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14/08/2004 - 09h14
Seleção feminina joga "para o gasto" e bate Japão em sua estréia

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Atenas (Grécia)

A seleção brasileira feminina de vôlei começou com o pé direito sua caminhada rumo ao primeiro ouro olímpico. Neste sábado, pela manhã, a equipe comandada pelo técnico José Roberto Guimarães superou a ansiedade da estréia e, mesmo sem fazer uma grande partida, derrotou o Japão sem maiores dificuldades por 3 sets a 0 (25-21, 25-22 e 25-21), no Ginásio Paz e Amizade.

Reuters 
Mari passa pelo bloqueio de Takahashi
Cerca de 200 animados -e barulhentos- torcedores brasileiros ajudaram a "encher" o ginásio, que estava vazio e, ao som dos Tribalistas nos intervalos, apoiaram a seleção e contagiaram os gregos.

Dois campeões olímpicos de Barcelona-92 também acompanharam a partida da arquibancada. Para Paulão e Carlão, a equipe brasileira não teve um início de Olimpíada tão empolgante, apesar do placar favorável. "Estréia é sempre difícil, há muita tensão. Fica ainda mais complicado se você ainda pega um time asiático, chatinho. A seleção não jogou muito bem", analisou Paulão.

Já para a levantadora da seleção, Fernanda Venturini, que participa de sua quarta Olimpíada, a estréia foi importante para dar ritmo às novatas. "Foi um importante começo para as jogadoras novas que nunca disputaram Olimpíada. Não vai ser no primeiro jogo que a equipe vai se acertar. Ainda temos outro jogo para nos aprimorar (contra a Quênia), antes da partida contra a Itália", comentou a veterana.

De acordo com o técnico José Roberto Guimarães, a equipe demonstrou, na partida, uma evolução em relação ao Grand Prix. "Tivemos problemas no ataque e na defesa, mas fomos melhor do que no Grand Prix. Só podíamos ter ido melhor no contra-ataque", disse o treinador.

Com a vitória, a seleção brasileira sai na frente no grupo A, acumulando dois pontos. O Japão, por sua vez, soma apenas um. O grupo também é composto por Quênia, Itália, Grécia e Coréia do Sul.

Na segunda-feira, às 10h (horário de Brasília), as meninas do Brasil enfrentam a fraquíssima seleção do Quênia, 23ª do ranking mundial. O técnico José Roberto Guimarães anunciou que colocará as reservas em quadra nesta partida.

Já o Japão terá a difícil missão de se recuperar diante da forte seleção italiana. Todos os jogos do torneio olímpico são disputados no Ginásio Paz e Amizade, em Atenas.

O jogo
O técnico José Roberto Guimarães não fez surpresas e colocou em quadra as sete titulares que disputaram a fase final do Grand Prix, no mês passado: Fernanda Venturini, Virna, Érika, Mari, Walewska, Valeskinha e Arlene (líbero).

O Brasil teve um início de partida arrasador: 6 a 0. Depois, perdeu um pouco a concentração e permitiu que o Japão encostasse no placar. Mesmo demonstrando uma superioridade muito grande, a seleção cometia erros bobos -duas na mesma bola, recepção deficiente- e, assim, não deslanchava no placar.

Fernanda Venturini abusou das levantadas para o ataque das ponteiras Virna e Érika, e da oposta Mari, estreante em Olimpíadas. O Japão, sétima seleção do ranking mundial, com um bloqueio pouco eficiente, que não marcou nenhum ponto no primeiro set, não ofereceu resistência. Com um ataque de Érika na entrada de rede, as brasileiras fecharam em 25 a 21.

Na segunda set, a equipe brasileira seguiu com pequenos problemas na recepção. As japonesas se destacavam apenas na defesa. O Brasil se manteve à frente durante todo o set. Chegou a abrir 23 a 17, mas perdeu quatro pontos consecutivos. Zé Roberto parou o jogo e, na volta, as brasileiras confirmaram a vitória na parcial por 25 a 22.

Logo no início do terceiro set, a história do jogo se repetiu: o Brasil logo passou à frente e administrou a vantagem. Jogando o suficiente para vencer, as brasileiras fecharam a partida em 3 sets a 0 em pouco mais de uma hora.

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