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13/08/2004 - 10h15
Técnico da seleção masculina analisa chaves do judô para o UOL
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Atenas
Por meio de um progama de computador, foram sorteadas na quinta-feira as chaves olímpicas do judô. Os brasileiros estavam presentes. "Na hora, não pudemos mostrar nossas reações porque os adversários também estavam lá. Ficamos bem quietinhos", conta o técnico da seleção masculina, Luiz Shinohara.
Agora, os judocas e a comissão técnica se ocupam em definir as estratégias e estudar pela última vez os prováveis adversários. "Trouxemos algumas fitas de vídeo. Vamos dar uma última estudada e, claro, ser nosso assunto principal nos próximos dias", diz o técnico.
A pedido do UOL Esporte, Shinohara analisou o emparelhamento dos brasileiros. "Para alguns, o sorteio foi bom, para outros ruins. O ideal seria pegar uma luta fraca antes para poder assistir ao combate do rival e ter mais subsídios para definir a melhor estratégia. Mas acho que, no geral, todos reagiram bem ao sorteio".
Alexandre Lee - ligeiro "O Lee caiu em uma chave boa. O armênio (Armen Nazaryan) é forte, mas ele tem, a meu ver, grandes chances de passar. Passando da primeira rodada, ele chega na semifinal".
Henrique Guimarães - meio-leve "O Henrique não deu sorte, não, pelo contrário. Na primeira rodada vai pegar um coreano duríssimo (Gui Man Bang). A Coréia do Sul cresceu demais no judô, estão com uma equipe muito forte. O Henrique vai ter de se superar".
Leandro Guilheiro - leve "O Leandro estréia contra um espanhol (Kiyoshi Uematsu), que é o atual campeão mundial. Claro que é um rival forte. O Leandrinho tem um estilo parecido com o dele. O cara faz uchi-mata, o Leandrinho também. Então vai ser uma luta na qual quem estiver mais focado e acertar o golpe na hora certa vai vencer. Se ele vencer, fica bem. Pega na seqüência um haitiano e, provavelmente, um polonês, que não são nada demais".
Flávio Canto - meio-médio "O Flávio pegou uma chave boa. Com gente muito boa (risos). Acho que ele passa pelo colombiano (Mario Antonio Valles) com tranquilidade. Depois, deve pegar o (georgiano Aleksei) Budolin na segunda luta. Ele mais perdeu do que ganhou dele, mas tenho certeza que dessa vez ele vai ganhar. O Flávio está bem, e o estilo em que ele está lutando se encaixa bem com o do Budolin. Depois, deve vir o japonês. Aí já começa a ficar complicado".
Carlos Honorato - médio "O Honorato pegou uma chave muito boa no quadro de cima. Acho que ele tem lutas tranquilas no começo. O problema é que o lado dele da chave é muito mais fraco que o outro. Se ele perder, vai enfrentar na repescagem judocas da outra chave. Além disso, se ele perder de um judoca mais fraco, a chance de esse cara perder na luta seguinte, deixando ele de fora da respescagem, é grande".
Mário Sabino - meio-pesado "O Sabino deu azar. Só pegou pedreira. O israelense (Ariel Zeevi) é o atual campeão europeu e vem crescendo demais. Se vencer, pega o Nicolas Gill (canadense, atual vice-campeão olímpico e que já tem rivalidade com Sabino: perdeu a final do Pan-Americano para o brasileiro, mas tirou as chances de ouro de Sabino ao derrotá-lo meses depois). Era difícil ser pior do que isso".
Daniel Hernandes - pesado "Nunca dá para falar que ninguém é fácil, mas o Daniel deve ganhar do nigeriano (Chukwuemeba Onyemachi). Depois, vem o (russo Tamerlan) Tmenov. Ele é muito forte, é o judoca mais bem ranqueado da Europa. Ele nunca venceu o Tmenov e, no Mundial do ano passado, perdeu na disputa do bronze por um erro dele mesmo. Andei trabalhando bastante esse erro, o posicionamento da perna em relação à perna do outro. Ele melhorou bastante. Vamos ver na prática como vai ser. Se ele passar do Tmenov, deve ter outra pedreira: o Pertelson (Indrek Pertelson, da Estônia), que vem crescendo muito rápido".
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