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Carina Hata/UOL

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Demorou, mas temos um sucessor no salto triplo
Nelson Prudêncio Em São Carlos (SP)
A Olimpíada é o sonho de todo atleta. Tive a felicidade de ganhar uma medalha logo na primeira participação, em 1968, com uma prata e um recorde mundial de salto triplo (17m27), que na época era do lendário Adhemar Ferreira da Silva.
Naquele tempo, treinava só às quartas e domingos. Não contava com a tecnologia que existe hoje em dia, mas não faria comparações, afinal, cada um tem o que há de melhor para sua época.
Agora é a vez de Jadel Gregório. Ele é o sucessor da dinastia dos triplistas brasileiros. Demorou tanto tempo, desde João do Pulo, para termos um atleta de nível tão alto e em condições de enfrentar os melhores do mundo.
Sou presidente da comissão de atletas na CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), e, graças a essa função, acompanho de perto os saltos do Jadel. E vejo nele um potencial excepcional.
Em Atenas, ele terá que enfrentar uma coincidência de tantos talentos reunidos nesta competição. Não vejo algo assim já faz algum tempo. Ele tem tentado não se colocar como favorito, para diminuir a pressão. É um atleta que vem melhorando seus resultados paulatinamente e sabe exatamente do que é capaz.
Jadel está cotado para ser campeão, mas isso não garante o ouro. Ser favorito não assegura um lugar no pódio. O ponto a favor dele é o fato de já ter saltado mais de 17 m nas eliminatórias, o que alivia um pouco a pressão para as finais.
Muitas vezes o atleta não se adapta à pista, ao piso, e isso acaba prejudicando muito o seu desempenho, algo que felizmente não aconteceu com o Jadel. Só isso já o credencia a disputar o pódio.
Além do brasileiro, os favoritos são Christian Olsson, da Suécia, Yoandri Betanzos, de Cuba, Phillips Idowu, da Grã-Bretanha, e Kenta Bell, dos EUA.
O que vai pesar muito na decisão da prova, também, é o estado psicológico de cada atleta, como eles vão controlar a ansiedade, como vão dormir, acordar, e tudo acaba influenciando o resultado de um prova de tão alto nível.
Para os atletas que estão lá, a medalha é uma conseqüência de tudo o que foi feito até as Olimpíadas. Em 1968, no México, eu esperava saltar 16m56 que já estava feliz, mas acabei levando a prata. E ainda fui bronze em 1972, em Munique. Depois João do Pulo foi bronze em Moscou-1980. Quem sabe a história não se repete, mas com tons dourados, como com Adhemar?
Coluna publicada em 21/08/2004
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