
Ouro devolve Argentina ao primeiro escalão
Da Redação Em São Paulo
O ouro em Atenas no futebol quebrou um jejum de 52 anos da Argentina sem conquistas em Olimpíadas. Mas o triunfo da equipe do técnico de Marcelo Bielsa em gramados gregos tem um significado mais relevante. Atrás da campanha irretocável dos "hermanos" em Atenas está estampada a maturidade da nova seleção argentina.
Depois de 11 anos sem conquistas internacionais, desde o título da Copa América de 1993, os argentinos põem fim a uma série de fracassos com o ouro olímpico. Jovem, mas já experiente, o grupo que Bielsa tem em mãos é forte e deve ser a base do elenco que irá à próxima Copa do Mundo. A seleção de ouro desponta como a melhor geração do país desde a "Era Maradona".
Reuters
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Por conveniência, a Associação Argentina de Futebol (AFA) decidiu não demitir Marcelo Bielsa depois da decepcionante campanha do país na última Copa do Mundo. Após a eliminação na primeira fase no Japão e Coréia do Sul, a direção da entidade pretendia substituir o treinador por Carlos Bianchi ou José Pekerman.
Mas, sem dinheiro, a AFA resolveu ficar com Bielsa, que não custa muito à entidade, em relação aos salários pagos no mercado internacional. Sem querer, a direção do futebol argentino estava acertando em cheio.
Apelidado de "El Loco" em seu país, Bielsa é um treinador de métodos excêntricos e, por isso, incompreendido. Mas é um dos poucos técnicos de grandes seleções que consegue ter um padrão de jogo definido, que exibe alternativas táticas ousadas.
Nos Jogos de Atenas, a Argentina contou com 15 jogadores que participaram da campanha do vice-campeonato da Copa América, em julho. O grande destaque foi o meia-atacante Carlos Tévez, artilheiro do torneio olímpico com oito gols em seis partidas.
"Esse título tem um sabor maior, muito forte, diferente de qualquer vitória que eu tive pelo Boca Juniors. Esse é o ponto mais alto que já alcancei na minha carreira", afirmou Tévez, que desponta como novo maior jogador argentino da atualidade.
Depois de vitórias sobre Sérvia e Montenegro, Tunísia e Austrália na primeira fase, os argentinos chegaram à final passando por Costa Rica, nas quartas-de-final, e Itália, na semifinal. Na decisão, os meninos de Bielsa tiveram pela frente um adversário bem familiar, o Paraguai.
Com gol do artilheiro Tévez, a Argentina conseguiu a vitória por 1 a 0 para dar o primeiro ouro olímpico de sua história no futebol. Antes, os argentinos haviam conseguido a prata nos Jogos de Amsterdã, em 1928, e em Atlanta, há oito anos. A campanha em Atenas foi brilhante, com seis vitórias em seis jogos, 17 gols marcados e nenhum sofrido. Leia mais.

A participação da seleção do Iraque foi uma das principais atrações do torneio masculino de futebol. O time, que chegou na Grécia como uma atração exótica, acabou ganhando a torcida pelas boas atuações.
Desde a vitória na estréia sobre Portugal, os iraquianos mostraram em campo que poderiam conquistar uma medalha. Mas o sonho acabou com as derrotas para o Paraguai, nas semifinais, e para a Itália.
O Iraque não conquista uma medalha olímpica há 44 anos. A história do país nos Jogos é das mais modestas. Os iraquianos conseguiram apenas uma medalha na história do evento -um bronze de Aziz Addul no levantamento de peso, na Olimpíada de Roma, em 1960.
Na Grécia os iraquianos chegaram perto. E o país quase não participou da Olimpíada. O Iraque e seu comitê olímpico estavam suspensos desde as denúncias que Odai Hussein, filho de Saddam, aplicava castigos físicos nos atletas que tinham maus resultados.
Em fevereiro, o COI (Comitê Olímpico Internacional) reabilitou o país. Sobre o comando do técnico alemão Bernd Stange, a seleção se classificou para Atenas-2004 e chegou até as quartas-de-final da Copa da Ásia. O alemão só deixou o posto por temer por sua vida no convulsionado país após a invasão estrangeira. Assim, na Olimpíada o time foi dirigido por Adnan Hamad.
A excelente estréia contra Portugal fez com que a seleção iraquiana ganhasse atenção também pelo seu futebol. Entre os fãs do país na Olimpíada esteve o suíço Joseph Blatter, presidente da Fifa, que não perdeu um jogo da equipe em Atenas. No meio dos Jogos o dirigente anunciou uma ajuda financeira de US$ 400 mil para o Iraque construir um centro de treinamento.
Quem também quis tirar uma casquinha do sucesso iraquiano foi George W. Bush, presidente dos Estados Unidos, que usou imagens da seleção do Iraque em sua campanha para a reeleição. Leia mais.
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