em Atenas está ótimo, e a organização, excelente. A vela, como sempre, tem se destacado no cenário olímpico brasileiro, e aqui não poderia ser diferente.

Nossos velejadores estão hoje liderando duas classes: a Mistral masculino (prancha a vela), com Ricardo Winick, e a Laser, com nossa estrela Robert Scheidt, que está a um passo da medalha. Além disso, a dupla estreante na 49er, André Fonseca e Rodrigo Duarte, está na quinta colocação e com grandes chances de medalha.

Na Mistral feminina, Carol Borges se ressentiu da falta de experiência olímpica e não conseguiu deslanchar, mas todos sabem que só o fato de estar aqui já vale. Fora a grande experiência que a participação representa. Como ainda faltam 5 regatas para ela, muita coisa pode mudar.

Como vocês devem saber, a vela é o esporte que mais medalhas trouxe ao nosso país em Olimpíadas, com 12 no total, mesmo número do atletismo e do judô, mas com mais ouros. Imagino que, aqui em Atenas, nós poderemos levar mais 3 ou 4 novas medalhas. E podemos ainda esperar bons momentos.

A classe Star, em que corre meu irmão Torben, junto com Marcelo Ferreira, estréia neste sábado, assim como a minha querida classe Tornado, onde Maurício Santa Cruz e João Carlos Jordão nos representam. No entanto, algumas classes já estão bem perto da definição. Entre elas, estão a Finn, a 470 masculino e feminino, a Europa e a Yngling- essas duas últimas sem representantes brasileiros. Na Finn, nosso compatriota João Signorini fez uma excelente estréia olímpica e deve ficar entres os dez primeiros em uma classe que é considerada das mais técnicas em todo o mundo.

No 470 masculino, Alexandre Paradeda e Bernardo Arndt chegaram a vencer uma regata, e andaram muito, mas alguns maus resultados os tiraram da briga por medalhas. Se velejarem bem neste sábado, na última regata, podem até ficar em 5º lugar.

Já entre as meninas do 470, onde Fernanda Oliveira e Adriana Kostiw nos representam, a briga foi também bonita, e nossa dupla conseguiu boas colocações, como um terceiro e um quinto, mas a falta de equipamento e as posições ruins do começo do torneio as impediram de obter um lugar melhor. Devem terminar os Jogos perto do 17º lugar.

As condições da raia estão muito variadas, e já tivemos ventos de praticamente todas as direções e de intensidades que variaram da calmaria total até a quase tempestade. Ainda bem que nossos navegadores são experientes e bem treinados.

Amanhã, se o vento ajudar, quatro classes terminam sua competição: 470 masculino e feminino, Finn e Yngling. E começa a competição para a Star e a Tornado. Se tudo der certo, até domingo comemoraremos o ouro de Robert Scheidt, e talvez o de Ricardo Winick. Já na próxima semana, poderemos ver outros feitos de nossos heróis olímpicos. Vamos torcer!!

Coluna publicada em 20/08/2004


Lars Grael
Medalha de bronze na classe tornado nos Jogos de Seul e Atlanta, Lars Grael, 40 anos, é Secretário da Juventude, Esporte e Lazer do Estado de São Paulo.


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