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09/08/2004 - 15h48
Doze anos depois do ouro, Zé Roberto prevê 'sofrimento'

Luciana de Oliveira
Em São Paulo

Nesta segunda-feira, quando se completam 12 anos da conquista do ouro com a seleção brasileira masculina de vôlei em Barcelona-1992, o técnico José Roberto Guimarães embarca para sua terceira Olimpíada. Pela primeira vez, comandará a equipe feminina nos Jogos.

FIVB 
Zé Roberto tenta conquista histórica com veteranas, como Virna, e seis novatas
Mas a experiência e a serenidade de sempre não o deixam totalmente em paz. Na bagagem para Atenas, Zé Roberto leva três medos: dos cruzamentos nas fases eliminatórias, do "oba-oba" olímpico e das expectativas no país em torno de suas seleções de vôlei.

"Não tem como comparar o que foram os Jogos de Barcelona com os de Atlanta ou de Atenas. Cada Olimpíada é uma", diz o treinador. "É onde times fracos se tornam fortes e equipes fortes podem colocar tudo a perder num único jogo, dependendo dos cruzamentos", alerta.

Trauma
Foi cruzando contra a então Iugoslávia, nas quartas-de-final de Atlanta-1996, que Zé Roberto viu o sonho do bicampeonato olímpico no masculino terminar. O quinto lugar parece ter marcado o treinador tanto quanto o ouro de quatro anos antes. "Eu fiquei um ano com vergonha de sair de casa", admite.

Com as duas seleções -masculina e feminina- carregando o peso de favoritas em Atenas, Zé Roberto prevê dificuldades. "Vamos sofrer muito. Me preocupa essa expectativa criada em torno do vôlei", desabafa. "Tudo pode acontecer e, diante disso, eu queria que as pessoas entendessem que o time está dando o máximo."

Folha Imagem 
Zé Roberto é festejado pelos jogadores na conquista do ouro em Barcelona-1992
"O Grand Prix (vencido pelo Brasil) serviu para se ver que qualquer uma das seleções finalistas -Brasil, Itália, EUA, Cuba e China-, além da Rússia, podem ganhar medalha", diz o treinador. O fato de não ter se classificado para a fase decisiva deu certa vantagem às russas, segundo Zé Roberto: "Elas tiveram tempo de treinar mais para os Jogos". Já as chinesas não corresponderam às expectativas dele. "Eu achei que elas estavam meio cansadas. Deviam estar treinando exaustivamente nos últimos meses", observou.

Contra o relógio
O Brasil, segundo Zé Roberto, foi a seleção que teve a preparação mais curta para as Olimpíadas. "A Superliga (encerrada em abril) foi muito longa, estamos correndo contra o tempo", lembra o treinador, que aponta o contra-ataque e a defesa como pontos ainda falhos em seu time. "Não tivemos velocidade suficiente para converter os contra-ataques em ponto. É disso que vamos precisar na estréia neste sábado, contra o Japão", advertiu.

Outra 'lição' exaustivamente passada ao grupo é ter cuidado com o clima festivo das Olimpíadas. A voz do técnico se soma à das veteranas que formam metade desta seleção, para aconselhar as outras seis estreantes nos Jogos.

Se voltar com o título, Zé Roberto terá obtido um feito inédito: será o primeiro técnico na história do vôlei a conquistar o ouro olímpico tanto no feminino quanto no masculino.

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