| |
14/08/2004 - 19h51
Daiane dos Santos testa "joelhinho de cristal" nas eliminatórias
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Atenas (Grécia)
 | | | Chega a hora da verdade para Daiane | No Brasil, ela é celebridade, reconhecida nas ruas, alvo constante da imprensa, o assunto nacional. Agora, em Atenas-2004, tenta manter a invencibilidade de cinco competições internacionais e, mais, entrar para a história como a primeira ginasta negra a ganhar uma medalha de ouro em Olimpíadas. Antes, porém, Daiane dos Santos precisa, a partir das 15h deste domingo, garantir uma vaga entre as oito finalistas do solo.
O que ameaça a soberania internacional de Daiane são os "joelhinhos de cristal", alcunha dada à atleta por Vicélia Florenzano, presidenta da CBG (Confederação Brasileira de Ginástica), em referência às três cirurgias sofridas por Daiane -a última delas em junho.
O joelho, entretanto, não impediu a brasileira de fazer ótima exibição no treino de pódio no último dia 12. No evento, que simula uma competição e serve para que as ginastas apresentem aos árbitros os movimentos que farão nas Olimpíadas, a brasileira foi a mais aplaudida. Aliviada e sorridente, Daiane saiu dizendo-se "confiante" e agradeceu o trabalho dos médicos.
Neste domingo, Daiane e a equipe brasileira se apresentam e buscam vagas para as finais por equipe, individual geral e por aparelhos. As oito melhores ginastas de cada exercício, bem como as oito equipes com melhor soma de notas vão à final. O Brasil, na competição por países, tem boas chances. No último Mundial, conquistou o sexto lugar e garantiu a inédita classificação de seis ginastas para uma Olimpíada.
No individual geral (soma dos quatro aparelhos), em que Daiane não tem qualquer chance -não competirá na trave-, a esperança brasileira de colocar uma ginasta entre as 24 que passam à decisão reside nas acrobacias de Daniele Hypólito, que não passa por boa fase. Camila Comin -que disputa sua segunda Olimpíada-, Ana Paula Rodrigues -atual campeã brasileira- e Laís Souza, apontada pelo ucraniano Oleg Ostapenko como a maior promessa da nova geração, são as outras que tentarão o feito. Caroline Molinari, que completa a equipe e não competirá em todos os aparelhos, não tem chances nesta competição.
Às finais por aparelhos, Daniele Hypólito, na trave, é a única além de Daiane que parece ter possibilidades de ir à final. Para isso, entretanto, a primeira ginasta a colocar o Brasil no pódio de um Mundial de ginástica (prata em Ghent-2001) terá de superar a descrença de seus próprios técnicos.
É em Daiane, portanto, que residem as reais chances de uma final por aparelhos. Após um ano de treinos exaustivos, vitórias e fama crescente, neste domingo, a ginasta porá à prova a alcunha de "Michael Jordan da ginástica", dada a ela pelo técnico romeno Octavian Belu, que em 2000 levou a Romênia ao ouro na disputa por equipes.
Mesmo sendo a grande favorita à medalha de ouro, além do joelho e da pressão pela conquista inédita, Daiane terá de superar as peculiaridades de seu esporte. Um salto errado tirará da brasileira qualquer chance de medalha. "Um trabalho de anos e sete horas diárias pode virar pó em uma passada errada", diz Eliane Martins, coordenadora-geral da CBG, que declarou há um mês que a brasileira "só perde para ela mesma", tamanha sua superioridade atual sobre as adversárias.
|