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15/08/2004 - 08h02
René Simões acusa técnica dos EUA de mandar atingir brasileiras

Da Redação
Em São Paulo

O técnico da seleção brasileira de futebol feminino, René Simões, acusou os Estados Unidos de terem usado violência para tirar intencionalmente brasileiras da partida em que as norte-americanas venceram por 2 a 0, de acordo com reportagem publicada neste domingo no jornal The New York Times.

EFE 
A brasileira Formiga enfrenta a marcação da norte-americana Shannon Boxx
O técnico disse ao jornal no sábado, em entrevista após o jogo, que a meio-campo Elaine e a atacante Kelly tiveram de ser hospitalizadas após o jogo. Kelly, de 19 anos, fraturou a clavícula direita e não jogará mais na Olimpíada.

As duas jogadoras, de acordo com o NYT, fizeram "um excepcional primeiro tempo, quando o jovem time brasileiro atropelou as veteranas americanas, atacando sem descanso". O texto prossegue: "A partir daí, os Estados Unidos desceram o pau, o que enfureceu Simões. Numa liguagem direta, ele disse que as americanas jogaram sujo e alvejaram as melhores jogadoras do Brasil".

"Nosso adversário jogou de modo muito físico no segundo tempo [quando marcou os dois gols], e é por isso que duas de minhas jogadoras estão no hospital", disse Simões.

Questionado se as americanas tentaram tiras as brasileiras do jogo, Simões disse: "Acho que sim. Estou dizendo que acho que sim. Elas realmente vieram para o segundo tempo em busca das nossas jogadoras, não em busca da bola".

Simões parabenizou, de forma irônica, a técnica dos EUA, April Heinrichs, por ter feito ajustes em seu time no intervalo.

"Não posso aceitar o modo como elas jogaram. O que é certo é certo, e o que é errado é errado. Quando ela fez os ajustes, as coisas aconteceram às minhas jogadoras."

Heinrichs negou que tenha ordenado suas jogadoras a bater nas brasileiras. "Foi um jogo muito violento em alguns momentos. Elas [as brasileiras] estavam jogando com o físico, e os Estados Unidos reagiu."

A técnica admite, no entanto, que pediu no intervalo mais empenho de suas jogadoras. "Minha conversa no intervalo foi sobre ser mais pró-ativa, mais decisiva."

No jogo, duas brasileiras (Mônica e Marta) e duas norte-americanas (Wambach e Rampone) receberam cartão amarelo. Nenhuma jogadora foi expulsa.

Ao jornal brasileiro O Globo, Renê Simões reclamou da arbitragem, que, segundo ele, não coibiu a violência. "A técnica americana disse que [a jogadora norte-americana] Wambach encontrou um jeito sofisticado de fugir da marcação. Dar cotoveladas é jogar sujo, não jeito sofisticado", disse.

Para a zagueira Tânia Maranhão, o Brasil perdeu "pela ajuda que a juíza deu a elas. Mas o que é delas está guardado. Ainda podemos nos cruzar".

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