O troco de Ian Thorpe
Da Redação
O momento foi histórico. Diante de centenas de torcedores, que lotaram o Complexo Aquático de Sydney -um dos mais modernos do mundo-, um "desconhecido" holandês, chamado Pieter van den Hoogenband, derrotou o nadador da casa Ian Thorpe, que até então era a maior sensação do esporte no país, e conquistou a medalha de ouro dos 200 m livre dos Jogos Olímpicos de 2000.
Mas, desde essa proeza, as vitórias sumiram do currículo do "Holandês Voador", como ficou conhecido, depois de também arrebatar o primeiro lugar nos 100 m livre, o bronze nos 50 m livre e ajudar a Holanda a ficar em terceiro no revezamento 4x200 m livre.
A façanha de Hoogenband, em 2000, acabou com o sonho do jovem Thorpe, de apenas 17 anos, de conquistar as seis medalhas de ouro que havia prometido para a torcida de seu país. Pior. Foi derrotado na prova em que é especialista e na qual era franco favotito ao título (200 m livre). No fim, levou para casa três ouros (400 m livre e revezamentos 4x100 m e 4x200 m livre) e duas pratas (200 m livre e revezamento 4x100 m medley).
A partir daí, as coisas mudaram na vida do nadador australiano. A vergonha passada diante da sua torcida fez com que o "Torpedo" treinasse mais e mais até que a próxima chance aparecesse. E ela veio um ano depois, no Mundial de Fukuoka, no Japão.
Mais uma vez, lado a lado, os dois nadadores se encontraram numa final. Thorpe na raia quatro e Hoogenband, na cinco -do mesmo jeito que em Sydney. Mas o final foi diferente dessa vez. O australiano venceu a prova, ficou com o título mundial, e, de quebra, tornou-se o homem mais rápido do mundo na história da modalidade ao cravar o tempo de 1min44s06.
Dois anos depois, no Mundial de Barcelona, a cena repetia-se pela segunda vez vez. Thorpe na raia quatro e Hoogenband na cinco. Mas a pressão desta vez se inverteu de lado. O holandês, porém, não resistiu. Nas piscina em que foram realizadas as Olimpíadas de Barcelona, o australiano venceu o tira-teima contra o rival e tornou-se bicampeão mundial.
Mas Thorpe não estava satisfeito. Queria o título olímpico. E a chance veio nos Jogos de Atenas. E o final foi bem diferente do das Olimpíadas de Sydney. O australiano conquistou a tão cobiçada medalha de ouro e, de quebra, bateu o recorde olímpico de Hoogenband, mostrando a sua superioridade na prova.
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