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11/08/2004 - 10h54
Brasil de Bernardinho teme "oba-oba" da Vila Olímpica em Atenas
Julio Gomes Filho* Especial para o UOL Esporte Em Temple Sur Lot (França)
Nem Itália, nem Rússia, nem Sérvia e Montenegro. A maior preocupação da seleção masculina de vôlei do Brasil nos Jogos de Atenas é o "oba-oba" da Vila Olímpica. Tanto o técnico Bernardo Rezende quanto os jogadores acreditam que o sucesso do país na competição só acontecerá se a seleção conseguir manter o "foco" no torneio.
 | | | Integrante da equipe que fracassou em Sydney-2000, Giba treina em Atenas | "Acho que o grande obstáculo pode ser a Vila Olímpica. Fica todo mundo ali, naquele oba-oba, e a gente não pode perder o foco do campeonato e o grande objetivo, que é a medalha de ouro da Olimpíada", disse o levantador Maurício, com a experiência de quem vai participar dos Jogos Olímpicos pela quinta vez.
O ponta Giba, remanescente do grupo que fracassou nos Jogos de Sydney, há quatro anos, também teme a Vila Olímpica de Atenas.
"A gente sabe que tem que estar bem fechado porque todo mundo está indo com esse objetivo (de ganhar o ouro). Muitos esportes acabam antes e o vôlei é um dos únicos que começam no início da Olimpíada e acabam só no último dia, então a gente tem que estar mais concentrado ainda. Mas a gente sabe desses perigos que têm lá na Vila e estamos conversando a respeito", contou Giba.
Esses "perigos" são desconhecidos por quase metade da delegação. Dos 12 atletas inscritos, cinco fazem a estréia nos Jogos. "Olimpíada é diferente de tudo", diz Maurício. "A gente tenta pegar conselhos com os que já foram para seguir com o grupo fechado e concentrado, não dispersar por causa do ambiente festivo", completa o também levantador Ricardinho, um dos estreantes.
Não é só a Vila Olímpica que preocupa a seleção brasileira. Atual campeão do Campeonato Mundial, da Liga Mundial e da Copa do Mundo, o Brasil é naturalmente o grande favorito à medalha de ouro. Mas, na fase final de preparação, o time tenta afastar esse favoritismo, uma vez que na cabeça dos jogadores ainda está viva a lembrança da derrota para a Venezuela nas semifinais dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, no ano passado.
"Agora é cabeça, é atitude, chegar ali sabendo que somos apenas uma equipe. Uma boa equipe, mas tem que acabar com esse mito, esse oba-oba que a seleção é a grande favorita, que é a medalha mais certa (da Olimpíada). Sabemos que não é nada disso. Éramos favoritos no Pan e acabamos derrotados, não somos agora, embora tenha o rótulo. E se não nos cuidarmos acabaremos derrotados de uma forma muito mais cruel do que fomos no Pan porque temos adversários muito mais fortes", afirmou Bernardinho.
A seleção estréia na Olimpíada neste sábado, contra a Austrália. Na primeira fase, a seleção ainda vai enfrentar Itália, Holanda, Rússia e Estados Unidos.
* Colaborou Lello Lopes
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