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05/08/2004 - 10h33
"Mãezona" da GRD anuncia aposentadoria sem saber do futuro
Luciana de Oliveira Em São Paulo
As atletas que fazem parte da seleção brasileira de ginástica rítmica (GRD) deverão ficar órfãs depois das Olimpíadas de Atenas. É que a veterana do grupo, Dayane Camillo, planeja se aposentar depois de 14 anos na equipe.
 | | | Aos 26 anos, Dayane já é uma exceção no mundo adolescente da ginástica rítmica | Aos 26 anos, dez a mais que algumas de suas companheiras, Dayane admite que é "um pouco mãezona" das outras ginastas. Para exercer este papel, a atleta, que já pensou em ser atriz, às vezes tem de engolir o choro e saber exatamente o que falar para as colegas na hora da competição.
"Das meninas que estão agora comigo, algumas me viam como uma pessoa superior, outras achavam que eu era muito brava -tenho uma cara meio fechada mesmo", conta. "Mas, convivendo comigo, elas viram que não é nada disso. Sou dez anos mais velha que elas, então ouvem muito o que eu falo, confiam muito em mim."
Esquecendo a dor Esconder os sentimentos virou rotina para Dayane nas provas. "Tenho de saber muito bem o que falar, nunca posso demonstrar ansiedade, nervosismo para elas. Se não falar nada também acham estranho...", comenta.
Uma das ocasiões em que teve de disfarçar foi para ganhar o ouro no Pan de Winnipeg-1999. Daquela vez, não foi para não assustar as colegas, mas para vencer sua própria limitação. "Eu estava com o joelho machucado, e a lesão se agravou durante a competição. Na final, tive de me superar mesmo, engolir a dor e o choro", lembra. "Quando iniciamos a coreografia, meu joelho começou a travar. Mas fui em frente porque nem estava lembrando da contusão. Só fui lembrar quando eu terminei a série. Sou assim mesmo, quando entro em quadra, quero que se dane: entro de corpo e alma."
| Carreira curta | | Na GRD, a exemplo da ginástica artística, as exigências físicas - flexibilidade, leveza e explosão - fazem a carreira das atletas ser curta. Dayane, aos 26 anos, já 'envelheceu' para a modalidade, mas se mantém no time pela técnica e forma física ainda exemplares. Sem ela, a média de idade da seleção brasileira cai de 18,17 para 16,6 anos | Com a seleção, Dayane conquistou outro ouro no Pan, em Santo Domingo-2003, e obteve o oitavo lugar em Sydney-2000 e no Mundial de 2002. "Mas eu sou mais uma na equipe, estou lá para ajudar", diz, modesta. "Essas meninas mais novas, apesar de menos experientes, são bem equilibradas, querem muito estar lá. Tecnicamente é a melhor seleção que a GRD já teve."
Do esporte para a TV Dayane vive do esporte. Começou na GRD aos 6 anos, no colégio. É formada em Educação Física e pós-graduada em GRD. Mas não sabe o que vai fazer depois de Atenas. "Eu até começo a chorar quando penso nisso", diz. "Talvez eu continue com a ginástica, auxiliando a Bárbara (Laffranchi, técnica da seleção). Ou então eu vá para a TV. Antes queria ser atriz, mas agora penso em fazer alguma coisa ligada ao esporte na televisão", planeja.
 | | | Choro de alegria pelo ouro no Pan-03: Dayane fará falta na hora da emoção | A verdade é que Dayane já tinha feito planos para se aposentar e não cumpriu. "Eu falei que ia parar depois de Sydney, mas desta vez não vou mudar de idéia. Não existe mais ginasta da minha idade, meu corpo não agüenta mais", diz.
Curiosamente, a Grécia marcará o início e o fim da carreira desta paranaense na GRD. Foi lá que, há 13 anos, Dayane fez sua primeira competição com a seleção adulta, no Mundial. "Se pudesse, seria ginasta a vida inteira e passaria por todas as dificuldades por que sempre passamos. Mas tenho de seguir outros rumos", finaliza.
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