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27/05/2004 - 13h31
Golfe, tênis e ciclismo já viveram polêmica sobre transexualismo

Luciana de Oliveira
Em São Paulo

São poucos os casos de esportistas que mudaram de sexo na idade adulta divulgados ao público. Apesar da preocupação do Comitê Olímpico Internacional em se posicionar, nenhum desses casos contempla atletas olímpicos.

AFP 
Mianne Bagger foi primeira transexual a participar de torneio profissional de golfe
Na atualidade, a golfista dinamarquesa Mianne Bagger, radicada na Austrália, conseguiu a permissão para competir no circuito profissional. O golfe deixou o programa olímpico há décadas.

O outro exemplo é da ciclista canandense Michelle Dumaresq (nascida como Michael), mas ela compete na modalidade downhill (descida de montanhas), fora do mountain bike de Atenas-2004.

Ela participou do Mundial de 2003, na Áustria. Terminou na 17ª posição, com um fratura na mão. Antes disso, em 2001, quando passou pela cirurgia, chegou a ter a licença caçada pela Associação Canadense de Ciclismo. Um ano depois, já com a identidade dizendo que era do sexo feminino, Michelle voltou a competir. Mesmo assim, a convocação para o Mundial rendeu protestos de outras atletas, que pediram à ACC a criação de uma categoria especial para transexuais. O nome de Michelle consta no ranking mundial feminino da modalidade, atualmente em 22º lugar.

Pioneiros
Mas o primeiro e mais clássico caso é do médico Richard Raskins, que em 1976, aos 41 anos, passou por cirurgia e adotou o nome de Reneé Richards. Logo depois, conseguiu na Suprema Corte dos EUA o direito de jogar tênis profissionalmente como mulher.

Reprodução 
A tenista Renée Richards publicou o livro "Segundo Serviço", sobre sua carreira
A atleta havia conquistado alguns títulos como amadora, mas seu melhor resultado na carreira foi chegar às quartas-de-final do Aberto dos EUA, em 1978. Mais tarde, Reneé parou de jogar e tornou-se treinadora da tcheca naturalizada norte-americana Martina Navratilova. Depois da vitória da tenista em Wimbledon, em 1982, deixou o esporte para trabalhar como oftalmologista.

O exemplo seguinte foi o da golfista norte-americana Charlotte Wood, que em 1987 competiu em dois famosos torneios amadores - ficou em terceiro em um deles.

Após descoberto o caso, as associações de golfe dos EUA criaram a regra que só permite a participação de "mulheres por nascimento" nos torneios femininos.

Golfe profissional abriu exceção
O caso mais recente, repercutido em todo o mundo, foi o da australiana de origem dinamarquesa Mianne Bagger, primeira atleta transexual a disputar um torneio profissional de golfe.

Na competição realizada em março deste ano, na Austrália, a dinamarquesa não passou da primeira rodada. A participação de Mianne foi um convite eventual. A maioria das associações profissionais de golfe rejeita a participação de transexuais, tanto que ela está de mudança para a Suécia, um dos poucos países que têm uma postura diferente.

Reprodução 
A ciclista canadense Michelle Dumaresq, nascida Michael, corre provas de downhill
O COI é o primeiro organismo esportivo internacional a aceitar atletas que mudaram de sexo após a puberdade. Antes, a Federação Internacional de Atletismo (IAAF), apontada pelo COI como inspiradora das novas regras, convencionou em 1990 aceitar que os atletas que passaram por este tipo de cirurgia antes da adolescência devem ser automaticamente encarados como sendo do sexo adotado.

Transexual é contra
Apesar de transexual, Reneé Richards se mostrou crítica a decisão do COI e afirmou que deveriam ser feitas análises caso a caso e não de forma genérica. "Eles estão procurando problemas. Deveriam contemplar um verdadeiro transexual, não alguém que é louco e quer ficar rico", declarou a norte-americana. "Acho que eles estão julgando mal, apesar de que eu teria adorado ter este tipo de decisão no meu caso."

Reneé também acredita que as vantagens físicas de um homem transformado em mulher são mantidas mesmo após o tratamento hormonal. "Em alguns esportes, a superioridade física do homem sobre a mulher é muito significativa. As mulheres podem ficar preocupadas se tiverem que competir com um bom e jovem jogador que tenha passado pela cirurgia."


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