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Símbolos olímpicos dividiram espaço com a suástica na abertura em 1936

Preocupados com o nazismo, o COI (Comitê Olímpico Internacional) e os Estados Unidos tentaram desde 1933 tirar de Berlim os Jogos Olímpicos de 1936. Os norte-americanos, inclusive, programaram os Jogos Alternativos em Barcelona. Judeus de vários países pediram o boicote e, nos EUA, uma proposta para organizar um evento em Barcelona, chamado "Olimpíadas da Gente", quase foi aceita em uma votação - caiu por 58 votos a 56.

A votação do COI para a escolha da cidade-sede foi feita pelo correio, em 1936. Berlim foi escolhida com 43 votos, contra 16 de Barcelona e oito abstenções. Em fevereiro do mesmo ano, foram realizados os Jogos Olímpicos de Inverno, em Garmish-Partekirchen, também na Alemanha.
Os nazistas não pouparam esforços para inserir as Olimpíadas na propaganda do regime. Os melhores engenheiros do "Reich" projetaram o estádio Olímpico, que custou US$ 30 milhões. Todas as grandes indústrias alemãs colaboraram, visando fazer dos Jogos um momento histórico para a glória de Adolf Hitler.
NÚMEROS GERAIS
Período: 1º a 16 de agosto
Países participantes: 49
Atletas: 4.066 (3.738 homens e 328 mulheres)
Brasil: não conquistou medalhas
Esportes: 21 (atletismo, basquete, boxe, canoagem, ciclismo, esgrima, futebol, ginástica, handebol, hipismo, hóquei na grama, halterofilismo, luta, natação, pentatlo moderno, pólo, pólo aquático, remo, saltos ornamentais, tiro e vela)
Medalhas distribuídas: 388
Provas: 129
Abertura dos jogos: Adolf Hitler, chanceler da Alemanha
Juramento olímpico: Rudolf Ismayr (Alemanha, halterofilismo)
Pira acesa por: Fritz Schilgen (Alemanha, atletismo)
Outras cidades candidatas: Barcelona (Espanha), descartada por causa da Guerra Civil Espanhola


NÚMEROS BRASIL
Atletas: 95 (88 homens e seis mulheres)
Esportes: nove (Atletismo, Basquete, Boxe, Ciclismo, Esgrima, Pentatlo moderno, Remo, Tiro e Vela)
Medalhas nenhuma


A segurança foi um item muito importante. A Gestapo, polícia política do "Führer", vigiava de perto, além da Vila Olímpica, todas as grandes avenidas da cidade. Um memorando secreto transmitido no dia 18 de julho de 1936 para todas as forças de segurança advertia: "O desenvolver grandioso e sem incidentes dos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim, é da maior importância para a imagem da nova Alemanha aos olhos de nossos convidados estrangeiros".

No dia 1º de agosto, após as 8h, foi proibido o trânsito de veículos nas ruas de Berlim. Os moradores da cidade se amontoaram nas sacadas dos prédios, que tinham sido previamente verificadas. Às 9h, os atletas partiram da Vila Olímpica - construída em Doeberitz - e se dirigiram em ordem militar para o estádio Olímpico. Às 17h45, a tocha olímpica entrou no estádio.

Dos quatro cantos do estádio, mais de 120 mil pessoas presentes fizeram a saudação nazista e gritaram palavras de ordem. Esses fatos se repetiriam durante todos os Jogos, a cada vitória alemã ou na chegada de algum alto dirigente do regime. A Juventude Hitlerista abriu o desfile da cerimônia de abertura marchando sob a música da Marcha de Tannhauser. O hino alemão foi seguido pelo canto nacional-socialista "Horst Wessel Lied", que foi tocado aproximadamente 500 vezes durante os Jogos.

A Olimpíada de Berlim obteve grande êxito popular, com mais de três milhões de espectadores nas arquibancadas. O evento também pôde ser acompanhado por meio de uma novidade: a televisão. Mais de 160 mil espectadores assistiram aos grandes momentos da Olimpíada em salas especiais, espalhadas por toda Berlim por meio de circuito fechado de TV a cabo. Para ter uma lembrança dessa manifestação de propaganda, o regime encomendou a Leni Riefenstahl, a cineasta oficial do Reich, a realização de um documentário oficial, chamado "Deuses do Estádio".

Os Jogos Olímpicos de Berlim-36 foram os últimos antes da Segunda Guerra Mundial. À época, já se ouviam na capital da Alemanha rumores de uma luta que acabaria por devastar a Europa. O conflito eclodiria em 1939, e as duas edições seguintes dos Jogos, programadas para Tóquio-40 e Londres-44, foram canceladas.

Brasil

Um ano antes de Berlim-36, o Brasil ainda não sabia qual a entidade responsável pela organização da equipe que iria á Alemanha. Até 1935, a CBD (Confederação Brasileira de Desportos) era quem organizava as delegações olímpicas do país. A criação do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) no mesmo ano armou a confusão. As entidades brigaram para ver quem levaria os atletas a Berlim. A disputa só foi decidida na véspera do embarque, em favor do COB, depois que a CBD concordou em fundir as equipes.

Após todo esse conflito, o Brasil foi para a Alemanha com 95 atletas (sendo seis mulheres), o maior número até então. Nas competições, os brasileiros mais uma vez ficaram sem medalha. Foi a última vez que o Brasil saiu de uma Olimpíada sem nenhuma conquista.

Das 10 modalidades onde os brasileiros foram inscritos (atletismo, basquete, boxe, ciclismo, esgrima, natação, pentatlo moderno, remo, tiro e vela), os melhores resultados vieram na natação, no atletismo e no tiro.

A nadadora Piedade Coutinho chegou em quinto lugar nos 100m livre. Para azar de Piedade, duas das melhores nadadoras da história participaram da decisão da prova. A holandesa Hendrika Mastenbroeck, que ficou com a medalha de ouro, e a dinamarquesa Ragnhild Hveger, medalha de prata.

No tiro (categoria carabina, atirador deitado), José Salvador Trindade foi quinto colocado.

No atletismo, Sylvio de Magalhães Padilha correu os 400m com barreiras em 54s e ficou com a quinta colocação. O ouro foi para o norte-americano Glenn Hardin, que completou a prova em 52s4.

Campeão brasileiro de basquete, atletismo e integrante da equipe de pólo aquático em Los Angeles-1932, Padilha seguiu no esporte como dirigente. Chegou à presidência do COB na década de 60.

O Brasil também participou da estréia do basquete nos Jogos Olímpicos com sua equipe masculina. Ficou na oitava colocação.

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