Da Redação
Especulou-se muito. Falaram que ele superaria o recorde de sete medalhas de ouro de Mark Spitz nos Jogos de Munique-1972. Outros arriscaram que ele igualaria. Uns duvidaram. Mas Michael Phelps não deu ouvidos. Preocupou-se apenas em nadar e a responder que "nada é impossível".
Passados os oito dias de competição da natação em Atenas, Phelps não conseguiu superar, e nem mesmo igualar o feito do seu compatriota, mas conquistou marcas que o deixaram ao lado dos maiores nomes do esporte mundial.
Ganhou oito medalhas olímpicas (seis de ouro e duas de bronze), tornou-se o nadador que mais vezes subiu ao alto do pódio numa única edição de Jogos Olímpicos, igualando-se apenas ao ginasta soviético Aleksandr Dityatin, que conseguiu o mesmo feito em Moscou-1980.
Também tornou-se o nadador com mais medalhas de ouro em provas individuais numa edição de Jogos -foram quatro: 200 m e 400 m medley e 100 m e 200 m borboleta. Com o feito, Phelps supera ainda o seu compatriota Matt Biondi, que, nos Jogos de Seul-1988, conquistou sete medalhas (cinco ouros, uma prata e um bronze).
E, acima de tudo, está pronto para novos recordes. Se permanecer no topo até os próximos Jogos, em Pequim-2008, deve superar as nove medalhas de ouro de Spitz, somando-se as conquistas da Cidade do México, em 1968, e de Munique, em 1972.
Ao contrário de Spitz e Biondi, outros "mitos" da modalidade, Phelps não subiu ao pódio em sua primeira Olimpíada, mas a disputou quando tinha apenas 15 anos de idade, em Sydney. Na China, terá 23 anos, idade aproximada de Spitz e Biondi, quando eles fizeram a melhor Olimpíada da carreira, arrebatando, respectivamente, sete e cinco ouros.
CAMPANHA
Já no primeiro dia em que caiu na água (foram 14 vezes durante todas a Olimpíada), os flahes estavam virados para ele. A primeira prova foi dos 400 m medley. Venceu as eliminatórias de manhã e ficou com o ouro à noite, com direito a quebra de recorde olímpico e mundial. Nada mal para um primeiro dia.
Vinte e quatro horas depois, competia com a equipe norte-americana, que foi superada pelos sul-africanos e holandeses no revezamento 4x100 m livre. A medalha de bronze, ao mesmo tempo que acabava com o sonho de superar Spitz, tirava uma parte da pressão sobre Phelps. No terceiro dia, mais um bronze (desta vez nos 200 m livre) e o fim do sonho de igualar o feito do compatriota.
Mais aliviado, Phelps voltou para a piscina e conquistou cinco medalhas de ouro consecutivas. Duas na terça-feira (17.ago), nos 200 m borboleta (quando bateu o recorde olímpico) e no revezamento 4x200 m livre. Dois dias depois, foi a vez de derrotar seus adversários, inclusive o brasileiro Thiago Pereira, nos 200 m medley.
Na sexta-feira (20.ago), venceu o campeão mundial e compatriota Ian Crocker e ficou com o ouro nos 100 m borboleta. De quebra, Phelps bateu por duas vezes o recorde olímpico da prova, nas semifinais e na final.
Após a conquista da sétima medalha, o norte-americano abdicou da vaga na equipe dos 4x100 medley e, da arquibancada, assistiu a seus companheiros conquistarem mais um ouro, que contou na sua galeria por ter feito parte da equipe que disputou as semifinais. Tudo isso em oito dias. Nada mal para quem tem apenas 19 anos e, no mínimo, mais três Olimpíadas pela frente.
O ano que viu surgir o norte-americano Michael Phelps como fenômeno da natação olímpica assistiu a menos recordes do que a edição anterior, quando a grande celebridade das piscinas era o australiano Ian Thorpe.
O centro aquático de Atenas viu a quebra de 23 marcas olímpicas ou mundiais, uma a menos do que em Sydney. Porém há quatro anos foram 12 melhores tempos da história, enquanto nesta semana passada, 8.
Além de mais minguados, os recordes também foram concentrados. Somente os Estados Unidos foram responsáveis por 14 deles, sendo que apenas outros quatro países entraram para a lista de mais rápidos da história -Austrália, Japão, China e África do Sul.
Já nos Jogos Olímpicos-2000 oito nações tiveram representantes no Guinness Book (o livro dos recordes), e norte-americanos foram incluídos em oito provas.
O teen norte-americano, 19, dono de oito ouros e dois bronzes foi responsável pelas marcas olímpicas dos 100 m (duas vezes) e 200 m borboleta, 200 m medley (duas vezes) e 400 m medley (este mundial também).
Nos Jogos australianos, o astro local, então com 17 anos, foi campeão três vezes e vice uma, com participando de três quebras de recordes olímpicos (todos mundiais).
Na Grécia, os EUA atingiram sua 12ª edição na supremacia da natação, com 28 pódios (12 ouros, 9 pratas e 7 bronzes), superando com folga a Austrália, com 15 (7, 5 e 3) e o surpreendente Japão, 8 (3, 1 e 4).
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