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Divulgação

Rodrigo Bastos não repete o Pan e fica fora da final da fossa olímpica
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Bastos culpa pressão por resultado ruim
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Atenas (Grécia)
Como atleta de fim de semana, Rodrigo Bastos acertou 124 de 125 tiros e foi medalha de prata no Pan-Americano de Santo Domingo, há um ano. Com uma preparação que custou aos cofres públicos quase R$ 200 mil e um estande de tiro construído para ele em sua cidade, Guarapuava (PR), Bastos acertou 117 de 125 tiros e não chegou à final na Olimpíada de Atenas -terminou na 14ª colocação.
Até o ano passado, o dentista tinha de viajar mais de 250 km aos fins de semana para treinar em Curitiba. Depois de disputar a Olimpíada de Seul-1988 e obter resultados bons no início da década de 90, o atirador abandonou o esporte. Voltou no ano passado, empolgado com a chance de disputar outra Olimpíada. A prata e o ótimo desempenho no Pan lhe valeram a vaga olímpica e um apoio inédito para um esportista de uma modalidade pouco desenvolvida no Brasil.
"Foi pouco", admitiu Bastos após a segunda parte da prova, no domingo (15). "Queria ter feito 121 pontos. A marca me colocaria na final. Errei quatro tiros retos, muito bobos. Senti a pressão de ser o único atirador brasileiro na Olimpíada. Cheguei com uma cobrança muito grande em cima de mim e isso me atrapalhou."
Três dias depois, na chegada ao Brasil, Bastos declarou que estava "bravo" consigo mesmo pelo desempenho obtido, mas disse que não foi tanto pela pressão (leia mais).
No domingo, Bastos ainda afirmou que os seis meses em que pôde treinar -e deixar sua profissão- não foram suficientes. "Por ser um ano olímpico, não houve muitas competições internacionais com nível alto. E eu precisava disso para estar mais acostumado com a pressão, com o fato de enfrentar os melhores. Só essa bagagem me daria uma maior consistência para fazer com mais freqüência os resultados que já fiz", disse, em referência ao desempenho no Pan de Santo Domingo.
Se repetisse os 124 acertos, Bastos estaria na final com o melhor desempenho ao lado do russo Alexei Alipov -que conquistou a medalha de ouro- e teria igualado o recorde olímpico. Entretanto, o atirador não conseguiu acertar todos os 25 tiros em nenhuma das cinco séries que disputou em Atenas.
No primeiro dia de provas, no sábado, os atiradores fizeram três séries de 25 tiros, e Bastos acertou 70 pratos dos 75, terminando o dia em 19º lugar. No domingo, mesmo que acertasse todos os seus 50 disparos, não teria chegado à final, já que o sexto e último finalista fez 121 pontos.
Agora, Bastos não sabe se seguirá no esporte. "Tenho o sonho de disputar o Pan-Americano de 2007 e os Jogos de Pequim-2008. Mas, voltando para o Brasil, vou conversar com o COB, com a Confederação (de Tiro) e meus patrocinadores para ver o que é possível fazer. Se for para continuar no tiro, quero mudar algumas coisas. É preciso contratar um técnico. Não precisa ser estrangeiro, mas uma pessoa que se dedique em tempo integral a isso. Também preciso montar um calendário de competições internacionais. Não estou em um nível abaixo dos demais, não é nada do outro mundo, mas preciso me preparar para ser mais consistente."
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