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Imagem da prova de salto com vara nos Jogos Olímpicos de Antuérpia

Ao indicar Berlim como sede dos Jogos Olímpicos de 1916, o Barão de Coubertin, então presidente do COI, esperava contribuir para a paz na Europa e, assim, evitar o conflito.

A iniciativa, porém, não deu resultado. Quando se iniciaram as hostilidades, Coubertin fez pressão sobre os outros membros do comitê para mudar a sede dos Jogos para os Estados Unidos ou para a Escandinávia, regiões ainda não envolvidas no conflito.

O COI recusou a proposta e, em 1915, quando se tornou evidente que a Alemanha não teria condições de abrigar os Jogos, a entidade anunciou o cancelamento das Olimpíadas.

Três anos depois, num cenário mais pacífico, a cidade de Antuérpia, na Bélgica (que havia sido invadida pela Alemanha durante a guerra), conseguiu sua designação para organizar os Jogos de 1920.

Uma das exigências dos belgas para abrigar as Olimpíadas foi a exclusão dos países derrotados na Primeira Guerra, encerrada dois anos antes: Alemanha, Áustria, Bulgária, Hungria e Turquia. Dessa forma, pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos Modernos, disputas políticas impediram a participação de algumas nações.

Com pouco dinheiro para organizar o evento, os belgas construíram instalações precárias. A pista de atletismo, por exemplo, apresentava várias falhas e ficava impraticável em dias de chuva. Além disso, muitos atletas foram hospedados por famílias belgas. A competição só acabou sendo realizada graças à ajuda financeira de uma comissão de armadores navais e de vendedores de diamantes.

NÚMEROS GERAIS
Período:20 de abril a 12 de setembro
Países participantes: 29
Atletas: 2 669 (2 591 homens, 78 mulheres)
Brasil: 15º lugar
Esportes: 23 (atletismo, boxe, ciclismo, hipismo, esgrima, futebol, ginástica, hóquei na grama, hóquei no gelo, levantamento de peso, luta, natação, patinação artística, pentatlo morderno, pólo, pólo aquático, remo, rúbgi, saltos ornamentais, tênis, tiro, tiro com arco e vela)
Medalhas distribuídas: 439
Provas: 154
Abertura dos jogos: Alberto I, rei da Bélgica
Outras cidades candidatas: Amsterdã (Holanda) e Lyon (França). Ambas desistiram antes da votação


NÚMEROS DO BRASIL
Atletas: 29 (todos homens)
Esportes: 5 (natação, pólo aquático, remo, saltos ornamentais e tiro)
Medalhas: 1 de ouro (Guilherme Paraense, no tiro), 1 de prata (Afrânio da Costa, no tiro) e 1 de bronze (equipe brasileira de tiro)
Os organizadores, que buscavam recursos para que a competição fosse até o final, foram obrigados a cobrar preços muito altos pelos ingressos. Por essa razão, o público deixou de assistir maciçamente aos Jogos, exceto nos esportes mais populares, como o futebol e o boxe.

Apesar dos problemas, os Jogos de Antuérpia acabaram trazendo inovações. Pela primeira vez foi feito o juramento olímpico, que já tinha sido utilizado de modo experimental nos Jogos Intermediários de Atenas, em 1906. O texto original era o seguinte: "Em nome de todos os competidores prometo que participaremos nestes Jogos Olímpicos respeitando e cumprindo suas regras, com verdadeiro espírito esportivo, para maior glória do esporte e honra de nossos países".

Em Antuérpia, o texto foi modificado com a intenção de dar um tom menos nacionalista, alterando as últimas palavras. A expressão "de nossos países" foi substituída por "de nossas equipes".

Em 1920, o belga Victor Boin foi o encarregado de pronunciar o juramento durante a cerimônia de abertura, com a mão direita levantada e a esquerda segurando a bandeira olímpica, em nome de todos os participantes.

Pela primeira vez, somente os Comitês Olímpicos Nacionais puderam registrar os atletas participantes. Antes de 1920, algumas associações nacionais não-oficiais enviavam representantes para as Olimpíadas.

Também em Antuérpia, apareceu a bandeira olímpica, com seus cinco anéis entrelaçados no fundo branco da paz, cada um de uma cor diferente, representando os continentes: azul (Europa), amarelo (Ásia), preto (África), verde (Oceania) e vermelho (América).

A criação da bandeira olímpica tinha sido discutida no COI em 1910. O inglês Theodore Cook havia proposto um modelo e uma comissão de cinco membros ficou de estudar o caso. Entretanto, o Barão de Coubertin tinha criado os cinco aros olímpicos e encomendado a bandeira à loja de departamentos Bom Marche, de Paris. A bandeira original media dois metros por três. O direito de içar a bandeira pela primeira vez foi concedido a um membro do COI, o egípcio Ângelo Bolanaki, que a estreou nos Jogos Panegípcios de Alexandria, no dia 5 de abril de 1914.

EFE

Inglês Albert Hill ganhou as provas dos 800 m e 1500 m rasos em 1920

A mesma bandeira usada em Antuérpia-1920 continuou sendo utilizada nos Jogos seguintes, até Los Angeles-1984, quando foi, enfim, aposentada. Em Seul-1988, foi confeccionada uma segunda bandeira olímpica, a mesma que apareceu em Sydney-2000 e será novamente hasteada em Atenas-2004.

No quadro de medalhas de Antuérpia-1920, os Estados Unidos acabaram na liderança, com 40 de ouro em um total de 94, mas foi a Finlândia que surpreendeu, graças a um jovem especialista nas provas de fundo de apenas 23 anos de idade: Paavo Nurmi, vencedor de três medalhas de ouro e uma de prata. O outro grande atleta finlandês de 1920 era Hannes Kolehmainen, que, depois das vitórias nos 5.000 m e nos 10.000 m nos Jogos de 1912, venceu a maratona. Na prova do lançamento do dardo, o triunfo dos finlandeses foi total: seus 4 arremessadores acabaram a prova nas quatro primeiras colocações.

Brasil
Com 29 atletas, o Brasil fez sua estréia em Olimpíadas nos Jogos de 1920, mesmo sem ter ainda um Comitê Nacional. Convidado pelo COI, através de Raul Paranhos do Rio Branco, embaixador brasileiro na Suíça, o Brasil alcançou um desempenho que parecia promissor, com a conquista de três medalhas: uma de ouro, uma de prata e outra de bronze.

A participação brasileira, no entanto, quase foi cancelada. Quando o navio Curvello, cedido pelo governo do Brasil, aportou na Ilha da Madeira, em Portugal, o comandante percebeu que a delegação só chegaria em Antuérpia no dia 5 de agosto.

O Brasil, porém, faria sua estréia em 22 de julho daquele ano. O chefe da delegação da Confederação Brasileira de Desportos, Roberto Trompowski, telegrafou para a CBD pedindo ajuda. Os dirigentes entraram em contato com a embaixada do Brasil em Portugal e conseguiram dinheiro para providenciar a viagem dos atletas de trem. No total, os brasileiros levaram quase um mês para chegar à Bélgica.

Participando em cinco esportes (natação, pólo aquático, remo, saltos ornamentais e tiro), os brasileiros tiveram bom desempenho apenas no tiro. O tenente do Exército Guilherme Paraense tornou-se o primeiro atleta brasileiro - e também sul-americano - a conquistar o ouro olímpico. O paraense venceu a prova de pistola de velocidade ou tiro rápido. As armas utilizadas pela equipe brasileira na disputa foram cedidas pelos norte-americanos, já que os brasileiros tiveram seu armamento e munição furtados durante a viagem.

A medalha de prata foi conquistada por Afrânio da Costa, na competição individual de pistola livre. Nessa mesma categoria, o Brasil conquistou o bronze, só que por equipes, com Guilherme Paraense, Afrânio da Costa, Sebastião Wolf, Dario Barbosa e Fernando Soledade.

No pólo aquático, o time brasileiro sofreu com a temperatura da água da piscina, que ficava em torno de 3 graus em pleno verão. Apesar das dificuldades, os brasileiros chegaram em sexto lugar.


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