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13/08/2004 - 17h26
Brasil busca transformar status de país do vôlei em medalhas
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Atenas (Grécia)
Nenhuma nação chega nem perto do Brasil quando se trata de sucesso no vôlei nos últimos quatro anos. Na quadra ou na praia, no masculino e no feminino, os resultados recentes tornam obrigatória a presença dos brasileiros em qualquer lista de favoritos ao ouro nos quatro eventos olímpicos da modalidade.
 | | | Brasil é favorito ao ouro na quadra... |
No vôlei de quadra, os maiores trunfos estão no banco: os técnicos Bernardinho (que levou a seleção feminina ao pódio nas duas últimas Olimpíadas), do masculino, e Zé Roberto (ouro em Barcelona-1992 com o masculino e agora no comando do feminino) mudaram a cara das seleções.
Bernardinho conseguiu nos últimos três anos apagar os fracassos dos nove anos anteriores. Depois de ser campeã olímpica em Barcelona-1992 com jogadores extremamente jovens, a geração de ouro "se perdeu" e não voltou mais ao pódio olímpico. No feminino, desde que Zé Roberto assumiu o time, no segundo semestre do ano passado, conciliando promessas com jogadoras tarimbadas, o Brasil só colheu bons resultados: além do título no Grand Prix-2004, chegou ao vice-campeonato da Copa do Mundo no ano passado.
No masculino, são quatro as maiores forças: Brasil, Rússia, Itália e Sérvia e Montenegro. Atual campeã mundial e bicampeã da Liga Mundial, a seleção comandada por Bernardinho perdeu uma invencibilidade de 34 partidas em um amistoso contra França, que o técnico usou para dar ritmo de jogo a atletas que vinham de contusão, como Nalbert e Rodrigão. A penúltima derrota, para a Venezuela, no Pan-Americano de Santo Domingo, foi uma das maiores "zebras" dos últimos tempos.
"Temos que encarar cada partida como uma final. Jogar 100% o tempo todo e não se deixar impressionar. Somos o foco dessas equipes todas, enquanto a nossa atenção fica dispersa entre elas", diz Bernardinho. "O time tem os pés no chão. E ninguém no mundo treinou mais que a seleção brasileira, disso eu tenho certeza", afirma o levantador Ricardinho.
Grande favorito, o Brasil, por outro lado, caiu no grupo mais difícil na primeira fase: está ao lado de Rússia e Itália. Se pode ter dificuldades na etapa inicial, provavelmente enfrentará adversários mais fracos nas fases eliminatórias, em que uma derrota põe fim a qualquer chance de ouro.
No feminino, a competição parece um pouco mais aberta. A China, que despontava como maior favorita, em julho teve participação muito abaixo do esperado no Grand Prix, vencido pela seleção brasileira.
Outras forças a serem consideradas são Itália -vice-campeã do Grand Prix-, Estados Unidos -derrotadas pelo Brasil na semifinal da competição em um jogo decidido em um dramático tie-break no quinto set- e Cuba, atual tricampeã olímpica, que tem uma seleção renovada e inexperiente que está em ascensão. Com sorte nas chaves, O Brasil pega apenas a Itália na primeira fase.
 | | | ... e também na areia em Atenas | Se na quadra o Brasil é uma grande força, na praia a supremacia é ainda maior. As quatro duplas brasileiras são candidatas a medalha. E, ao iniciarem a Olimpíada, terão uma vantagem sobre os rivais: uma quadra montada em Atenas exclusivamente para os brasileiros permitiu que os treinos fossem longos e realizados em horários adequados. Já os rivais tiveram apenas meia hora de treino por dia no local de competição e, pior, com a liberação de apenas um ajudante. Ou seja, não tiveram como simular jogos.
No feminino, as brasileiras não são as maiores favoritas -as americanas Walsh e May são, hoje, as adversárias a serem batidas. Entretanto, a seu favor, as duplas nacionais têm a tradição olímpica: desde o início das disputas da modalidade na Olimpíada todas as duplas nacionais medalharam. Em Atlanta-1996, Sandra e Jacqueline foram campeãs com uma vitória na final sobre Adriana e Mônica. Em Sydney-2000, Adriana Behar e Shelda ficaram com a prata, e Sandra, desta vez jogando com Adriana, foi bronze.
No ano passado, Sandra, atuando ao lado de Ana Paula (medalhista em Atlanta-96 com a seleção de quadra), chegou ao título do Circuito Mundial. Apesar de terem enfrentado um semestre repleto de contusões, as brasileiras, agora em forma, serão adversárias difíceis de serem batidas. Já Adriana Behar e Shelda, que vêm sendo extremamente regulares, lideram o Circuito Mundial deste ano, mas já apresentam sinais de decadência. Mesmo assim, devem ser respeitadas.
No masculino, Ricardo e Emanuel, atuais bicampeões mundiais, são favoritos destacados. Neste ano, venceram seis das 11 etapas de que participaram -e subiram ao pódio nove vezes. A força e altura de Ricardo, aliada à velocidade, versatilidade e visão de jogo de Emanuel formam uma combinação poderosa.
"Todo mundo estuda bastante a gente, então preparamos algumas surpresas", diz Emanuel. "Como temos um estatístico conosco, vemos todos os teipes e enfrentamos muitas dessas duplas neste ano, conhecemos bastante nossos adversários. Temos várias estratégias para jogar com cada um. Se uma não der certo, temos planos B e C engatilhados", conta Ricardo.
A outra dupla, formada por Márcio e Benjamin, vem do vice-campeonato mundial em 2003. Neste ano, optaram por participar de um número menor de etapas do Circuito Mundial para se prepararem para Atenas no calor de Fortaleza. "Aqui na Grécia tem feito 37 graus. Jogando nesse calor, quando o cérebro ferver, é que eu quero ver. Eu sei que vou conseguir pensar, estou acostumado com o clima", diz Benjamin. "Se equilibrarmos o nosso emocional e cumprirmos a preparação que planejamos, será fácil ganhar as Olimpíadas".
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