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EUA batem de frente com a realidade

Da Redação
Em São Paulo

"Voltar para casa com uma medalha de ouro e outra de bronze não é exatamente o que planejamos". A frase, de Tom Jernstedt, o presidente da USA Basketball, que controla as seleções masculina e feminina de basquete dos Estados Unidos, reflete o estado de choque dos norte-americanos após os Jogos de Atenas.

A medalha de ouro que as mulheres conquistaram, comandadas por Lisa Leslie, eleita a melhor jogadora do basquete nos Jogos, e orquestradas por Van Chancellor, era prevista e veio sem nenhum problema.

O bronze dos homens é que causou reações extremadas. Mesmo sem algumas das maiores estrelas da NBA (Shaquille O’Neal, Kevin Garnett ou Vince Carter, por exemplo, disseram não às Olimpíadas), os EUA ainda mandaram um time forte para Atenas.




Tim Duncan tem dois títulos da liga e foi eleito o MVP (melhor jogador) de duas temporadas. Allen Iverson tem um vice-campeonato, um títulode MVP e foi o cestinha da temporada três vezes. LeBron James e Amare Stoudemire foram os dois últimos melhores estreantes da liga.

E, ainda assim, o "Dream Team" perdeu. Não uma vez. Nem duas. Foram três derrotas. Antes de Atenas, os EUA só não tinham vencido dois jogos em toda a história olímpica, em 1972, na final, e em 1988, na semi, ambas para a União Soviética.

O motivo para isso é a melhora do basquete internacional. Em Atenas, estavam presentes, além dos 12 norte-americanos, outros 13 jogadores da NBA, além de vários outros que passaram pela liga ou foram draftados pelas equipes norte-americanas.

Os norte-americanos, invictos nas Olimpíadas desde que os profissionais foram aceitos, em Barcelona-1992, não resistiram nem a times que jogavam como eles, nem a equipes que tinham estilos alternativos.

Porto Rico, que derrotou os EUA por 19 pontos, por exemplo, é um time que joga no estilo americano, mas está acostumado às regras da Fiba. Contou com o talento de Carlos Arroyo, do Utah Jazz, para vencer os EUA, mas só chegou na sexta colocação.

Lituânia, com só um jogador da NBA (o ala-pivô Darius Songaila, do Sacramento), era um dos principais exemplos do basquete europeu. Defesa por zona e aposta nos tiros de três. Na vitória sobre os EUA, na primeira fase, acertaram 13 arremessos de três pontos. Na derrota da decisão do bronze, foram 21.

A Argentina, campeã olímpica, que venceu os EUA na semifinal, é uma mescla. Com três jogadores na liga profissional (Manu Ginóbili, do San Antonio Spurs, Carlos Delfino, do Detroit Pistons, e Andrés Nocioni, do Chicago Bulls), a maioria do time joga junto há quase dez anos.

"Temos que admitir que alguns times aqui em Atenas são muito bem treinados e têm ótimos jogadores. Acho que muito mais do que culpar nossos jogadores, temos de dar crédito para os nossos adversários aqui", disse o técnico do ex-"Dream Team", Larry Brown.

Novo Modelo
A grande vítima do fracasso na Grécia deve ser o processo de seleção dos atletas. A turma-2004 do "Dream Team" foi escolhida por um comitê. O técnico, Brown, pouco pode fazer para incluir na equipe os nomes que queria. Além disso, o tempo de treinos deve ser maior. Duncan, Iverson e seus companheiros só treinaram juntos por duas semanas antes dos Jogos.

O grande modelo deve ser a seleção feminina, que, depois de copiar, será copiada. Em Barcelona-1992, após fracasso contra as soviéticas, as norte-americanas resolveram mudar. Como os homens fizeram quatro anos antes, para os Jogos de Atlanta, convocaram suas melhores atletas. E, melhor do que a masculina, as deixaram treinando juntas por dez meses. Conquistaram a medalha de ouro.

Em 2000, já com a WNBA em atitivade, foram convocadas as melhores da liga e, enquanto a temporada não começava, as atletas continuavam na ativa, na seleção. Levaram o segundo ouro seguido.

Em Atenas, já sabendo que o calendário da liga iria atrapalhar (a WNBA fez uma pausa de um mês em agosto para as Olimpíadas), a USA Basketball fez um plano para contornar isso. O período mais pesado de preparação, no qual o técnico Van Chancellor definiu sua equipe, foi feito antes da temporada. Antes de viajar para a Grécia, os EUA ficaram apenas duas semanas treinando juntas, mas o tempo de treinamento anterior compensou e elas voltaram com o título.



No ano em que o basquete masculino viu o fim da mística do "Dream Team" e surpresas como a 11ª colocação dos campeões mundiais da Sérvia e Montenegro, o melhor time venceu as Olimpíadas. A Argentina, usando uma base talentosa de jogadores que atua junta desde a adolescência, ficou com a medalha de ouro.

A base da seleção cresceu junta no esporte. Manu Ginóbili, Pepe Sanchez, Gabriel Fernandez, Leonardo Gutierrez e Fabrício Oberto têm menos de dois anos de diferença entre eles e jogam juntos desde 1996. Luis Scola, Andrés Nocioni e Walter Hermann, todos com 23 ou 24 anos, chegaram depois, mas também jogam juntos há tempos.

Ainda jovens, eles acabaram com a supremacia brasileira no continente. Depois, foram rumo à conquista do mundo. O ápice, até Atenas, tinha sido o vice-campeonato mundial em 2002. Uma campanha que incluiu a primeira derrota da história dos profissionais da NBA, 87 a 80 na segunda fase do Mundial de 2002, em Indianápolis, que começaram a disputar partidas internacionais em 1992.

O segredo de tanto sucesso é a manutenção da base. O técnico Rubén Magnano mudou só dois jogadores em relação ao time que foi ao Mundial de Indianápolis. Os dois, Carlos Delfino, do Detroit Pistons, da NBA, e Walter Hermann tiveram de vencer um campeonato sul-americano sozinhos para provar que poderiam ficar com as vagas.

Além disso, Manu Ginóbili provou que, fora dos Estados Unidos, é um dos melhores do mundo. Eleito o melhor jogador das Olimpíadas, ele carregou a Argentina contra os EUA, por exemplo, marcou 29 pontos. Na final, foram apenas 16, mas cestas decisivas.

Seus pontos, porém, não fizeram falta. Ao contrário de outros times, que perdem o rumo quando sua estrela não aparece, os argentinos tinham um plano B. Um não, vários. Durante as Olimpíadas, quando Ginóbili não funcionou, o ala-pivô Luis Scola, cestinha da decisão, com 25 pontos, o armador Pepe Sanchez ou o ala Andrés Nocioni assumiram a responsabilidade.

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  Quadro da modalidade
  País Total
  1º EUA 1 0 1 2
  2º ARG 1 0 0 1
  3º AUS 0 1 0 1
 6º BRA 0 0 0 0

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