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09/07/2004 - 10h38
"Daiane só perde o ouro para ela mesma", diz especialista da CBG
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Curitiba
Para Eliane Martins, árbitra da Federação Internacional de Ginástica e coordenadora geral da CBG (Confederação Brasileira de Ginástica), Daiane dos Santos está um degrau acima de todas as suas concorrentes. E é taxativa: "Daiane só perde o ouro para ela mesma".
 | | | Nem cirurgia no joelho tira favoritismo de Daiane dos Santos na prova do solo | "Todas as ginastas de ponta fazem basicamente as mesmas coisas no solo. É tudo muito igual. Ela é diferente. Está em outro nível", diz Eliane. "Se ela repetir a série que fez na etapa de Stuttgart da Copa do Mundo de ginástica, ninguém lhe toma o ouro".
"A Daiane tem uma cabeça muito boa e está lidando bem com todo assédio, toda cobrança que está recebendo. Mas uma coisa é ganhar a medalha de ouro no Mundial, quando ninguém esperava e ela mesma não se pressionava. Outra é chegar a uma Olimpíada sabendo que a chance de ganhar medalha é muito grande", diz Eliane. "Isso mexe com a cabeça de qualquer um".
A minicirurgia que Daiane sofreu no joelho há três semanas não será obstáculo. É o que apostam tanto Eliane quanto Vicélia Florenzano, presidente da CBG. "A cirurgia fez com que ela perdesse um pouco de tempo, mas ela estava no auge, super-afiada. Outra coisa: ela operou em uma sexta. Na segunda-feira, já estava de volta aos treinos, fazendo uma série de exercícios. Então, a perda não é muito grande. Não será um problema", diz Vicélia.
E a cirurgia não pode ter afetado a cabeça de Daiane -já povoada por pressões pelo favoritismo, assédio de público e imprensa e treinos intensos que limitam o lazer? "Ela tirou de letra tudo isso. Já passou, é página virada", ameniza a dirigente.
Joelho ainda dói Apesar do otimismo da cúpula da CBG, o joelho de Daiane ainda não está 100%. Na quinta-feira, a principal ginasta do país treinou de manhã e à tarde. Mas foi um treino mais leve do que o normal, e realizado em uma cama elástica e com colchões que suavizam a aterrisagem -e diminuem o impacto sobre o joelho machucado.
"Ontem (quarta-feira) voltei aos treinos normais, mas senti um pouco e hoje o Oleg (Ostapenko, ucraniano que é o técnico da seleção brasileira de ginástica) aliviou um pouco para mim", disse Daiane, que treinou com uma joelheira.
"Ainda sinto dores, ainda incomoda um pouco. Mas melhorou bastante do que estava antes. Estou tranqüila", declarou a ginasta, que dos quatro aparelhos da ginástica pôde treinar normalmente apenas nas barras paralelas, que exigem mais esforço dos braços.
Além de realizar saltos na cama elástica, Daiane, assim como as outras cinco ginastas da seleção, aperfeiçoou sua coreografia no solo com Nadija Ostapenko -mulher de Oleg. Sem realizar os saltos, Daiane apenas poliu e sincronizou os movimentos que realiza com a versão da música "Brasileirinho" que vai embalar sua apresentação em Atenas.
Daiane também fez uma série de exercícios de fisioterapia e de fortalecimento do joelho. À tarde, realizou uma série de fotos para uma revista brasileira. E, à noite, ao fim do treino, ficou "de castigo" por aproximadamente uma hora: teve de realizar o exame antidoping a que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) está submetendo os atletas para evitar surpresas desagradáveis na Olimpíada.
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