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13/08/2004 - 19h30
Prodígios testam velocidade da evolução; medalhões se despedem

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Atenas (Grécia)

As Olimpíadas de Atenas devem marcar uma transferência de cetro na natação brasileira. Os veteranos Gustavo Borges, Fernando Scherer e Rogério Romero, principais nomes da última década, provavelmente farão sua despedida dos Jogos. E, desde já, há dois jovens com toda pinta de novos reis: os prodígios Thiago Pereira e Joanna Maranhão.

Thiago Pereira
Competição Data 200 m 400 m
Troféu Brasil mai/03 2min04s83 4min24s74
Mundial jul/03 2min02s67 4min25s32
Pan-Americano ago/03 2min02s31** 4min19s89
Sul-Americano mar/04 2min00s19** 4min21s27
Troféu Brasil mai/04 1min59s92** 4min17s62**
Torneio/Atenas jun/04 1min59s48** 4min18s13
**recorde sul-americano
Em comum, Thiago, 18, e Joanna, 17, têm a juventude, enorme potencial, prova de especialidade (nado medley) e o fato de, nos últimos dois anos, virem melhorando assombrosamente os tempos nas provas em que são especialistas (veja quadro ao lado).

Thiago Pereira já é uma realidade. Atual recordista sul-americano dos 200 m medley e dos 400 m medley -em que neste ano derrubou um recorde de Ricardo Prado que durava 20 anos-, o nadador de 18 anos é dono da terceira melhor marca do ano nos 200 m medley. Há dois meses, o brasileiro obteve a marca de 1min59s48 justamente na piscina em que será disputada a Olimpíada, em Atenas.

O tempo, que é o atual recorde sul-americano, daria a ele a medalha de prata no Mundial de Barcelona, disputado em agosto de 2003. É também quase sete segundos inferior à melhor marca que Pereira ostentava 13 meses antes, quando se inscreveu para o Troféu Brasil. De lá para cá, o carioca de Volta Redonda nadou cada vez mais rápido em quase todas as competições que disputou.

Na Olimpíada, Thiago deve lutar pela prata nos 200 m medley: é praticamente certa a medalha de ouro para o fenômeno Michael Phelps, recordista mundial com 1min56s04 e que, neste ano, nadou a prova em 1min56s71 nas seletivas dos EUA. Como grandes rivais do brasileiro aparecem o norte-americano Ryan Lochte, 20, que tem a marca de 1min59s41 neste ano, e o italiano Massimiliano Rosolino, atual campeão olímpico, que ganhou o bronze no Mundial 2003 com 1min59s71.

"Tenho conversado muito com os nadadores brasileiros mais velhos e eles estão me ajudando bastante", diz Pereira, que estréia em Olimpíadas em Atenas e diz ter, como objetivo, melhorar seus tempos e ir à final das duas provas. "Tenho certeza de que vou conseguir um bom tempo se eu me concentrar bem, e estou me preparando para isso".

Já nos 400 m medley, a tarefa de Pereira parece mais complicada. Os 4min17s62 que o levaram a derrubar o recorde de Ricardo Prado são apenas a 15ª melhor marca de 2004. O brasileiro teria de apresentar uma evolução improvável para chegar à final.

Joanna
Joanna Maranhão, por sua vez, melhorou em sete segundos sua melhor marca no mesmo período de 13 meses. A proeza foi obtida mesmo com a nadadora dispersando o foco competindo em provas dos nados costa e livre e revezamentos. Tida como grande nome da nova geração da natação feminina, Joanna parece ainda não ter "explodido" tanto quanto Thiago Pereira.

Joanna Maranhão
Competição Data 200 m 400 m
Troféu Brasil mai/03 2min20s27 4min49s85*
Mundial jul/03 2min18s56 4min49s04*
Pan-Americano ago/03 2min17s75 4min46s38*
Sul-Americano mar/04 2min17s23 4min46s01*
Troféu Brasil mai/04 2min17s20 4min48s32
Cannet jun/04 2min17s14 4min42s55*
*recorde brasileiro
Mesmo assim, comparando os tempos de cada nadadora, teoricamente a maranhense tem chances de chegar à final. Sua marca de 4min42s55 nos 400 m medley em Cannet (França), em junho, a coloca como a décima melhor de 2004. E, como em junho melhorou em quatro segundos seu melhor tempo, Joanna, ainda mais do que Thiago, parece ainda não ter chegado em seu limite.

"Essa menina é uma jóia. Aposto demais nela", afirma Coaracy Nunes, presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos. "Ela ainda vai crescer muito".

Os medalhões
Gustavo Borges, que carregará a bandeira do Brasil na cerimônia de encerramento, dispensa apresentações: é, ao lado de Torben Grael, o maior medalhista olímpico de nossa história. Entretanto, em Atenas, quando colocará um ponto final em sua gloriosa carreira, Borges será coadjuvante.

Autocrítico e competitivo ao extremo, Borges desistiu de nadar os 100 m livre individual. Fará parte da equipe do revezamento 4x100 m livre que, em suas próprias palavras, terá de "melhorar muito" para chegar à final, que ele coloca como seu grande objetivo.

"Quero nadar mais uma final olímpica. Se conseguir, será uma realização. Mas estou preparado psicologicamente para encerrar minha carreira mesmo com um revés", diz Borges, que se dedicará integralmente à vida de empresário que vem tocando paralelamente à natação nos últimos anos.

Já Fernando Scherer, 29, que no Pan-Americano do ano passado derrotou o multimedalhista olímpico Gary Hall Jr, dos EUA, terá de se superar para chegar à medalha. O melhor tempo de sua vida -que é até hoje recorde sul-americano-, obtido em 1998 (22s18) o colocaria apenas como o quinto melhor do ano.

"Tenho um tempo como objetivo. Se eu conseguir alcançá-lo, acho que tenho chances de medalha. Se eu fizer essa marca e outros três caras a superarem, parabéns para eles, volto para casa tranqüilo", diz Xuxa, que ainda não fala em uma data para sua aposentadoria, mas terá quase 34 anos em Pequim-2008. "Ainda não sei o que vou querer fazer quando parar de nadar".

Se seguir o caminho de Rogério Romero, Xuxa talvez chegue à próxima Olimpíada. Longevidade é a marca do paranaense, que vai a sua quinta Olimpíada. Neste ano, o nadador venceu pela 15ª vez seguida os 200 m costas no Troféu Brasil. Ouro no Pan-Americano de Santo Domingo, Romero foi o sétimo colocado nos 200 m costas em Sydney-2000. Apesar de se recusar a dizer que esta é sua última Olimpíada, o nadador terá quase 39 anos nos próximos Jogos.

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