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EFE

O norte-americano Maurice Greene garantiu o título nos 100 m rasos

A escolha de Sydney como sede dos Jogos de 2000 foi uma grande surpresa. A favorita era Pequim, na China, que tinha vencido a primeira votação com mais da metade dos votos. No segundo turno, a vitória foi da cidade australiana por apenas dois votos de diferença.

A Olimpíada australiana pode ser considerada a Olimpíada dos números. Foram batidos os recordes de atletas participantes, países, mulheres, jornalistas, voluntários, esportes, provas, medalhas, direitos de TV e espectadores.

Os Jogos foram inaugurados no dia 15 de setembro, em uma cerimônia multicolorida focada na historia da Austrália, com a participação de 12 mil artistas. O espetáculo foi visto por quatro bilhões de pessoas em todo o mundo. O grande momemento foi o desfile das delegações das duas Coréias, unidas sob uma mesma bandeira, aumentando as esperanças do fim de um conflito que dura várias décadas. Os atletas do Timor Leste, nação recém-desligada da Indonésia, desfilaram sob a bandeira olímpica.

Seguindo a tradição olímpica, o fogo sagrado foi levado desde Olímpia, na Grécia, até a cidade-sede dos Jogos. Dessa vez o percurso foi bastante acidentado. Um dos atletas, um ciclista de 74 anos de idade chamado Ron King, morreu depois de completar seu trecho, perto da cidade de Musswellbrock, a noroeste de Sydney. Não foi o único incidente: um espectador tentou apagar a tocha com um extintor e um outro desconhecido tentou tirá-la das mãos de um atleta, sem êxito.

A encarregada de acender a tocha no estádio foi a atleta australiana Cathy Freeman, posteriormente vencedora na prova dos 400 m rasos. Aliás, durante toda a cerimônia, a organização fez questão de mostrar a cultura local. As mascotes foram três: Oly, pássaro pescador que simboliza a amizade (seu nome é a abreviatura de Olimpíada); Syd, um ornitorrinco que personifica a energia e o vigor dos australianos (seu nome é a abreviatura de Sydney); e, por último, Millie, um equidna que encarna o otimismo dos habitantes de Sydney (seu nome é uma abreviatura de milênio).
NÚMEROS GERAIS
Período: 15 de setembro a 1º de outubro
Países participantes: 199
Atletas: 10.651 (6.582 homens e 4.069 mulheres)
Brasil: 52º lugar
Esportes: 32
Medalhas distribuídas: 927
Provas: 300
Abertura dos jogos: Sir William Deane, governador-geral da Austrália
Juramento olímpico: Rechelle Hawkes (Austrália, Hóquei na grama)
Pira acesa por: Cathy Freeman (Austrália, Atletismo)
Outras cidades candidatas: Pequim (China), Berlim (Alemanha), Istambul (Turquia) e Manchester (Inglaterra)
Direitos de TV: US$ 1 bilhão
Jornalistas: 16.033 (5.298 imprensa escrita, 10.735 de rádio e TV)
Voluntários: 49.967


NÚMEROS BRASIL
Atletas: 205 (111 homens e 94 mulheres)
Esportes: 22 (Atletismo, Basquete, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Futebol, Ginástica Artística, Handebol, Hipismo, Judô, Levantamento de Peso, Nado Sincronizado, Natação, Remo, Saltos ornamentais, Taekwondo, Tênis, Tênis De Mesa, Tiro, Triatlo, Vela, Vôlei e Vôlei de Praia)
Medalhas seis de prata (equipe masculina no revezamento 4x100 m rasos, no Atletismo; Carlos Honorato, na categoria médio, no Judô; Tiago Camilo, na categoria leves, no Judô; Robert Scheidt, na classe Laser, na Vela; Zé Marco e Ricardo e Adriana Behar e Shelda, no Vôlei de praia) e seis de bronze (equipe feminina de Basquete; equipe masculina na prova de saltos por equipes, no Hipismo; equipe masculina, no revezamento 4x100 m livre, na Natação; Torben Grael e Marcelo Ferreira, na classe Star, na Vela; equipe feminina de Vôlei; Adriana Samuel e Sandra Pires, no Vôlei de praia)

A Vila Olímpica foi inaugurada pela ex-atleta australiana Eddie Payne, de 93 anos de idade, que havia corrido os 100 m rasos nos Jogos de Amsterdã, em 1928. A Vila foi preparada para hospedar os 10.200 atletas que competiram nos Jogos. Em respeito ao meio ambiente, toda a Vila utilizou energia solar.

Tanto na cerimônia de abertura como na festa de encerramento, a água e o fogo foram os grandes protagonistas. Os fogos artificiais utilizados foram trazidos da Espanha.

Nos Jogos de Sydney, os organizadores tiveram um cuidado especial com o meio ambiente. Pela primeira vez, grupos ecológicos como o Greenpeace estiveram acompanhando a organização. A baía de Homebush, conhecida como o maior esgoto da Austrália, sofreu uma transformação espetacular, convertendo-se em um parque natural.

País apaixonado pelo esporte, a Austrália tem mais de seis milhões de atletas federados. Para os Jogos, foram construídas instalações magníficas, como o Estádio Austrália e o Centro Aquático Internacional, além de um novo aeroporto internacional, em Sydney. As obras se estenderam por um período de sete anos.

Brasil

Pela primneira vez desde os Jogos de Montreal-1976, o Brasil ficou sem medalha de ouro em uma Olimpíada. Em contrapartida, nos Jogos de Sydney-2000, os atletas brasileiros tiveram a segunda melhor campanha na história no total de medalhas, com 12, perdendo apenas para o recorde de 15 em Atlanta-1996.

Em Sydney, o Brasil conquistou seis medalhas de prata e seis de bronze. O vôlei de praia foi o esporte em que o país mais conquistou medalhas, com uma de prata e duas de bronze. No torneio masculino, a dupla Zé Marco e Ricardo, número um no ranking mundial, terminou com o bronze. Entre as mulheres, Sandra Pires e Adriana Samuel ganharam o bronze e Shelda e Adriana Behar, campeãs mundiais, ficaram com a medalha de prata.

O judô e a vela, esportes em que o Brasil vem conquistando pódio desde 1968, deram ao país quatro medalhas. Foram duas de prata no judô (Carlos Honorato, na categoria médio, e Tiago Camilo, na categoria leve) e uma de prata e outra de bronze na vela (Robert Scheidt, segundo colocado na classe Laser, e Torben Grael e Marcelo Ferreira, terceiro na classe Star).

Com a conquista, Torben Grael tornou-se o brasileiro com o maior número de medalhas, ao lado de Gustavo Borges, da natação. Torben havia conquistado a prata em Los Angeles-1984, o bronze em Seul-1988 e o ouro em Atlanta-1996. Gustavo Borges, que ganhou a medalha de bronze em Sydney-2000 no revezamento 4x100 m livre, foi também prata em Barcelona-1992 e prata e bronze em Atlanta-1996.

A equipe brasileira do revezamento 4x100 m rasos conquistou a medalha de prata. O time foi formado por Vicente Lima, Édson Ribeiro, André Silva e Claudinei Quirino, e terminou a prova apneas atrás dos norte-americanos. No hipismo, a equipe brasileira de salto, formada por Álvaro Miranda Neto, André Johannpeter, Luiz Felipe de Azevedo e Rodrigo Pessoa, ficou com a medalha de bronze.

Nos esportes coletivos, duas seleções femininas deram medalhas de bronze para o Brasil: basquete e vôlei. No futebol, o país manteve o tabu de nunca ter conquistado o ouro olímpico. A seleção perdeu para Camarões nas quartas-de-final, provocando a demissão do técnico Vanderlei Luxemburgo. No feminino, a seleção volta a perder a medalha de bronze, como havia acontecido em Atlanta-1996.

Nos outros esportes, poucos brasileiros conseguiram destaque. No atletismo, Eronildes Araújo chegou na quinta posição na final dos 400 m com barreiras. Claudinei Quirino, terminou em sexto na final dos 200 m rasos. Sanderlei Parrela foi o quarto na final dos 400 m.

No boxe, o Brasil teve seis representantes, mas apenas dois passam da primeira fase. Vlademir Pereira dos Santos e Kelson Carlos Santos foram eliminados logo na fase seguinte. Na canoagem, os brasileiros mais bem-colocados foram Carlos Campos e Sebastian Cauttrim, que foram às semifinais.

Nenhum dos quatro brasileiros chegou acima da 40ª posição na prova de rua do ciclismo. Na ginástica, o país obteve seu melhor desempenho na história: Daniele Hypólito chegou na 20ª colocação no geral. No handebol, a seleção feminina ficou em oitavo lugar.

No levantamento de peso, o Brasil teve uma única representante, Maria Elizabete Jorge, de 43 anos, que não chegou à final. No nado sincronizado, as irmãs Carolina e Isabela Moraes conseguiram uma vaga na final e terminaram na 12ª colocação. Na natação, o Brasil teve 13 atletas. Entre eles, só Rogério Romero conseguiu chegar à final das provas individuais (200 m costas).

Gustavo Kuerten decepcionou no tênis. O brasileiro perdeu para o russo Yevgeny Kafelnikov -que acabou com o ouro- nas quartas-de-final.


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