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16/06/2004 - 10h40
Seleção feminina alimenta sonho dourado após bronze e prata
Vicente Toledo Jr. Em São Paulo
Figurinha repetida não completa álbum. Prata em Atlanta-1996 e bronze em Sydney-2000, as meninas da seleção brasileira sonham com o lugar mais alto do pódio em Atenas para completar a coleção de medalhas.
"A intenção é essa. Temos sempre que lutar pelo maior, enfrentar desafios e ultrapassar barreiras", afirma, em tom motivacional, a ala Janeth, principal estrela e maestra da equipe. Da seleção atual, apenas ela e as pivôs Cíntia Tuiú e Alessandra participaram de ambas as vitoriosas campanhas olímpicas.
 | | | Janeth esteve nas campanhas de prata, em Atlanta, e bronze, em Sydney | Apesar de reconhecerem o favoritismo de norte-americanas e russas, as brasileiras não se privaram de sonhar com a medalha de ouro. Até porque cinco delas (Alessandra, Cíntia, Helen, Janeth e Leila) fizeram parte do time campeão mundial em 1994, na Austrália, principal conquista da história do basquete feminino do país.
"Boa parte da seleção que vai a Atenas fez parte daquele Mundial. Todas já sabem como é jogar uma competição desse nível, nada vai ser novidade. Espero que a gente possa repetir o desempenho, não só nas Olimpíadas, mas também nos outros campeonatos que o Brasil tiver pela frente", comenta Janeth.
Estrela do título mundial e da prata em Atlanta-1996, a ex-jogadora Paula concorda que a experiência é uma vantagem da seleção comandada pelo técnico Antônio Carlos Barbosa. "O grupo é bastante experiente e já passou por várias das situações que vai enfrentar em Atenas", afirma.
Um dos desafios da equipe será suportar a cobrança por mais um bom resultado, ampliada pela ausência da seleção masculina, que não participa desde Barcelona-1992.
"A partir do momento que você ganha títulos, passa a ser cobrado já no próximo campeonato. A cobrança vai ser de nós mesmas para manter ou melhorar o que conseguimos no último campeonato", diz Janeth.
Para a jogadora, o fato de os homens não se classificarem não aumenta a pressão sobre as meninas. "A responsabilidade seria a mesma se estivéssemos com as duas equipes. São coisas diferentes, são dois mundos diferentes. Elas estarão sozinhas em Atenas, mas apoiadas por 150 milhões de torcedores", concorda o presidente da CBB, Gerasime Bosikis.
Com a autoridade de quem foi uma das maiores armadoras de todos os tempos, Paula não arrisca um palpite, mas considera "enormes" as chances de medalha. "Temos totais chances de subirmos de novo no pódio", diz a ex-jogadora, que alerta para a dificuldade da competição.
"Tem a questão psicológica, às vezes você perde um jogo, mas não pode se abalar. Tem a parte física, às vezes o time perde alguma jogadora por contusão. Qualidade e capacidade o Brasil tem, mas são muitos os fatores que envolvem uma medalha", explica.
Apesar de querer a medalha que falta para sua coleção, Janeth não se incomoda se voltar de Atenas com uma figurinha repetida.
"Independentemente da cor, que venha uma medalha. O importante é que a gente esteja preparada para jogar contra todas as seleções. Mas dá para sonhar com uma medalha sim, e até com o lugar mais alto do pódio", arrisca.
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