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11/06/2004 - 11h25
Balzaquianas e novatas tentam 3º pódio e esquecer geração perdida

Lello Lopes
Em São Paulo

Balzaquianas, novatas e uma geração perdida. Quando a seleção feminina de vôlei entrar em quadra no dia 14 de agosto para a disputa da partida de estréia na Olimpíada, contra as japonesas, estarão em quadra duas faixas etárias e uma grande ausência: atletas entre 24 e 28 anos.

Folha Imagem 
A levantadora Fernanda Venturini posa com a filha Júlia em seu carro blindado
O grupo das experientes, algumas delas mães (Fernanda Venturini e Virna), foi consagrado sob o comando de Bernardinho, adicionando ao currículo três títulos do Grand Prix e duas medalhas olímpicas de bronze.

Já a facção novata surgiu em meio à crise da seleção em 2002, com o boicote e a posterior queda do ex-técnico nacional Marco Aurélio Motta. São adolescentes ainda em busca glória e troféus, e têm em Mari, uma descendente de alemães de 1,88 m e 20 anos, a sua maior esperança.

É com esse time dividido em duas gerações que o técnico José Roberto Guimarães vai tentar repetir o feito dos Jogos Olímpicos de Barcelona-92, quando conseguiu a medalha de ouro com a seleção masculina. Na ocasião, o treinador contava com uma seleção basicamente formada por novatos.

A nova geração feminina do vôlei brasileiro nasceu sob uma crise. Em 2002, Érika, Walewska, Raquel, Fofão, Elisângela e Virna pediram dispensa da seleção por discordarem dos métodos de trabalho de Motta. Sem opções, o treinador teve que chamar às pressas atletas inexperientes, como Ciça, Sassá, Sheilla e Paula Pequeno.

As novatas, que tinham conseguido bons resultados com a seleção juvenil, entraram na fogueira. No primeiro torneio, até que foram bem, conquistando o quarto lugar no Grand Prix. Mas a partir de então o nível da seleção caiu. No final do ano a seleção não passou de um modestíssimo sétimo lugar no Campeonato Mundial.

Divulgação 
Virna, ao lado do filho Vitor, busca em Atenas a sua terceira medalha olímpica
A pressão sobre Motta tornou-se insustentável, e o treinador acabou caindo, cedendo lugar para José Roberto Guimarães, logo depois dos Jogos Pan-Americanos de 2003. A chegada do novo técnico permitiu a volta das antigas jogadoras e, de certa forma, interrompeu o processo de renovação abrupta na seleção.

"Esse processo foi muito desgastante, muito complicado para todo mundo. E esses problemas acabam prejudicando toda uma geração. É claro que atrapalhou a preparação para a Olimpíada porque algumas jogadoras ficaram de fora, outras saíram no meio do caminho e outras voltaram. O importante é tirar lições disso para o futuro", analisa José Roberto.

Se não bastasse a crise da seleção na época de Motta, assunto que as jogadoras envolvidas não gostam de abordar, um outro problema também atrapalhou, e muito, o processo de renovação. Falhas nas categorias inferiores fizeram com que uma geração se perdesse. Assim, a equipe nacional apresenta uma clara divisão de gerações: de um lado atletas na casa de 30 anos, como Fernanda Venturini, Bia, Virna e Valeskinha. No outro, as novatas, na casa dos 20 anos, como Mari, Fabiana e Sassá.

Reuters 
Érica, Arlene e Walewska comemoram ponto com a veterana Virna na seleção
"Entre 24 e 28 anos existe o espaço de uma geração que se perdeu. Esse é um problema grave", diz Zé Roberto. Para o treinador, o trabalho realizado na base do vôlei brasileiro é muito ruim. "Ainda se produz muito pouco, tem pouca gente trabalhando com categorias de base para revelar jogadoras. A revelação no masculino é muito maior. E se não houver um trabalho na base não teremos como repor."

A situação mais grave é na posição de levantadora. Fernanda Venturini, com 33 anos, e Fofão, com 34, devem disputar em Atenas a última Olimpíada de suas carreiras. E até agora o país não conseguiu encontrar uma substituta à altura das duas jogadoras. Já para os lugares de Virna, Leila e Bia o Brasil conta com bons nomes, como Paula Pequeno (que não vai à Olimpíada por ter se machucado), Mari e Sassá.

E a falta de experiência internacional dessas meninas pode até ser um trunfo do Brasil na Olimpíada. Afinal, as seleções adversárias ainda não conhecem o pontencial dessas atletas, principalmente da atacante Mari -a própria China, favorita olímpica, é um time novato. "Se eu ficar no time acho que posso ser a arma secreta do Brasil na Olimpíada", diz a jogadora, na expectativa de ser relacionada para os Jogos -das 14 atletas convocadas, duas não irão para Atenas.

"A Mari está brigando por uma posição dentro da seleção brasileira. Ela é uma jogadora que teve uma evolução muito grande neste ano. É uma atleta bastante versátil, que pode jogar praticamente em todas as posições. Agora ela tem que investir no crescimento dela", diz o técnico.









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