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13/08/2004 - 11h12
Portugal é chamado de "trapalhão" por jornal de Lisboa
Da Redação Em São Paulo
"Portugal trapalhão", "incrível", "derrota esclarecedora", "selecção atropelada". Essas são algumas das palavras usadas por jornais portugueses nesta sexta-feira para descrever a derrota por 4 a 2 para o Iraque no dia anterior, na estréia nos Jogos Olímpicos.
As reportagens criticam o sistema defensivo montado pelo técnico José Romão e mostram ceticismo em relação às chances de classificação de Portugal para a próxima fase, mesmo estando em um grupo fraco, que conta ainda com Marrocos e Costa Rica.
Do lado positivo, os jornais lembram que Portugal também perdeu na estréia da Eurocopa -para a Grécia-, neste ano, e mesmo assim chegou à final do torneio -quando perdeu de novo para os gregos.
 | | | Título de esportes (à esq. da foto) diz "Portugal 'trapalhão' dá passo em falso e perde com o Iraque" | O Diário de Notícias, de Lisboa, foi o mais duro com a seleção. "Portugal 'trapalhão' dá passo em falso e perde com o Iraque", diz o título na capa do jornal.
Nas páginas internas, com o título "Selecção sem retaguarda cai às mãos do Iraque", o texto já traz em seu primeiro parágrafo um diagnóstico pessimista sobre o futuro do time em Atenas: "Mau de mais. A estréia da selecção nacional nos Jogos Olímpicos reproduziu a pior das imagens do futebol português. Indisciplina, falta de concentração e de maturidade (que também atingiu os três veteranos), desorganização e um esquema defensivo simplesmente desastroso. A manter este comportamento (pois, pior será difícil), não restarão muitos dias para que a equipa de sub-23 se despeça de Atenas, satisfazendo assim alguns clubes que cederam com desagrado atletas à selecção. No próximo domingo, os pupilos de José Romão voltam a entrar em campo, frente a Marrocos, num jogo que obrigatoriamente terão de vencer".
Para a autora do texto, Sílvia Freches, "perante uma equipa constituída por atletas amadores, quase todos a jogar no destruído Iraque, Portugal sofreu uma derrota (4-2), que poderia ter sido bem mais humilhante. Oportunidades para tal não faltaram aos iraquianos, que saíram do campo num verdadeiro clima de festa, bem merecida".
O texto relata declaração do técnico do Iraque, Adnan Hamd, dada após a partida. "Portugal é muito mais forte do que nós. São todos profissionais e os nossos não; jogam em grandes clubes, os nossos quase todos no Iraque. Temos um grupo unido, que é capaz de lutar, mas só será possível ganhar se tivermos num dia bom e nos correr tudo como queremos."
O tablóide A Bola, especializado em esportes, deu destaque pequeno em sua capa para o assunto, com o título "Incrível - Portugal goleado (2-4) pelo Iraque".
O texto "Estréia amarga frente ao Iraque" relata: "Até parece sina! Foi assim na estréia do Europeu (derrota frente à Grécia), o mesmo voltou a acontecer agora, nos Jogos Olímpicos (derrota ante o Iraque, por 2-4). Espera-se que José Romão e seus pupilos retirem as devidas ilações e consigam rectificar o que esteve mal (quase tudo...)".
De acordo com o tablóide, "é certo que os iraquianos constituíam uma incógnita (eram quase desconhecidos em termos de futebol), mas cabia à equipa técnica portuguesa estudar bem o adversário. A verdade é que a formação das quinas foi surpreendida pela velocidade do contra-ataque iraquiano e não teve arte e engenho para constrir jogo ofensivo a meio campo, restando-lhe as iniciativas individuais de Cristiano Ronaldo e Hugo Almeida, quase sempre infrutíferas".
O Jornal de Notícias diz que a "apatia portuguesa, de jogadores e técnico", foi "justamente punida com uma derrota esclarecedora" e que a "seleccção nacional saiu vergada à determinação e garra iraquianas".
O jornalista abre o texto de forma irônica: "Viva o espírito olímpico! É o mínimo, e se calhar o mais simpático, que pode dizer-se da estréia de Portugal no torneio de futebol dos Jogos de Atenas 2004. Uma competição para jogadores com menos de 23 anos, na essência, destinada ao futebol amador ontem evidenciado pela equipa lusa, batida, 4-2, por um Iraque de garra, de fé e com vontade de honrar as camisolas. Portugal entrou em campo apático, aparentemente confiante numa vitória fácil e acabou por sofrer uma derrota que deixa o apuramento mais difícil".
O texto diz que Mohammed Emad "foi o profeta da vitória do Iraque, o maná do futebol ofensivo. O jogador do Al Ittihad, equipa do Qatar, marcou o primeiro golo iraquiano e lançou a equipa para uma vitória justa e esclarecedora sobre Portugal. Rápido, com boa técnica, quase sempre encostado ao flanco direito, deu água pela barba a Jorge Ribeiro. Além de marcar, ainda fez as jogadas e os cruzamentos para o segundo e terceiro golos iraquianos. A continuar assim, não ficará muito tempo a jogar na modesta liga de futebol do Qatar".
Para O Público, a "selecção Portuguesa foi atropelada". "Uma derrota é sempre má, mas quando acontece na abertura de um grande torneio, então pode tornar-se dramática. Ontem, em Patras, a selecção portuguesa de futebol começou a sua participação olímpica com uma derrota por 4-2 frente a um adversário cheio de vontade, mas sem grande dimensão futebolística. Só que os iraquianos correram mais, mandaram sempre no ritmo do jogo e vulgarizaram as vedetas europeias", diz o texto.
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