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O britânico é bom mesmo
Da Redação
Em São Paulo

Sem a sombra de Robert Scheidt, Ben Ainslie consolidou em Atenas seu lugar entre os principais velejadores do mundo. Depois de duas Olimpíadas brigando com o brasileiro e oito anos de duelos na Laser, Ainslie disputou os Jogos de 2004 em outra classe, a Finn. O resultado foi um ouro com poucas dificuldades.

Mesmo com a desclassificação em uma regata, por atitude anti-esportiva, ele chegou à regata final com 14 pontos de vantagem para o segundo colocado, o espanhol Rafael Trujillo. Na regata decisiva, ficou em 14º, apenas duas posições atrás do rival.

O título do inglês era uma das barbadas da vela em Atenas. Como Scheidt fez na Laser, Ainslie dominou a Finn desde que chegou à classe, em 2001. O ouro em Atenas foi seu décimo no novo barco.

Em três anos, o inglês venceu três Campeonatos Mundiais. No último, conquistado no Rio de Janeiro, ele se igualou ao brasileiro Joerg Bruder, único que venceu três títulos mundiais seguidos, nos anos 70.

Além disso, ele venceu ainda dois Campeonatos Europeus e foi vice-campeão em um. Em 20 campeonatos disputados desde a mudança de classe, ele foi vice-campeão em seis e em nenhum terminou abaixo do quinto lugar.

"Ele é o melhor do mundo e merece ganhar tudo o que está ganhando", disse Mateusz Kusznierewicz, da Polônia, bronze em Atenas. O polonês foi o último homem a bater Ainslie, na Semana de Spa e no Campeonato Europeu de 2004.

Felizmente para os adversários, na próxima Olimpíada o inglês não vai estar tão bem preparado quanto em Atenas. Ele fará parte da tripulação do Team New Zealand, que tentará recuperar o título da America's Cup em 2007. A competiçã é a mais antiga da vela do planeta.

O inglês, por seus duelos com Scheidt, ficou muito conhecido no Brasil. Principalmente depois de Sydney-2000, quando desbancou o brasileiro e ficou com o ouro na Laser. Na última regata, ele seguiu Scheidt por todo o percurso e, como tinha vantagem, terminou em primeiro lugar. "Na rua, até hoje me perguntam porque eu não fiz nada com o inglês", contava Scheidt dois anos depois dos Jogos.

Um novo duelo com Scheidt, porém, está decartado. "Ganhei muito peso para competir na Finn, não posso mais voltar para a Laser. E a Finn é uma classe na qual poderei competir por mais alguns anos", avisou Ainslie.



Israel esperou 52 anos para comemorar seu primeiro ouro olímpico. Desde os Jogos de Helsinque em 1952 os israelenses esperavam pela conquista, que finalmente aconteceu em Atenas, com o triunfo do velejador Gal Fridman na classe Mistral masculina.

Algoz do brasileiro Ricardo Winicki, o Bimba, que saiu sem medalhas mesmo entrando na regata final na liderança, Fridman virou herói nacional com o ouro em Atenas.

"Para nós é um sonho que se realiza. Algo que sonhávamos desde nossa primeira Olimpíada, em 1952", afirmou o velejador israelense de 28 anos logo após o segundo lugar na regata final, que sacramentou sua conquista.

"Gal Fridman é nosso maior atleta. Ver nossa bandeira e escutar nosso hino na cerimônia de premiação é um momento que estávamos esperando há muito tempo", completou Gilad Lustig, chefe da equipe de vela de Israel.

O debute olímpico do país do Oriente Médio aconteceu em Helsinque, em 1952, apenas quatro anos depois do estado de Israel ser reconhecido internacionalmente pelas Nações Unidas. A primeira medalha veio somente em Barcelona, 40 anos depois, no judô.

Vinte anos antes, Israel viveu nos Jogos de Munique a página mais triste de sua história olímpica, quando uma facção terrorista palestina invadiu a Vila Olímpica e matou 11 atletas do país que eram mantidos como reféns, num episódio conhecido como "setembro negro".

"Tenho certeza que eles (os atletas mortos) estavam nos assistindo. E tenho certeza que seus familiares em Israel estão muito felizes", disse Fridman.

No modesto histórico vencedor de Israel em Olimpíadas, Gal Fridman já é o principal personagem. Oito anos antes da conquista em Atenas, o velejador da classe Mistral havia sido o bronze nos Jogos de Atlanta.

Depois, o israelense acabou não conseguindo a classificação para Sydney-2000 e decidiu abandonar o esporte. No entanto, Fridman mudou de idéia meses depois, quando decidiu participar do Campeonato Mundial de 2002, que acabaria conquistando, deixando o brasileiro Bimba com o segundo lugar.



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 09/08/2004 -Algoz de Scheidt persegue glória olímpica em nova categoria

  Quadro da modalidade
  País Total
  1º GBR 2 1 2 5
  2º BRA 2 0 0 2
  3º ESP 1 2 0 3
  4º AUT 1 1 0 2

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