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Taekwondo entra no mapa do esporte brasileiro
Da Redação Em São Paulo
Da ala mais modesta do rol de esportes olímpicos brasileiro, o taekwondo talvez seja aquele que mais tem a comemorar com o desempenho nos Jogos de Atenas. Desacreditado e quase sem atenção da opinião pública, a arte marcial teve dois brasileiros brigando por medalhas.
Diogo Silva e Natália Falavigna ficaram muito próximos do pódio olímpico em Atenas. Na categoria pena até 67 kg, depois de ser eliminado da chave principal nas quartas-de-final, o lutador paulista chegou à disputa do bronze, quando caiu diante do sul-coreano Song Myeong Seob.
Falavigna chegou ainda mais próxima de uma medalha. Ao contrário de Diogo Silva, a paranaense conseguiu alcançar a semifinal da chave principal. Mas, derrotada pela chinesa Chen Zhong, a representante do Brasil na categoria pesado teve que passar por uma luta na repescagem para disputar o bronze com a venezuelana Adriana Carmona, quando perdeu de vez as chances de pódio.
O terceiro representante brasileiro no taekwondo em Atenas foi Marcel Wenceslau, que parou na primeira rodada da categoria mosca ao ser derrotado pelo egípcio Tamer Bayoumi.
Esta foi a segunda participação olímpica do taekwondo brasileiro. O país estreou em Olimpíadas em Sydney, há quatro anos. A única representante nacional na oportunidade foi Carmem Carolina, na categoria até 57 kg. A paranaense teve o sonho da medalha olímpica desfeito logo na primeira rodada pela italiana Cristiana Corsi.
Personificando panteras negras
Além de quase conseguir um bronze, Diogo Silva chamou a atenção em Atenas por outra razão. Na decisão de terceiro e quarto lugares, o lutador paulista entrou com uma luva preta dos Black Panthers (Panteras Negras, movimento de militantes negros norte-americanos no final da década de 60), que o árbitro o fez tirar.
De acordo com Diogo Silva, o pequeno ato de protesto não teve nenhum significado racial, ao contrário dos “panteras negras” norte-americanos nos tumultuados anos 60. Com o gesto, o atleta quis apenas chamar a atenção para o descaso com o taekwondo no Brasil.
"É uma luva dos Black Panthers, um sinal de protesto, da indignação. Por mais que a gente batalhe, nosso sacrifício não é recompensado. Foi meu protesto para que o Brasil veja a dificuldade que o esporte amador enfrenta. A gente merecia mais apoio do governo e dos empresários", desabafou o lutador.
Contundidos
Duas histórias de contusões chamaram tanta ou mais atenção do que as próprias definições de medalhas no torneio olímpico de taekwondo.
Bertrand Gbongou Liango, atleta da República Centro-Africana, foi parar no hospital depois de receber um golpe na cabeça em combate contra o austríaco Tuncay Caliskan. Desacordado, o atleta de 22 anos foi atendido às pressas e removido a um centro médico de Atenas.
Depois de passar por radiografias e se submeter a uma avaliação médica geral, Bertrand Gbongou Liango foi liberado do hospital um dia após sua internação.
Um dia depois foi a vez do turco Bahri Tanrikulu expor sua dor ao público internacional. O lutador fraturou o braço na primeira luta eliminatória da categoria até 80kg, mas mesmo assim prosseguiu na chave principal.
Valente, Tanrikulu conseguiu alcançar a decisão. Mas, na disputa pelo ouro com o norte-americano Steven Lopez, o lutador turco, com a condição física visivelmente comprometida, não conseguiu fazer frente ao adversário, que conquistou o bicampeonato olímpico.
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