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12/08/2004 - 10h33
Psicólogo do Brasil acha que ninguém vai "amarelar"
Lello Lopes Em São Paulo
Substituição na equipe brasileira. Sai Roberto Shinyashiki, entra Dietmar Samulski. Mais do que uma mudança de nomes, a troca de psicólogos na delegação olímpica do Brasil indica uma alteração de postura. Em vez das palestras motivacionais usadas em Sydney-2000, o país ouvirá um discurso centrado no controle do estresse e da dor em Atenas-2004.
 | | | Baloubet, fora da alçada dos psicólogos, foi o "amarelo" mais célebre de Sydney | Na Austrália, a "motivação" de Shinyashiki -autor de diversos "best sellers", entre eles "O Segredo é Ser Feliz"- não deu resultado. O país deixou a Olimpíada sem conquistar uma única medalha de ouro, apesar do favoritismo latente em algumas modalidades, como vôlei, vôlei de praia e vela. Agora, quatro anos depois, o novo psicólogo garante que nenhum atleta vai "amarelar".
"Eu não estava em Sydney, não sei qual foi a situação. Mas não conheço nenhum atleta que vai amarelar (em Atenas). Tenho o pensamento mais positivo", diz Samulski. "Vejo que hoje os atletas estão mais bem preparados (psicologicamente) do que em Sydney. Vamos surpreender positivamente."
A "amarelada" mais clássica de Sydney, porém, estava fora da alçada dos psicólogos da delegação. Baloubet de Rouet, cavalo de Rodrigo Pessoa, refugou três vezes na final de saltos, acabando com a última chance de ouro do Brasil na Austrália.
Natural de Gummersbach, na Alemanha, Samulski fala com sotaque carregado, apesar de morar no Brasil desde 1987. Formado em Educação Física pela Escola Superior de Esporte, em Colônia, e em Psicologia pela Universidade de Bonn, ambas na Alemanha, ele preside a Sociedade Brasileira de Psicologia do Esporte (Sobrape) e trabalha na área há quase 25 anos.
Samulski, que é doutor em psicologia do esporte, se prepara para a segunda Olimpíada -em Sydney, assessorou os atletas nos Jogos Paraolímpicos, que terminaram com 22 medalhas para o país, sendo seis de ouro.
O psicólogo chegou a Atenas no começo da semana, mas, até agora, foi pouco procurado. "Graças a Deus não tem tanto trabalho. Acho que depois vamos ter mais movimento", afirma.
O objetivo principal, até o momento, é diminuir a ansiedade dos atletas antes do início da Olimpíada. Esse é um dos pontos que podem evitar uma futura "amarelada". "Se o atleta entra numa final ou numa competição importante, sempre existe um certo nível de ansiedade. Por isso, tem de aprender algumas técnicas para lidar com essa pressão psicológica. São técnicas de respiração, concentração e psicologia cognitiva", ensina Samulski.
 | | | Livro de Shinyashiki; "motivação" foi trocada por psicologia esportiva | Dos 246 atletas da delegação brasileira, a maior pressão está sobre a ginasta Daiane dos Santos. Além de ter de lidar com o favoritismo de uma inédita medalha de ouro nos exercícios de solo, a atleta precisa superar uma cirurgia no joelho há apenas dois meses.
"Aqui, ela treina normalmente. É uma boa atleta, já fez uma cirurgia no joelho anteriormente e já mostrou capacidade de recuperação", diz Samulski.
O psicólogo também é especialista em controle da dor, o que pode ser útil no caso de Daiane. "A dor também tem uma parte psicológica. Através de técnicas de respiração e de relaxamento, você pode diminuir a dor. É claro que esse é um processo demorado, mas aqui (em Atenas) usamos em casos de emergência", explica.
E é assim, mexendo com a cabeça dos atletas, que o Brasil espera que o único "amarelo" em Atenas seja o das medalhas de ouro.
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