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Mulheres lideram recorde para o Japão

Da Redação
Em São Paulo

A Grécia, berço das Olimpíadas, devolveu ao Japão, berço do judô, a hegemonia da modalidade. A seleção japonesa disputou 10 das 14 finais e saiu de Atenas com um recorde de oito medalhas de ouro e duas de prata. O número de judocas do país no topo do pódio dobrou em relação a Sydney-2000, quando o Japão obteve quatro medalhas de ouro, uma prata e dois bronzes, dividindo holofotes com outros países como França e Cuba.

Curiosamente, as mulheres conquistaram mais títulos do que os homens da seleção japonesa. Fora cinco ouros. Ryoko Tani obteve o primeiro, na ligeiro; depois vieram as vitórias de Ayumi Tanimoto (meio-médio), Masae Ueno (médio), Noriko Anno (meio-pesado) e Maki Tsukada (pesado). Esta última judoca se tornou de forma fulminante: venceu todas as lutas por ippon.

Já Noriko Anno corrigiu com o triunfo em Atenas uma grande lacuna em seu invejável currículo de tetracampeã mundial dos meio-pesados. Nas últimas duas Olimpíadas, ela não havia passado da primeira luta.

Entre os homens, as medalhas de ouro vieram de Keiji Suzuki (pesado), Masato Uchishiba (meio-leve) e Tadahiro Nomura (ligeiro). A vitória de Suzuki não era esperada, afinal ele pertence à categoria meio-pesado, mas aceitou lutar uma classe acima em Atenas porque a vaga na sua categoria já estava preenchida pelo "intocável" Kosei Inoue.

A queda do mito

O Japão só não conquistou em Atenas o ouro que era dado como certo. Na maior surpresa da Olimpíada no judô, o meio-médio Kosei Inoue, tricampeão mundial e considerado o melhor judoca da atualidade, foi derrotado nas quartas-de-final e, posteriormente, na repescagem. Ficou longe do pódio em cujo topo ele reinou nas Olimpíadas de Sydney-2000.

Reuters 
Kosei Inoue: de favorito a humilhado em Atenas
Desde o Torneio de Budapeste, antes dos Jogos de Sydney, Inoue estava invicto em lutas contra rivais não-japoneses. Coube ao holandês Elco van der Geest derrubar o mito diante da torcida japonesa que lotava o ginásio Ano Liossia para ver seu maior ídolo.

O europeu abriu vantagem (um yuko) no início da luta com um contra-ataque. Logo depois, aplicou outro golpe sobre Inoue -obtendo outro yuko. A 30 segundos do fim da luta, Inoue avançou e partiu para o tudo ou nada. Mais uma vez em um contra-golpe, Van der Geest acabou com o conto de fadas japonês: ippon.

Na repescagem, um abatido Inoue ficou de frente com o inexpressivo Movlud Miraliyev, do Azerbaijão. Apostando em tentar pegar as pernas do japonês, Miraliyev o fez ser punido duas vezes por falta de combatividade. Inoue insistia em tentar o uchi-mata, mas o azerbaijano estava preparado. A 1min58 de luta, Inoue finalmente pareceu ter encaixado seu golpe predileto. O juiz principal marcou o ippon para o japonês. Entretanto, após uma conferência com seus auxiliares, decidiu dar a vitória por ippon para o azerbaijano que, na opinião deles, conseguiu reverter o golpe. Assim, Inoue foi eliminado dos Jogos. "Eu nunca me senti tão frustrado e humilhado, mas espero reverter isso no futuro", prometeu.



Reuters
Ilias Iliadis conquistou a primeira medalha da Grécia na história do judô -e logo a de ouro, na categoria meio-médio. Mas Iliadis não é grego. Nasceu na Geórgia, um dos países que mais tem evoluído nos tatames e onde aprende a lutar. Com um estilo de luta bastante agressivo e ágil, o atleta também obteve outro feito inédito, ao se tornar o mais novo campeão na modalidade, aos 17 anos.
AFP
Maternidade e esporte de alto rendimento costumam não combinar. Mas, para as mulheres que conseguem conciliar, os resultados são ótimos -pelo menos em Atenas. Entre as centenas de judocas, apenas cinco eram mães. Dessas cinco, somente uma voltou para casa sem uma medalha, a holandesa Claudia Zwiers. A cubana meio-leve Amarilys Savon (foto) se afastou do tatame após Sydney-2000 para ter um filho. Voltou para ser campeã mundial em 2003 e bronze na Grécia -mesma conquista de sua compatriota e mãe Driulis Gonzalez entre as meio-médias. A francesa Frederique Jossinet só perdeu a final e para a hexacampeã mundial das ligeiras, a japonse Ryoko Tani. Na mesma categoria, a alemã Julia Matijass foi bronze.
AFP
Sem retrospecto para ganhar fama nos tatames de Atenas, a meio-pesada Eleni Ioannou, 20, ganhou notoriedade fora deles, antes mesmo de a competição ter início. Num caso ainda sem solução (passional em princípio), ela se jogou do terceiro andar, após discussão com seu namorado, Giorgos Chrisostomides. Este, que teria antecedentes com drogas, se jogou do mesmo lugar dias depois. Passados 15 dias, a judoca morreu. Nas Olimpíadas, foi substituída por Eleni Patsiou, que perdeu logo na estréia.
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  Quadro da modalidade
  País Total
  1º JAP 8 2 0 10
  2º CHN 1 1 3 5
  3º COR 1 1 1 3
 16º BRA 0 0 2 2

 Resultados
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