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Das agências internacionais Em Atenas (Grécia)
O palco, novo em folha, estava montado para ser um show do "dream team" da Grécia. Mas o que se viu foi um fim decepcionante para uma equipe que havia estrelado em outras Olimpíadas. No fim das competições, na noite de terça-feira (24), os gregos tinham apenas uma medalha de bronze, o técnico havia anunciado sua saída, e um de seus três melhores atletas se envolveu em um escândalo de doping (leia abaixo).
No outro extremo do quadro de medalhas, os chineses mais uma vez dominaram o esporte, assim como haviam feito em Sydney: foram três ouros no feminino e cinco no total, incluindo o de uma chinesa de 19 anos que bateu três recordes mundiais (leia mais). E, mais uma vez, uma grande quantidade de atletas foi pega em exames antidoping, ameaçando a continuidade do esporte do programa olímpico.
Para os gregos, Atenas foi "o fim de uma era", como disse o presidente da Federação Grega de Levantamento de Peso, Yiannis Sgouros, sobre os fortões que ajudaram a transformar a Grécia em um país de apenas uma medalha de bronze em Seul-1988 em um com 13 medalhas acumuladas até Sydney-2000.
A equipe tinha dois atletas que já haviam conquistado, cada um, três títulos olímpicos: Pyrros Dimas (meio-pesado, até 85 kg) e Kakhi Kakiasvilis (pesado-ligeiro, até 94 kg). Nenhum dos dois conseguiu a inédita quarta medalha de ouro.
E, pior, viram o arqui-rival Halil Mutlu, da Turquia, tornar-se o quarto homem a obter três medalhas de ouro consecutivas em Olimpíadas, juntando-se a outro turco, Naim Suleymanoglu, e à dupla grega.
Dimas, uma atleta incrivelmente popular na Grécia, conseguiu ao menos terminar em terceiro e garantir a única medalha grega nos Jogos, um bronze. Aos 32 anos, disse que vai se aposentar.
E ele não é o único. "Estou cansado. É hora de parar também", disse o técnico Christos Iakovou, na segunda-feira à noite, depois de aceitar uma "promoção" para se tornar diretor-técnico da equipe -mais ou menos o que aconteceu com Zagallo na seleção brasileira.
Iakovou teve sua imagem abalada pelo escândalo de doping de um de seus atletas, Leonidas Sampanis, de 32 anos, que teve de devolver a medalha de bronze conquistada na categoria pena (até 62 kg) depois que um teste feito após a competição revelou a presença anormal de testosterona em seu organismo.
Já o veterano Kakiasvilis, de 35 anos, nascido na Geórgia e naturalizado grego, não conseguiu completar cinco de suas seis tentativas de levantamento e foi desclassificado. Na entrevista pós-competição, emotivo, disse que continuará a competir e tentará ir a Pequim, em 2008. Será?
Foi uma série de "quases" para os donos da casa, que pensavam inaugurar a recém-contruída arena com 5.000 lugares ganhando pelo menos uma medalha de ouro.
Mas a perda da medalha de Sampanis, que apelou da decisão, logo no início das competições, desestabilizou os atletas que ajudaram a transformar o levantamento de peso em um esporte nacional na Grécia na década passada.
Foi o ouro de Dimas em Barcelona-1992 que atraiu pela primeira vez a atençao da mídia, mas só em Atlanta-1996 a equipe passou a ser chamada de "dream team", com a conquista de dois ouros e três pratas. O sucesso continuou em Sydney, com outros dois ouros, duas pratas e um bronze. Mas, agora, parece que acabou.
"A equipe que nos acostumamos a chamar de 'dream team' é passado, e seu sucesso é parte dos livros de história", disse Sgouros, o presidente da federação grega.
No último dia, quem mais brilhou foi o iraniano Hossein Reza Zadeh, que quebrou um recorde mundial e conquistou seu segundo ouro seguido na categoria superpesado (mais de 105 kg), ou seja, a dos homens mais fortes do mundo.

A competição de levantamento de peso em Atenas deveria marcar o renascimento do esporte em Olimpíadas, depois do fiasco em Sydney-2000, quando a equipe búlgara foi pega em exames antidoping e teve de devolver três medalhas de ouro.
O grego Sampanis no pódio com a medalha (alto) e cercado por repórteres após caso de doping
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O episódio fez com que os dirigentes olímpicos cobrassem da Federação Internacional de Levantamento de Peso (IWF, na sigla em inglês) uma limpeza no esporte.
Mas a faxina foi feita um tanto em cima da hora. Às vésperas do início dos Jogos, a federação decidiu testar, já em Atenas, os 261 inscritos no torneio de levantamento de peso, 172 homens e 89 mulheres.
Três homens e quatro mulheres foram pegos nos exames e banidos antes de levantar 1 kg sequer. Outros quatro atletas competiram e só foram flagrados depois. Um deles, o grego Leonidas Sampanis (fotos à esq.), teve de devolver sua medalha de bronze.
Outro medalhista pego foi o húngaro Ferenc Gyurkovics, que havia conquistado a medalha de prata na categoria até 105 kg ( leia mais).
O húngaro Tamas Ajan, presidente da IWF, acredita que os casos de doping pioraram ainda mais a imagem do esporte, mas defendeu a estratégia de realizar testes em massa. "As pessoas me disseram: por que você está fazendo esse controle? Você vai cavar a sua própria cova", disse.
Após a série de testes positivos, o COI (Comitê Olímpico Internacional) deu um voto de confiança à IWF. E Ajan, que há 30 anos luta contra o doping, anunciou punições mais severas e controles mais rígidos.
Mas, com o anúncio do 10º caso de doping no último dia de competições no levantamento de peso e posteriormente do 11º, o futuro do esporte continua incerto.
Pelo menos o título da categoria superpesado, a mais nobre, não havia sido contestado até o fim da Olimpíada. O muçulmano Hossein Reza Zadeh (IRA), após ganhar a medalha de ouro, foi questionado sobre os escândalos e disse: "O doping é proibido em nossa religião. O levantamento de peso é um esporte antigo, e seu futuro depende dos atletas. Se os casos de doping continuarem, haverá problemas. Mas não acho que o COI retirará o levantamento do programa olímpico".
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| Como o UOL Esporte noticiou |
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