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03/08/2004 - 18h10
Seleção "finge" que é vice para treinar mais forte
Luciana de Oliveira Em São Paulo
Carregando na bagagem os principais títulos dos últimos anos no vôlei mundial, a seleção masculina se despediu do Brasil nesta terça-feira. De São Paulo, o time embarcou para Bordeaux, na França, onde fará os últimos treinos antes das Olimpíadas. Para afastar os riscos que o favoritismo oferece, a tática do técnico Bernardinho é fazer a equipe "fingir que é vice".
 | | | Impacto da derrota no Pan de 2003 é lembrado como lição pela equipe | "Estamos fazendo como se fôssemos vice-campeões ou então os últimos colocados. O Bernardinho falou para pensarmos assim quando treinarmos", revela o líbero Escadinha, que desde 2001 coleciona com a seleção três títulos da Liga Mundial (2001, 2003 e 2004), o do Mundial (2002) e o da Copa do Mundo (2003).
"A gente tem que trabalhar muito. Não adianta pensar que é só vestir a camisa e já venceremos", completa, lembrando a amarga derrota do Brasil para a Venezuela nas semifinais do Pan de Santo Domingo-2003, quando a equipe tinha acabado de ser campeã da Liga. "Foi uma grande lição", diz.
O time que vai a Atenas é basicamente o mesmo que perdeu no Pan para o adversário que era seu 'sparring' no único título que escapou desta seleção em 2003. Por isso, às vésperas dos Jogos-e semanas depois de conquistar novamente a Liga-, a seleção faz coro no discurso de que o ouro olímpico não é "óbvio".
"Ouro não é fácil" "Todo mundo pensa que o ouro é fácil. Mas a verdade é que existem outras seleções que estão jogando o mesmo vôlei que a gente", comenta o ponta Dante, um dos que esteve também em Sydney-2000, quando a seleção amargou outra derrota inesperada, nas quartas-de-final, para a Argentina.
Aquele momento foi o pior da longa carreira do levantador Maurício. "Foi um desastre. Íamos muito bem, fomos os campeões da nossa chave, e a Argentina era apenas a quarta colocada do outro grupo", lembra. "Serviu para todo mundo ver que não somos imbatíveis. Tem que jogar, tem que jogar...", ensina o jogador, ouro em Barcelona-1992 e que disputará sua quinta Olimpíada.
Em busca da perfeição, uma obsessão do técnico Bernardinho, a seleção ficará uma semana em Bordeaux. Fará dois amistosos, nos dias 6 e 8 de agosto, contra a França, também classificada para as Olimpíadas. No dia 10, o time chega a Atenas, e a estréia no torneio será no dia 15, contra a Austrália.
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