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Sem medalha, Brasil é
potência em transição

Da Redação

O Brasil recuperou seu status de potência no basquete feminino, chegou à semifinal das Olimpíadas de Atenas, mas, pela primeira vez desde 1992, saiu dos Jogos sem uma medalha. Na decisão da medalha de bronze, as brasileiras perderam para a Rússia e ficaram em quarto lugar.

O resultado pode ser decepcionante para os torcedores, mas é bom para a seleção. Afinal, a última competição mundial que as garotas disputaram foi um desastre. Em 2002, a seleção terminou o Mundial da China, em sétimo lugar, perdendo para equipes em ascensão, como a Espanha.

"Eu estou decepcionada, mas não acho que seja um fracasso ficar em quarto lugar. Muitos times fortes disputaram as Olimpíadas e nós ficamos no topo. Não é fácil fazer isso", disse a pivô Alessandra.

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Em Atenas, o Brasil não deu espaços para surpresas. Venceu os times que podia vencer, perdeu para as equipes mais fortes. O time do técnico Antonio Carlos Barbosa perdeu quatro vezes. Duas para a Austrália, duas para a Rússia, duas seleções que estiveram no pódio nos dois últimos campeonatos mundiais.

Em Sydney-2000, as russas só não ficaram com medalha porque perderam para a seleção brasileira nas quartas-de-final. A Austrália foi medalha de prata. O pódio em Atenas fica com os mesmos times do Mundial de 2002. A diferença é a troca de posições entre russas, vice-campeãs na China, e australianas, prata em Atenas-2004.

O quarto lugar também deve marcar a despedida em Olimpíadas do quarteto Janeth, 34 anos, Helen, 31, Alessandra, 30, e Cíntia Tuiú, 29. As quatro formaram a base de uma geração vitoriosa do Brasil, que conquistou a medalha em Sydney-2000.

A seleção já tem suas substitutas. Helen já deu lugar a Iziane e deve perder espaço também para Adrianinha. Kelly e Érika já mostraram em Atenas que estão "comendo" o tempo de quadra da dupla Alessandra e Tuiú.

A única que ainda não tem uma sucessora é Janeth. A mais provável é Micaela, que, por lesão, ainda não disputou Mundial ou Olimpíada pela seleção. Maior jogadora em atividade do basquete nacional, Jane, como é chamada pelas atletas, só deve perder sua vaga quando quiser.

"Atenas não foi uma despedida para mim. Mas não sei como estarei fisicamente daqui a dois anos. Psicologicamente estarei bem, isso não é o problema. Estou participando intensamente de várias competições. Fica difícil pensar nisso com a cabeça quente após a perda da medalha", avisou a jogadora.

Por isso, o técnico Antonio Carlos Barbosa já começa a analisar novas gerações. Ele mesmo, aliás, pode deixar o cargo em breve. Seu auxiliar, Paulo Bassul, pode assumir o time em breve. O presidente da CBB (Confederação Brasileira de Basquete), Gerasime Bozikis, já disse que quer Barbosa como um coordenador de seleções.

"A nossa responsabilidade será grande. A renovação acontecerá normalmente. Algumas meninas que foram vice-campeãs mundiais sub-21 poderão ser aproveitadas", avisou o técnico.

Algumas, aliás, já foram usadas. Reserva de Janeth, Silvinha foi capitã da equipe que perdeu a final do Mundial de 2002 para a Croácia. Érika foi a maior reboteira da competição para jovens. E Iziane só não participou do campeonato porque estava na WNBA, a liga profissional feminina dos EUA.

Agora, é só pensar em manter o patamar elevado. Em dez anos, o Brasil foi campeão mundial, conquistou uma medalha de prata e uma de bronze em Olimpíadas e ainda ficou em quarto em um Mundial e em uma Olimpíada.

"São poucas as equipes no mundo que conseguem se manter na elite há dez anos. Temos que continuar o trabalho. Não é nenhum pesadelo ficar em quarto. Acho que não houve nenhuma hecatombe", analisou.

A imagem das jogadoras, porém, é bem diferente. Destaque do Brasil, a pivô Alessandra acha que é hora de se refletir sobre o futuro do basquete no país. "Temos que pensar já no Mundial de 2006. Alguma coisa está acontecendo de errado. O problema não é no adulto, tem que se olhar para a base. Há a necessidade de se investir na escola, trabalhar com crianças de nove, dez anos. O Brasil também está carente de técnicos, tanto no masculino quanto no feminino", afirmou.

"As seleções adversárias se aperfeiçoaram. Não conquistamos a medalha, mas mantivemos a posição de quarto lugar no ranking mundial. Nos meus 17 anos de Seleção, o basquete feminino do Brasil esteve entre os melhores, apesar de todas as dificuldades. Agora temos que criar mais equipes, buscar mais patrocinadores e investir na formação de base", completou Janeth.


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