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12/08/2004 - 15h19
Daiane encanta árbitros e público durante prévia em Atenas

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL Esporte
Em Atenas (Grécia)

Daiane dos Santos mostrou nesta quinta-feira que as dores no joelho não a impedem de continuar sendo favorita à medalha de ouro no solo em Atenas. No chamado "treino de pódio", que não vale para a competição, mas serve para que os árbitros saibam o que as ginastas pretendem mostrar no dia da prova, a brasileira foi a mais aplaudida pelos cerca de 300 espectadores no ginásio em que serão disputadas as provas de ginástica da Olimpíada.

Reuters 
Daiane não teve problemas para executar coreografia durante "treino de pódio"
Entre as brasileiras, Daiane foi a última a se apresentar no solo. E, no primeiro saltou que realizou, ainda no aquecimento, já foi aplaudida. Depois de assistir à performance das outras ginastas da seleção, executou sua coreografia sem nenhum deslize grave e aparentemente encantou os árbitros: dois deles se entreolharam, sorriram e trocaram confidências quando Daiane completou com sucesso o segundo salto da exibição, um duplo-twist esticado.

Com o semblante tenso antes de sua apresentação, ao deixar o tablado aplaudida Daiane soltou um enorme sorriso e fez um sinal de positivo na direção da arquibancada, onde estavam Mosiah Rodrigues, único ginasta brasileiro em Atenas, e seu técnico, Leonardo Finco. Daiane empolgou mais o público do que uma de suas principais rivais, a espanhola Elena Gómez.

Mosiah também aprovou a exibição de Daiane. "Ela fez tudo direitinho, deu pra ver que ela ficou muito feliz. É isso aí mesmo", afirmou o ginasta, que quando não está na seleção permanente defende o mesmo clube que Daiane, o Grêmio Náutico União, de Porto Alegre.

O exigente técnico da seleção, Oleg Ostapenko, mostrou a Daiane sua aprovação com um movimento de cabeça. Entretanto, não deixou de chamar a atenção da ginasta para um pequeno deslize na parte coreográfica da apresentação. Um minuto depois, Daiane voltou ao tablado e repetiu apenas a parte citada pelo técnico.

Antes de competir no solo, Daiane esperou as companheiras de seleção se apresentarem na trave -a brasileira não fará este aparelho em Atenas. Enquanto isso, recebeu massagens com anti-inflamatório aplicadas pelo médico Mauro Namba. Depois, até o fim da apresentação, Daiane vez ou outra colocava a mão sobre o joelho, operado em julho, mas não demonstrou enfrentar problemas para cumprir suas rotinas.

As demais ginastas da equipe brasileira -Daniele Hypólito, Camila Comin, Laís Souza e Ana Paula Rodrigues e Caroline Molinari- também participaram do "treino de pódio". Laís, Caroline e Daniele irritaram Oleg Ostapenko com quedas e desequilíbrios, principalmente na trave. A cada erro claro, o ucraniano virava de costas, fazia uma careta e praguejava em voz baixa. Afinal, em Atenas, sua reputação de um dos melhores técnicos do mundo está em jogo.

O Brasil dividiu a sessão com as equipes da França, Espanha e um combinado de ginastas de outros países. Entre elas, a uzbeque Oxana Chusovitina, maior favorita ao ouro no salto sobre o cavalo.

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