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26/05/2004 - 11h33
Às vésperas de ser pai, Rodrigo Pessoa diz ao UOL que pensa em parar
Luciana de Oliveira Em São Paulo
Rodrigo Pessoa chegará a Atenas mudado. Em Sydney-2000, ele entrou na competição de saltos como o então dono do título mundial e tricampeão da Copa do Mundo. Um candidato muito forte ao ouro individual, perdido com os três refugos do cavalo Baloubet du Rouet no percurso final. Quatro anos depois, Pessoa, número cinco do ranking mundial, tem na Olimpíada a chance de um grande título, façanha que ele não obtém desde 2000.
 | | | Pessoa consolado pela esposa Keri, em Sydney-2000: "Quero me dedicar à família" | Apesar da nova situação, o cavaleiro vai repetir a montaria de Sydney. De novo Baloubet du Rouet, apesar de ter considerado até sacrificar as chances de medalha para levar cavalos mais novos a Atenas. Aos 31 anos, conta com uma motivação a mais para perseguir o ouro: a medalha pode ser um presente para a primeira filha, que nasce em junho.
Em entrevista ao UOL Esporte, Pessoa diz que o casamento e a paternidade lhe trazem estabilidade, e o fazem pensar em parar. "Quero me dedicar mais à família", planeja, lembrando que o pai, Nelson, não pôde participar tanto de sua infância por conta do envolvimento com o esporte.
UOL Esporte: O casamento teve alguma influência na sua vida como atleta? Rodrigo Pessoa: Trouxe estabilidade na minha vida como um todo. Só lamento que o trabalho me leve muito para fora de casa. Neste ano devo participar de 35 concursos, viajo de quinta a domingo. Minha esposa (Keri, amazona norte-americana naturalizada brasileira) me acompanha apenas numa parte das competições, quando compete.
UOL Esporte: Como você está se preparando para ser pai? Pessoa: É uma coisa muito especial que estou aguardando tranqüilamente. Sei que será uma grande responsabilidade. Mas só vou saber que recado eu quero dar para a minha filha no dia em que eu puder vê-la... Gostaria de participar desse cotidiano, de trocar fraldas e preparar mamadeiras, vou procurar ser o mais presente possível, mas sem interferir no meu trabalho.
UOL Esporte: Seu pai, o treinador e ex-atleta Neco Pessoa, foi muito presente na sua infância? Pessoa: Ele não participou tanto porque tinha a vida profissional muito intensa, tinha menos gente para ajudá-lo e podia delegar muito menos do que eu posso hoje. Por isso sacrificou um pouco este lado, mas eu tive uma mãe extremamente presente, que não me deixou sentir falta de nada.
UOL Esporte: Ainda existe prazer, diversão quando você está sobre o cavalo? Suas declarações mostram que você tem muito respeito e consideração pelas montarias, você tem um sentimento de amizade com os cavalos, conversa com eles? Pessoa: Sinto prazer em desenvolver um cavalo novo e o levar para um evento. Acima de tudo, competir é a melhor parte. Se eu não sentisse isso, não continuaria. Eu não converso com os cavalos, nem tenho um sentimento especial por um específico. Mas para o cavalo lhe dar na competição o que você pede é preciso lhe dar o que ele pede fora das pistas, ou seja, uma boa manutenção, estrutura, etc.
UOL Esporte: O seu empresário declarou no fim de 2003: "o Rodrigo pensa até em sacrificar uma medalha olímpica para ter um cavalo preparado para Mundial de 2006." Isto era verdade? Por que mudou de idéia e decidiu que levará o Baloubet a Atenas? Pessoa: Era verdade, depois de 2000 eu fiquei decepcionado com a atuação do Baloubet nos campeonatos e pensei em levar um cavalo mais novo para a prova. Mas eu mudei de idéia porque ele começou a ir bem depois de setembro do ano passado. Então resolvi lhe dar mais uma chance. Será o último campeonato olímpico dele porque já está com 15 anos.
 | | | "Vou tentar o ouro", diz o cavaleiro, que montará Baloubet du Rouet em Atenas | UOL Esporte: O que houve com o Baloubet que levou você a abandonar a final da Copa do Mundo deste ano, no mês de abril, em Milão? Pessoa: Ele teve umas erupções na região da coluna e estava muito desconfortável. Como não renderia 100% eu não quis prosseguir com ele. Agora ele já se recuperou, voltou a trabalhar (no último fim de semana, Baloubet voltou às competições em Hamburgo e ficou em quarto lugar).
UOL Esporte: Como foi a pressão pelo ouro em Sydney, pesou muito ser a última chance de ouro do Brasil? Como se sente hoje, às vésperas de outra Olimpíada? Pessoa: Não me senti pressionado. Claro que as pessoas queriam que o Brasil ganhasse e por coincidência eu fui o último a entrar na pista. Mas foi uma torcida, algo positivo, não uma pressão. Eu não me sinto diferente hoje do que me sentia às vésperas das Olimpíadas de Sydney, mas o que aconteceu teve uma serventia, acredito que para obter uma grande conquista você tenha que passar por boas derrotas. Isso faz parte do nosso esporte.
UOL Esporte: Aquele foi o seu pior momento até hoje? Pessoa: As derrotas fazem parte, mas perder daquela maneira, ainda mais em uma Olimpíada...
UOL Esporte: Você disse que em Atenas o Brasil não tem cavalos para ganhar o ouro por equipes em e que vai disputar o bronze. Pessoa: É verdade.
UOL Esporte: E no individual, você vai brigar pelo ouro? Pessoa: Vou tentar. Sei que tenho condições de conseguir.
UOL Esporte: Você já tem uma idéia condições da pista em Atenas? Pessoa: Vai estar muito quente, e isso será um desafio para os nossos cavalos. Se chover, vai complicar um pouco (a prova acontece ao ar livre). A pista é muito boa, já foi testada. O montador é o mesmo que constrói as pistas de vários concursos aqui na Europa: na Alemanha, na Holanda... Ele é bastante reconhecido.
UOL Esporte: Com ou sem medalha olímpica, você já faz planos de se aposentar nos próximos anos? Pessoa- Depois das Olimpíadas de 2008, vou sentar e determinar a data de parar. Estou há 15 anos no circuito, é uma vida muito intensa. Quero me dedicar mais à família. Devo continuar o envolvimento com os cavalos, com o esporte, mas com certeza não terei isso como o meu dia-dia.
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