UOL Olimpíadas
BUSCA




RECEBA O BOLETIM
UOL ESPORTE
 
 


Carina Hata/UOL

Surpresas no basquete,
mas nem tanto
Vicente Toledo Jr.
Em São Paulo

À primeira vista, o torneio olímpico de basquete masculino foi recheado de surpresas. Os Estados Unidos acabaram "apenas" com o bronze, a atual campeã mundial Sérvia e Montenegro não passou nem da primeira fase e a Itália por pouco não abocanhou a medalha de ouro.

Mas uma análise cuidadosa revela que muito pouco do que aconteceu nas Olimpíadas foi realmente surpreendente. Quem acompanha de perto o basquete masculino já esperava uma disputa acirrada pelas três medalhas. E as Olimpíadas apenas confirmaram o que vem sendo uma regra do esporte nos últimos anos: o equilíbrio.

Sem Kevin Garnett, Shaquille O'Neal, Kobe Bryant, Tracy McGrady e Jason Kidd - as verdadeiras estrelas do basquete norte-americano na atualidade - a seleção dos Estados Unidos é apenas mais um bom time. Continua sendo favorita ao título de qualquer competição internacional, mas sem os astros já não mete medo em ninguém e, sem uma preparação adequada e séria, continuará colecionando revezes.

Prova disso é que os norte-americanos perderam mais jogos em Atenas do que haviam perdido em toda a história do basquete olímpico. Das três derrotas (para Porto Rico, Lituânia e Argentina), apenas a queda diante dos portorriquenhos pode ser considerada uma "surpresa".

O mesmo raciocínio pode explicar o vexame dos sérvios em Atenas. De salto alto após a conquista do título mundial em 2002 em pleno território norte-americano, a Sérvia relaxou na preparação e não levou sua força máxima aos Jogos. O técnico Zledimir Obradovic chegou a convocar 40 jogadores para iniciar a preparação e depois cortou a maioria deles.

Por motivos variados, o time sérvio não pôde contar com Peja Stojakovic, Marko Jaric, Vlade Divac, Darko Milicic e Zeljko Rebraca. Deu no que deu: quatro derrotas em seis jogos e um vergonhoso 11º lugar. Outra decepção (em escala bem menor, é verdade) foi a Nova Zelândia, que foi quarta colocada no último Mundial e apenas a 10ª em Atenas.

O bom desempenho da Argentina não foi nenhuma novidade. O time conta com Manú Ginóbili, hoje um dos melhores jogadores do mundo, mas tem excelentes jogadores para dividir a responsabilidade com a estrela. Entrosada e bem preparada, a seleção argentina é muito difícil de ser batida.

Já a Itália, que sequer disputou o último Mundial e não tem nenhum jogador na NBA, provou que a vitória sobre os EUA em um amistoso antes dos Jogos não foi por acaso. O país tem um dos melhores campeonatos da Europa e três grandes equipes disputando a Euroliga. Para chegar a Atenas, deixou para trás seleções como a Alemanha de Dirk Nowitzki (terceira no último Mundial) e a França de Tony Parker.

Bronze em Sydney, a Lituânia chegou perto da medalha mesmo desfalcada do pivô Zydrunas Ilgauskas, do Cleveland Cavaliers, e só não chegou à decisão por causa de detalhes. Se considerarmos ainda a China de Yao Ming, a Espanha de Pau Gasol e a anfitriã Grécia, que tem uma torcida apaixonada por basquete, veremos que pelo menos 10 das 12 seleções poderiam ter subido ao pódio em Atenas.

Tanto equilíbrio só valoriza a histórica conquista dos argentinos. Mas que os "hermanos" não se deixem enganar. Emprestando o famoso chavão do futebol: não tem mais bobo no basquete masculino hoje em dia.

Coluna publicada em 28/08/2004


Vicente Toledo Jr.
Trabalhando no UOL há 4 anos como jornalista esportivo, Vicente Toledo Jr., 25, cobriu o Pan de Santo Domingo em 2003.


OUTRAS COLUNAS
 
29/08/2004
Rodrigo Bertolloto
28/08/2004
Vicente Toledo Jr.
27/08/2004
William Carvalho
26/08/2004
Daniel Tozzi
25/08/2004
Rodrigo Bertolotto
24/08/2004
Wlamir Marques
23/08/2004
Adriana Samuel
22/08/2004
Georgette Vidor
21/08/2004
Nelson Prudêncio
Rodrigo Bertolotto


Todas as colunas