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Efe

Smith e Carlos, ouro e bronze dos 200m, homenageiam Martin Luther King. Protestos marcaram os Jogos

As cidades de Buenos Aires (Argentina), Detroit (Estados Unidos) e Lyon (França) estavam entre as candidatas para sediar os Jogos de 1968. Porém a escolha final foi a Cidade do México, apesar do protesto de médicos e fisiologistas, que faziam sérias ressalvas quanto à prática esportiva na altitude.

Os Jogos, os primeiros realizados em um país da América Latina, foram inaugurados sob forte proteção armada e com um desafio a mais para os atletas: a altitude de 2 240 metros em relação ao nível do mar. A falta de 30% do oxigênio na mistura do ar permitiu a quebra de 68 recordes mundiais e 301 olímpicos, porém resultou em rendimentos desastrosos nas provas de resistência. As nações africanas obtiveram uma excelente atuação, em especial Etiópia e Quênia, países em que os atletas já estavam acostumados à altitude.

Também pela primeira vez as duas Alemanhas competiram separadas, com os nomes de Alemanha Oriental (Alemanha Democrática) e Ocidental (Alemanha Federal). África do Sul e China não foram convidadas a participar.

No mundo, o ano de 1968 é muito politizado. A China vive o início da Revolução Cultural. Na Tchecoslováquia os sonhos de liberdade são esmagados por tanques soviéticos na "Primavera de Praga". Na França, o governo enfrenta manifestos estudantis e, nos Estados Unidos, são assassinados Robert Kennedy e o líder negro Martin Luther King.

O México, por sua vez, vive seus próprios problemas. Pouco antes do início dos Jogos, 300 mil estudantes e professores entram em greve. Dez dias antes da cerimônia de abertura, tropas do governo abrem fogo contra milhares de manifestantes na Praça das Três Culturas, matando centenas de jovens. O COI declara o incidente como um assunto interno do país.

A Olimpíada da Cidade do México foi transmitida por redes de TV norte-americanas para 400 milhões de telespectadores em todo o mundo, em um total de 45 horas, em cores. O COI arrecadou US$ 9,75 milhões com a venda dos direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos. O valor foi o maior desde 1960, ano da primeira comercialização de imagens olímpicas.

Nos Jogos de 1968 foram realizados os primeiros controles antidoping em Olimpíadas. O primeiro caso conhecido foi o do sueco Hans-Gunnar Liljenvall, que acusou uso de álcool. Por causa disso, a equipe da Suécia, que tinha finalizado a prova do pentatlo na terceira colocação, foi desclassificada. A ingestão de bebida alcoólica entre os atletas do pentatlo é uma prática comum para acalmar os nervos antes das competições do tiro. Liljenvall, porém, tinha uma concentração da substância muito superior ao limite aceitável. Ele disse que só havia bebido duas cervejas.
NÚMEROS GERAIS
Período: 12 a 27 de outubro
Países participantes: 112
Atletas: 5530 (4750 homens e 780 mulheres)
Brasil: 35º lugar
Esportes: 20
Medalhas distribuídas: 527
Provas: 172
Abertura dos jogos: Gustavo Díaz Ordaz, presidente do México
Juramento olímpico: Juán Garrido Lugo (México, atletismo)
Pira acesa por: Enriqueta Basílio (México, atletismo)
Outras cidades candidatas: Detroit (Estados Unidos), Lyon (França) e Buenos Aires (Argentina)


NÚMEROS BRASIL
Atletas: 84 (81 homens e 3 mulheres)
Esportes: 13 (atletismo, basquete, boxe, esgrima, futebol, hipismo, levantamento de peso, natação, pólo aquático, remo, tiro, vela e vôlei)
Medalhas uma de prata (Nélson Prudêncio, no salto triplo do atletismo) e duas de bronze (Servílio de Oliveira, na categoria moscas, no boxe, e Reinald Conrad e Bukhard Cordes, na Flying dutchman, na vela).

Outra novidade foi a introdução das provas de comprovação de sexo para as provas femininas, provavelmente pelas suspeitas sobre as características físicas de algumas campeãs dos países do bloco socialista. Nenhuma mulher foi desclassificada, mas muitas importantes atletas não se inscreveram nas competições.

Um dos momentos mais marcantes dos Jogos aconteceu na cerimônia de abertura, quando a mexicana Enriqueta Basílio, especialista nos 400 metros rasos, tornou-se a primeira mulher a acender a pira olímpica.

Nas competições, o México obteve o pior rendimento de um país anfitrião em olimpíadas. Conquistou apenas nove medalhas (três de ouro, três de prata e três de bronze), terminando na 15ª colocação. A segunda pior posição foi a da Inglaterra, em 1948, que ficou em 12º lugar.

Brasil

Com uma delegação de 84 atletas , e apenas três mulheres, o Brasil teve um rendimento superior às olimpíadas anteriores, Roma-1960 e Tóquio-1964. No México, os brasileiros conquistaram uma medalha de prata e duas de bronze, participando num total de 13 modalidades.

No atletismo, o salto triplo novamente rendeu medalha ao Brasil. Depois do ouro de Adhemar Ferreira da Silva em Helsinque-1952 e Melbourne-1956, foi a vez de Nelson Prudêncio conquistar a prata. O brasileiro saltou 17,27 metros e estabeleceu o novo recorde mundial. Na última tentativa, quando o brasileiro já saboreava a vitória, o soviético Viktor Saneyev atrapalhou a festa verde-amarela e alcançou a marca de 17,39 metros, conquistando o ouro. O paulista Servílio de Oliveira conquistou a primeira e única medalha do Brasil no boxe, bronze entre os meio-médios, após ser eliminado nas semifinais pelo mexicano Ricardo Delgado. Na Vela, na classe Flying Dutchmann, Reinald Conrad e Bukhard Cordes, repetiram o feito e ganharam o bronze para o Brasil. O Brasil esteve próximo de outras duas medalhas. No Basquete, a seleção masculina foi derrotada na disputa pela medalha de bronze pela União Soviética, por 70 a 53. Um jogo antes, na semifinal contra os Estados Unidos, o Brasil, como era esperado, perdeu a chance de ir para final.

Na Natação, José Silvio Fiolo terminou a prova dos 100 metros peito a um décimo de segundo dos soviéticos Vladimir Kosinsky e Nikolai Pankin, medalhas de prata e bronze respectivamente. Fiolo completou os 100 metros com o tempo de 1min08s1. No Pólo aquático, João Gonçalves Filho tornou-se o primeiro brasileiro a disputar cinco edições de Jogos Olímpicos.


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