| |
08/08/2004 - 12h30
Diferentes por fora, Zé Roberto e Bernardinho têm muito em comum
Lello Lopes Em São Paulo
 | | | Bernardinho dá instruções aos homens | Um se desespera ao lado da quadra. Sofre em cada ponto, arrancando os poucos cabelos. Zoom em seu rosto: gritos com os seus comandados no tempo técnico. O outro fica o jogo inteiro de pé, braços cruzados. Orienta as atletas com calma, mas também dá bronca quando o time não corresponde.
Apesar das reações diferentes, os técnicos das seleções masculina e feminina de vôlei do Brasil têm muito em comum.
Atletas que já passaram pelas mãos de Bernardinho e José Roberto Guimarães garantem que eles se equivalem. E destacam a exigência nos treinos, o perfeccionismo e a sensibilidade como ponto forte de ambos.
Depois de se consagrarem, eles trocaram de posição. O primeiro ajudou a levar a seleção feminina à elite do vôlei mundial, conquistando duas medalhas olímpicas de bronze (em Atlanta-96 e Sydney-00). O segundo fez mais: comandou o time masculino na inédita conquista do ouro nos Jogos de Barcelona-92. Agora, em Atenas, Bernardinho irá dirigir a equipe masculina, enquanto Zé Roberto comandará o time feminino.
"Tive a sorte de poder trabalhar com esses dois grandes técnicos. O Bernardo tenho verdadeira gratidão por tudo que ele fez para mim como jogadora, como pessoa. Foi o meu momento de crescimento no voleibol. Tenho um carinho muito especial por ele. E o Zé Roberto é uma pessoa fantástica, muito inteligente, superatencioso, preocupado com a gente", diz a ponteira Virna.
 | | | Guimarães orienta equipe feminina | A jogadora não é a única que trabalhou com os dois treinadores no período olímpico. Arlene, Érika, Fernanda Venturini, Fofão, Walewska, Maurício e Giovane também passaram pela experiência.
"Eu diria que o Zé Roberto é mais emoção, o Bernardo é mais razão. Mas não tem muita diferença, os dois trabalham muito, os dois participam muito do treinamento. Não tem muito o que falar deles, são dois profissionais que já venceram aí tudo o que podiam vencer, acho que só isso já é o suficiente para falar sobre eles", disse Giovane.
Com Zé Roberto, Giovane conquistou o ouro em Barcelona-1992. Depois de um período longe da seleção, ele foi chamado por Bernardinho, ajudando o time a conquistar três títulos da Liga e um Mundial. Situação parecida viveu Virna. Com a entrada do técnico Marco Aurélio Motta na seleção após a Olimpíada de Sydney, ela deixou a equipe, sendo repatriada por José Roberto Guimarães.
 | | | Na hora do jogo, um fica transtornado.. | "Zé Roberto também foi o responsável pela volta de Fernanda Venturini à seleção. A levantadora, casada com Bernardinho, havia saído da equipe após a Olimpíada de Atlanta. Convencida pelo novo treinador, reassumiu o posto de capitã do time.
A sensibilidade no trato com as mulheres, inclusive, é apontada como o principal fator de sucesso de Bernardinho e José Roberto na seleção feminina.
Os dois têm a mesma filosofia, que é a filosofia de entender a mulher. Quanto mais você entende a mulher, melhor pra trabalhar com ela. Mulher é complicado, é fofoqueira, é fuxiquenta, mas é sensivel. Ela mostra a você o que está sentindo, e você pode trabalhar melhor. Acho que os dois nesse ponto são muito iguais, de sempre entender o que cada uma está sentindo", analisa a ponta Érika.
Apesar do elogio, José Roberto não gosta muito da comparação com Bernardinho. "O trabalho dele é o trabalho dele, o meu é o meu. Não tem como comparar", afirma o treinador da seleção feminina. Já o técnico da equipe masculina fala sobre o desempenho de ambos.
 | | | E o outro mantém a calma na partida | "As pessoas comentam que eu sou mais nervoso, mais explosivo, e que ele é mais contido, mais frio. Não que seja totalmente frio, mas é mais do que eu, com certeza. Mas acho que certamente ele conhece um caminho que eu não conheço, que é do ouro olímpico", diz Bernardinho.
Apesar da aparência fria, José Roberto é movido por muitas superstições e promessas em caso de vitória. Já Bernardinho é adepto de livro tipo "lição de vida" ou do tipo "self-made-man" para estimular a superação a seus comandados.
* colaboraram Daniel Tozzi e Luciana de Oliveira
|