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Arquivo Folha

O brasileiro Adhemar Ferreira da Silva, que se tornou bicampeão olímpico do salto triplo em 1956

A cidade australiana de Melbourne foi escolhida para sediar os Jogos de 1956 com apenas um voto de vantagem sobre Buenos Aires, na Argentina. Pela primeira vez a Olimpíada foi disputada no Hemisfério Sul, fora do eixo Europa-América do Norte. A distância fez com que o número de atletas, assim como o de países participantes, diminuísse.

A designação de Melbourne levou à primeira violação da carta olímpica sobre a escolha do local dos Jogos. A lei australiana impôs uma quarentena de seis meses a todo cavalo procedente de outro país. O Comitê Olímpico Internacional decidiu, então, confiar a Estocolmo, na Suécia, a organização das provas de Hipismo. Buenos Aires também foi candidata.

As competições desenvolveram-se em um período pouco propício para grandes façanhas esportivas, entre os dias 22 de novembro e 8 de dezembro, e em um contexto político internacional preocupante. A intervenção franco-britânica no canal de Suez (Egito), o segundo conflito árabe-israelense, a violência na África do Norte, motivada pelas lutas pela independência, e sobretudo a intervenção dos tanques soviéticos em Budapeste criaram dúvidas sobre a disputa dos Jogos.

Mais uma vez, a política interferiu no andamento da competição. Egito, Iraque e Líbano boicotaram os Jogos Olímpicos em protesto pelo conflito árabe-israelense. Holanda, Espanha e Suíça também não foram aos Jogos para protestar contra a invasão soviética à Hungria. A pressão popular na Suíça foi tão grande que o Comitê Olímpico nacional mudou de idéia e decidiu participar, mas àquela altura já era tarde para levar a delegação completa para a Austrália.

O Comitê Olímpico Internacional obrigou ambas as Alemanhas a se apresentarem com uma delegação unificada, o que também aconteceria nos Jogos seguintes. A China popular decidiu não participar um dia antes do início dos Jogos, por causa da presença da representação de Formosa (atual Taiwan). Israel, por sua vez, enviou uma delegação reduzida a três atletas, devido à chamada de sua população para servir o exército.

NÚMEROS GERAIS
Período: 22 de novembro a 8 de dezembro
Países participantes: 67
Atletas: 3.184 (2.813 homens e 371 mulheres)
Brasil: 24º lugar
Esportes: 19
Medalhas distribuídas: 327
Provas: 145
Abertura dos jogos: Duque de Edimburgo
Juramento olímpico: John Landy (Austrália, Atletismo)
Pira aceso por: Ron Clarke (Austrália, Atletismo)
Outras cidades candidatas: Buenos Aires (Argentina), Cidade do México (México) e Chicago, Detroit, Filadélfia, Los Angeles, Minneapolis e San Francisco (todas nos Estados Unidos)


NÚMEROS BRASIL
Atletas: 48 (47 homens e 1 mulher)
Esportes: 12 (Atletismo, Basquete, Boxe, Ciclismo, Hipismo, Halterofilismo, Iatismo, Natação, Saltos ornamentais, Pentatlo moderno, Remo e Tiro)
Medalhas uma de ouro (Adhemar Ferreira da Silva, no salto triplo do Atletismo)
A intervenção soviética na Hungria causou grande revolta. Essa tensão se manifestou no pólo aquático, quando membros das equipes soviética e húngara trocaram socos dentro da piscina. O jogo precisou ser suspenso quando a Hungria vencia por 4 a 0. A polícia interveio para acalmar os ânimos, já que os quase 4 mil espectadores queriam castigar os soviéticos. Os juízes consideraram o jogo ganho pela Hungria. No encerramento dos Jogos, 45 atletas da delegação húngara se recusaram a voltar a seu país e se asilaram no ocidente.

A União Soviética terminou pela primeira vez na frente dos Estados Unidos no quadro de medalhas (98 a 74 no total). A disputa entre as duas potências mundiais foi tão leal que a Olimpíada de Melbourne ficou conhecida como "Os Jogos da Amizade". Os australianos, donos da casa, ficaram em terceiro lugar.

Brasil
A longa distância e o alto custo nas despesas de viagem inviabilizaram uma grande delegação brasileira em Melboure. De 107 atletas na Olimpíada de Helsinque-1952, o número caiu para 48 quatro anos depois.

Apenas uma mulher representou o Brasil na Austrália: Mary Dalva Proença, que terminou na 16ª colocação nos Saltos Ornamentais (plataforma). No geral, os brasileiros participaram de 12 modalidades (Atletismo, Basquete, Boxe, Ciclismo, Hipismo, Levantamento de peso, Natação, Saltos ornamentais, Pentatlo moderno, Remo, Tiro e Vela).

Adhemar Ferreira da Silva foi o grande destaque do Brasil, ao conquistar pela segunda vez consecutiva o ouro no Atletismo, no salto triplo. Único atleta brasileiro a ganhar uma medalha em Melbourne, o paulistano comprovou todo o seu favoritismo. Como campeão olímpico em 1952, Adhemar havia quebrado o recorde mundial da prova em 1955, com a marca de 16,55 metros nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México. Em 1956, o brasileiro superou o islandês Vilhjalmur Einarsson, com a marca de 16,35m, e ficou com a medalha de ouro. De quebra, bateu o novo recorde olímpico.

Dois anos mais tarde, em 1958, Adhemar atuaria no filme Orfeu Negro. O atleta brasileiro foi escultor, professor de educação física, formou-se em direito e licenciou-se em relações públicas. Falava fluentemente cinco idiomas e chegou a trabalhar na embaixada do Brasil na Nigéria. Morreu no dia 12 de janeiro de 2001, aos 73 anos, vítima de diabetes. Adhemar permanece como o único na história do esporte brasileiro a conquistar duas medalhas de ouro.

Ainda no atletismo, José Telles da Conceição chegou em sexto lugar na final dos 200 metros rasos. A melhor colocação entre os atletas que não conquistaram medalhas no esporte.

Outro brasileiro que chegou perto de brigar por uma medalha foi Éder Jofre, no Boxe. O paulista foi derrotado nas quartas-de-final, por pontos, pelo chileno Cláudio Barrientos, na categoria galo.

Nos esportes coletivos, o Brasil conseguiu um bom resultado com a equipe masculina de basquete, que terminou na sexta colocação, a mesma posição de Helsinque-1952. O azar dos brasileiros foi ter caído no mesmo grupo de Estados Unidos e União Soviética, campeão e vice respectivamente em Melbourne-1956.

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